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Tômbwa quer substituir o peixe pelo turismo

Foz do rio Cunene, Baía dos Tigres, Praia dos Riscos, Lagoa dos Arcos, Parque Nacional do Iona e Welwitschia Mirábilis, são alguns nomes que se podem transformar em verdadeiras “marcas”, capazes de gerar receitas financeiras e transformar o município do Tômbwa num dos principais destinos turísticos de Angola, e do mundo.

29/07/2020  Última atualização 23H36
Rafael Tati | Edições Novembro | Namibe

Na localidade abunda peixes como a sardinha, corvina, atum e o carapau, além das lulas e outras espécies marinhas, que conferem ao Tômbwa o estatuto de vila piscatória. Há dias, a Administração local convidou o governador provincial do Namibe, Archer Mangueira, a visitar a localidade e conhecer o Plano Director do Turismo do Município do Tômbwa, a principal aposta para o desenvolvimento do município localizado no sudoeste de Angola, a cerca de 95 quilómetros de Moçâmedes.

O administrador municipal do Tômbwa referiu-se ao documento como alternativa às baixas capturas de peixe. Alexandre Niyuka está preocupado com o facto de a actividade pesqueira, enquanto principal fonte de receitas fiscais e de sustento para as famílias residentes no município, estar a perder terreno.

Segundo o administrador, no ano de 2018, a captura de pescado foi de 48.000 toneladas de várias espécies, enquanto no ano seguinte (2019), houve uma baixa considerável, apenas 16.000 toneladas. “Este ano, no final do primeiro semestre, tivemos uma captura total de cerca de 4.000 toneladas, e tudo indica que até ao final do ano não iremos passar das 8.000 toneladas”, explicou, para justificar a necessidade de se focar noutro segmento importante da economia, como é o caso do turismo.

O Plano Director do Turismo do Município do Tômbwa, elaborado por uma empresa de direito angolano, Kibabata Service, aponta como potencial turístico da região os recursos naturais, histórico-monumentais e culturais, tendo inventariado um total de 75 recursos nas três comunas (Tômbwa sede, Iona e Baía dos Tigres).

O facto de o município estar localizado entre o mar e o deserto, com uma extensão territorial de 18.019 quilómetros quadrados, e uma costa marítima de 230 quilómetros, é referenciado como condição favorável para o desenvolvimento de quase todos os seguimentos do sector turístico.

No que toca ao Turismo de Natureza, o Parque Nacional do Iona, com a sua rica biodiversidade, é a referência, e a estratégia é ajustar o plano aos programas levados a cabo pela Administração do parque e seus parceiros, nomeadamente a Organização Não-Governamental African Park, para a promoção do ecoturismo. Outros recursos apontados são as lagoas do Cravalhão e dos Arcos, bem como as colinas e canyons que se podem observar no deserto.

O segmento ligado ao Turismo de Sol e Praia é dos mais ambiciosos no Plano Director apresentado, com ideias que apontam para a criação de empreendimentos para alojamento e restauração, ordenamento e requalificação das praias urbanas e não-urbanas, entre outras acções a serem realizadas. A estratégia passa, igualmente, pelo fomento da prática de desportos náuticos e pesca desportiva, revitalizando o Turismo Náutico.

Quanto aos recursos culturais, além dos hábitos e costumes peculiares dos povos autóctones da região, nomeadamente os muimbas e os mucubais, capazes de promover o Turismo Rural, o Plano prevê valorizar os monumentos históricos com arquitectura colonial, que podem ser identificados na sede do município e na Baía dos Tigres, assim como outros vestígios deixados pelos primeiros habitantes da localidade. Uma das futuras acções indicadas nesse sentido é a criação de um museu das pescas, no Tômbwa. Com base numa consulta pública feita na localidade, o Plano Director do Turismo do Município do Tômbwa indica, também, as “sete maravilhas” da localidade: Lagoa dos Arcos, Praia dos Riscos, Mbindi yo Mutuaty (colinas), Welwitschia Mirabilis Gigante, Foz do rio Cunene, Baía dos Tigres e o Monte Tchilambo.

“Tômbwa é o destino”

O técnico da empresa Kibabata Service, Manuel Bandeira, que fez a apresentação do documento, disse que o slogan escolhido para a divulgação, promoção e marketing do potencial turístico local é “Tômbwa é o destino”.

“A nossa visão é transformar o município do Tômbwa num destino turístico de referência provincial, nacional e internacional, tendo em conta as potencialidades naturais, histórico-monumental e cultural existentes, na perspectiva do sector turístico ser estratégico para o desenvolvimento local, e instrumento de luta contra à pobreza, com reflexo na melhoria das condições de vida dos cidadãos”, disse.

O Plano Director do Turismo do Município do Tômbwa, que se propõe ser implementado a partir de 2021, tem como metas o aumento contínuo do número de turistas em mais de 15 por cento da oferta de infra-estruturas turísticas de alojamento, com a construção de dois hotéis, duas pensões, dois aldeamentos turísticos, dois lodges e quatro parques de campismo.

A expansão em 15 por cento da rede de restauração e até 10 por cento dos serviços complementares, também, consta do plano. A formação e qualificação de profissionais do sector do turismo, visando uma mel-horia significativa da qualidade dos serviços no sector de alojamento e restauração, é apontada como fundamental.

O Plano prevê desenvolver ainda, a médio e longo prazos, acções para os sete “clusters” definidos no município, nomeadamente a eco-aventuras, desportos, negócios, radical, cultura, religioso e social.

No final da apresentação, o governador Archer Mangueira mostrou-se impressionado com o rigor técnico-científico como foi elaborado o documento, tendo realçado a sua importância, além do Plano de Expansão Urbanística “Casuarina”, que foi também apresentado na ocasião, no desenvolvimento do município do Tômbwa.

Terra “descoberta” por Diogo Cão

Fundado a 8 de Dezembro de 1854, por um navegador português de nome Norberto Rudzky, o município do Tômbwa, antes denominado Angras das Aldeias, e posteriormente Porto Alexandre, em memória ao explorador inglês James Eduard Alexander, que em 1835 visitou a mesma região que, entretanto, já havia sido “descoberta” por Diogo Cão, que colocou o padrão no Cabo Negro, tendo permanecido aí durante cinco dias.

A pesca é a principal actividade económica da região, sobretudo na sede do município, onde reside 60 por cento da população. As mulheres são as responsáveis pela limpeza e preparo do peixe para a salga. No interior do município, encontram-se os povos mucubais, himbas (a maioria) e existem pequenas áreas ocupadas pela população do grupo etnolinguístico San (bosquímanes), que têm na pastorícia e agricultura de subsistência as suas principais actividades.

Dados do Censo de 2014, apontam para um número de 68.196 habitantes.

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