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Toxicodependentes sem o local de albergue

Weza Pascoal | Menongue

Jornalista

O Centro de Reabilitação e Acolhimento para Doentes Toxicodependentes, afecto à Cruz Azul de Angola (CAA), localizado no bairro Castilho, arredores da cidade de Menongue, província do Cuando Cubango, que está encerrado desde Dezembro do ano passado, não têm data para a reabertura, por escassez de verbas, informou ao Jornal de Angola, o director da instituição, Aires Manuel.

14/06/2021  Última atualização 08H42
Centro de tratamento foi encerrado por falta de verbas © Fotografia por: Nicolau Vasco | Edições Novembro
"A escassez de verbas, associada à subida galopante dos preços dos produtos da cesta básica, obrigou a direcção do centro, a devolver ao convívio familiar, mais de 80 doentes toxicodependentes, que estavam internados na instituição”, revelou.

"Os nossos fornecedores”, acrescentou, "faliram devido à crise financeira que o país vive, agravada pela Covid-19. Portanto, tivemos de fechar o centro, porque já não tínhamos como alimentar os pacientes, pagar salários dos trabalhadores, comprar combustível para o gerador, entre outras despesas que já não conseguíamos suportar”.

Quando o centro estava em pleno funcionamento, detalhou, servia as três refeições diárias, mas devido a subida dos preços dos alimentos, o número de refeições baixou para duas. "Na medida em que a crise financeira foi se agravando, deixamos até de comprar materiais de biossegurança, pelo que tivemos de encerrar a instituição e devolver os pacientes às famílias”, disse.

Aires Manuel apelou ao Governo Provincial e empresários locais para apoiarem o albergue. " Temos de notar que o centro já tratou professores, membros das Forças Armadas Angolanas (FAA), Polícia, funcionários públicos, enfim, profissionais de várias instituições do Estado, que voltaram para o convívio da sociedade reabilitados”, frisou.

Desde a sua inauguração, em Setembro de 2016, o centro já reabilitou 393 toxicodependentes, com idades entre os 13 e 65 anos, maioritariamente das províncias do Cuando Cubango, Luanda, Bié, Benguela, Moxico, Lunda-Norte, Huíla, Namibe, Huam-bo, Cuanza-Norte e Sul e Cunene, que consumiam exageradamente bebidas alcoólicas e outras drogas.


Entre as terapias dos doentes, a mais prolongada durava seis meses, e era a base de aulas sobre religião, questões sociais, económicos e as consequências do consumo excessivo de drogas.

O local tinha 16 trabalhadores, dos quais, seis evangelistas e igual número de seguranças, dois pastores e duas cozinheiras, cujo salário mínimo era de 45 mil kwanzas e o máximo de 70 mil. Depois de reabilitado a capacidade de albergue aumentou de 30 para 200 pacientes.

O director fez saber que a organização Cruz Azul, fundada em 1877, na Suíça, e com representações em 51 países, tem sucursais em Angola nas províncias do Cuando Cubango, Luanda, Bié, Benguela e Namibe.

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