Política

TPA e TV Zimbo vão continuar a cobrir as actividades da UNITA

Manuela Gomes

Jornalista

A Televisão Pública de Angola (TPA) e a TV Zimbo recuaram da decisão de vetarem a cobertura das actividades políticas da UNITA.

17/09/2021  Última atualização 08H10
Secretário de Estado Nuno Caldas (quarto à esquerda) defendeu a obrigação de informar © Fotografia por: Maria Augusta | Edições Novembro
O recuo foi possível num encontro de concertação entre as direcções daqueles órgãos de comunicação social e da UNITA, mediado pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social.
A TPA e a TV Zimbo tinham anunciado o boicote à cobertura das actividades da UNITA, pela agressão física e verbal de que foram alvo profissionais, durante uma marcha daquele partido, no sábado. 

O secretário-geral da UNITA, Álvaro Daniel, disse, no final, que a reunião foi "favorável e objectiva”, pois foi dada a garantia que "os actos políticos do partido vão merecer cobertura jornalística, tal como acontece com outras organizações políticas”. 

Álvaro Daniel defendeu uma relação saudável entre os partidos políticos e os órgãos de informação, sobretudo num momento pré-eleitoral. "Já não temos razões de viver momentos menos bons, numa altura em que estamos a escassos meses das próximas eleições”, afirmou o político, adiantando que "a UNITA quer partir para o pleito eleitoral” em "ambiente de aceitação, apesar das diferenças”. No encontro, a UNITA queixou-se, igualmente, do "escasso tempo de antena” que lhe é dedicado nos noticiários da TPA e TV Zimbo. Álvaro Daniel admitiu que o problema só se arrastou, "pela ausência de diálogo entre as partes”. 

"Este mal-estar deu-se porque algumas questões legais foram ignoradas, fundamentalmente o direito à informação, liberdade de informar e o tratamento igual dos actores políticos. Tudo isso colocou um conjunto de cidadãos e alguns meios de comunicação social a não representarem condignamente o interesse de todos”, denunciou.

Ao referir-se às agressões na marcha do último sábado, o secretário-geral da UNITA disse que o partido vai apelar aos órgãos de protecção e de segurança para, em actividades futuras, actos do género não voltem a acontecer. 

O secretario de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas, pediu aos órgãos de comunicação para que "assegurem a concretização de um direito constitucional, o de informar e formar os cidadãos”, sem distinção entre partidos ou organizações da sociedade civil. "Devem cobrir as actividades e dar-lhes (o devido) tratamento”, exortou.

Nuno Caldas, que foi o mediador entre a TPA, TV Zimbo e a UNITA, considerou que o encontro foi "positivo, franco e aberto”. Disse entender que se vive "um momento sensível”, no qual os órgãos de comunicação "desempenham um papel insubstituível na construção e consolidação de um Estado democrático e de direito”. Defendeu que se encontre sempre "pontes de diálogo, interacção e convergência, para que possamos caminhar bem”.

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