Cultura

Traços de Paulo Jazz na exposição da filha

Analtino Santos

Jornalista

A exposição “Cores e Paz de Joyce na Génesis de Jazz”, da artista plástica Joyce Jazz, patente desde sexta-feira, na Galeria Tamar Golan da Fundação Arte e Cultura, na Ilha do Cabo, consagra, entre outras, as obras “Génesis”, “Angolana”, “Yeshua no Calvário”, “Bull Power”, “African Dance”, “No Abuse”, “Wind of Changes” e “Mulher e Fé”.

20/09/2022  Última atualização 06H45
Artista plástica Joyce Jazz segue o mesmo traço pictórico do pai nas suas criações © Fotografia por: Dr

Comprometida a ser fiel continuadora do seu mestre e pai, Paulo Jazz, as obras da artista ficam patentes até ao dia 14 de Outubro, na Galeria Tamar Golan da Fundação Arte e Cultura. Essa exposição reúne 21 telas de Joyce Jazz produzidas entre 2015 e 2022. Todas as obras em acrílico sobre tela é perceptível notar uma artista que combina o belo com questões religiosas, abuso sexual, a alegria dos africanos, o espírito guerreiro das mulheres e a sua paixão pela música, numa combinação de cores.

No encontro com o divino, destacamos as obras "Anjo da Luz”, "Yeshua”, "Jesus, Joyce”, "O Amor ao Calvário” e "Homem Espiritual”, assim como combina o espiritual à alma feminina em "Mulher e Fé”. Também dá pinceladas ao abuso sexual, um dos dramas enfrentados por muitas mulheres está reflectido em "Abuse” de forma colorida eleva as senhoras em "Angolana”, "Mulher Guerreira” e "Composição Feminina”.

A paixão pelos ritmos e sons estão presentes em "African Dance”, "Joyce and Saxophone”, "Levita Jazz” e "Wind of Changes”, esta inspirada na música homónima do grupo de Rock alemão Scorpions, mas sempre com a trilha sonora de fundo o jazz, estilo cultivado pelo pai e marca do legado artístico que carrega.

No texto de apresentação da exposição, assinado pelo artista plástico Gilberto Capitango, refere que "é impossível falar de Joyce Jazz sem nos referirmos ao nome de seu pai, o nosso grande mestre, dos poucos que religava a distorção da alma e a beleza da cor e de suas variedades, Paulo Jazz”.

Realça a irreverência própria da nova geração de artistas angolanos e a necessidade de absorverem dos mais velhos a experiência e saberes no percurso do processo de aprendizagem.

No caso desta exposição  acrescenta que "o mestre Paulo fez uma coisa que na tradição africana quem deveria fazer deveria ser a tia mais velha, irmã da mãe da Joyce, mas a vida levou a que este nosso grande mestre fosse ele mesmo a fazer a iniciação com a sua filha, chamou para si a Génesis de um trabalho árduo porque como mestre consciente do seu trabalho e missão tomou ele próprio na mão o bastão de comando e isto é visível nesta fase inicial da obra que Joyce apresenta, realmente está nela a escola; fruto do processo iniciático pelo qual passou”.

Gilberto como conhecedor e apreciador da obra do pai é da seguinte opinião: "o princípio de Joyce é Paulo Jazz, e hoje podemos sorver desta substância em forma de obras com todo o interesse que se impõe e que ilustram um longo caminho de luzes e cores e de muitas outras propostas que virão, pois, a arte é antes de mais uma forma de estar, viver e fazer para o bem de todos”.

Quanto ao tratamento das cores escreveu o seguinte: "podem reflectir as várias facetas da vida de cada homem, por isso funde imagens de figuras distintas com a importância de cada uma, aos recursos da sua paleta que conhece bem, aí está mais uma vez a escola jazziana da qual bebeu e muito bem para no final apelar simplesmente a paz, paz que muito necessitamos em nossas vidas e consciências para que no lugar do pugilato e das contendas logremos o amor. A cor já não é apenas vida para esta artista, mas uma forma de resposta à forma como cada um de nós vê o mundo e o enquadra na perspectiva de vida”.

Joyce Jazz tem obras espalhadas em colecções particulares, galerias de África, Europa, Ásia e Américas do Sul e do Norte. Os seus trabalhos também são conhecidos na China, Estados Unidos, França, Portugal, Londres. Participou em exposições colectivas com artistas de referência tais como Paulo Jazz, Paulo Kapela e António Ole.

Em 2018, teve algumas aulas com o professor brasileiro David Pedrosa. Desde pequena na companhia de Paulo Jazz que tem participado em exposições colectivas na UNAP, Casa Azul de Nuno Pimentel, e teve participação nas mostras Universal Beyond The veil Women’s art in Honor of the 58th Venice Biennale 2019, na segunda edição do FENACULT (2014), Plasticidades Anti-Covid-19, Tributo a Paulo Jazz, no Museu de História Natural, em 2021, e no mesmo ano foi curadora e participou na exposição colectiva "Cores de Guardiães”, em Março, e "Cores e Paz”, em Abril,  e este ano foi finalista do EPI concurso Pan African.

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