Coronavírus

Terceira vaga agressiva avança em África

A terceira vaga de Covid-19 avança “agressivamente” em África, onde a variante detectada na Índia ganha terreno e continua a escassez de vacinas, advertiu o director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

13/06/2021  Última atualização 06H50
© Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
"Podemos ver claramente que a variante B.1.617, que surgiu na Índia, está a crescer no continente, mas ainda não temos dados epidemiológicos que sugiram que esteja por trás da terceira vaga” na região, disse quinta-feira John Nkengasong, em conferência de imprensa virtual.

Pelo menos 13 dos 55 Estados-membros da União Africana (UA) - órgão do qual depende o África CDC - já registaram esta variante, incluindo o Quénia, Uganda, África do Sul, Marrocos ou Nigéria.
Continuam a escassear vacinas no continente, face a esta terceira vaga e, no ritmo actual, apenas sete das 54 nações soberanas da região (sem contar com o Saara Ocidental) alcançariam a meta de vacinar 10% da sua população até Setembro, a menos que África receba mais 225 milhões de doses, informou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"À medida que nos aproximamos dos cinco milhões de casos e começa uma terceira vaga em África, muitas das pessoas mais vulneráveis continuam perigosamente expostas à Covid-19”, advertiu numa outra conferência virtual, a directora da OMS para o continente, Matshidiso Moeti.

Moeti defendeu que os países que podem devem partilhar as vacinas contra a Covid-19 com urgência. "É uma questão de vida ou morte para a África”, vincou.
O África CDC e a OMS congratularam-se com o acordo alcançado pelos Estados Unidos, para comprar 500 milhões de vacinas da Pfizer/BioNTech que serão entregues a cerca de 100 países nos próximos dois anos, através da plataforma COVAX, segundo o jornal The New York Times.

"O que sabemos, até agora, é que 200 milhões de doses estarão disponíveis este ano, através da plataforma COVAX (promovida pela OMS, para garantir o acesso global e equitativo à vacina) e agradecemos que a União Africana seja mencionada explicitamente” assegurou Nkengasong.
A directora regional da OMS reconhece que se trata de "um grande avanço”, uma vez que "as nações ricas começam a transformar promessas em acções”.

Com este acordo, os Estados Unidos aderiram à iniciativa anunciada em Maio pela França, que se comprometeu a doar vacinas para países africanos também por meio da COVAX, tornando-se o primeiro país europeu a fazer contribuições para esse sistema.

Até agora, a UA reservou 220 milhões de vacinas de dose única (com opção de adicionar mais 180 milhões em 2022) por meio de um acordo firmado em Março com a Janssen, subsidiária da farmacêutica Johnson & Johnson, e que o continente espera começar a distribuir em Agosto deste ano.
A parceria com a Fundação Mastercard visa "aumentar a capacidade de vencer a batalha contra a pandemia, aumentar a capacidade de distribuição das vacinas, independentemente de quais são essas vacinas, e fortalecer as instituições africanas”, disse John Nkengasong.

As oito áreas principais de actuação, de acordo com o director do África CDC, são a aquisição e logística na compra de vacinas, fortalecimento da logística dos países e a criação de centros de vacinação e formação de colaboradores.

Para além disso, a parceria vai fomentar também o envolvimento das comunidades e comunicação dos riscos, fármacovigilância, vigilância genómica das variantes da Covid-19, implementação de sistemas e instrumentos digitais e assistência técnica à gestão dos programas nacionais de vacinação.
Dias antes, o director do África CDC disse que menos de 2% da população está vacinada em África e salientou que a meta é vacinar 60% da população.

"O continente africano imunizou menos de 2% da população, que é de 1,3 mil milhões de pessoas, ao passo que o mundo já vacinou 2,2 mil milhões de pessoas”, lamentou John Nkengasong, durante a sua intervenção na apresentação da parceria com a Fundação Mastercard, que liberta 1,3 mil milhões de dólares, cerca de mil milhões de euros, contra a pandemia.
"O continente africano adquiriu 54 milhões de doses e 32 milhões de vacinas foram administradas em África, mas temos de imunizar 750 milhões de pessoas, que representam 60% da população”, acrescentou o responsável, mostrando-se preocupado com o atraso na compra, distribuição e administração das vacinas no continente.


Mastercard

A Fundação Mastercard anunciou, segunda-feira, que vai doar 1,3 mil milhões de dólares nos próximos três anos para ajudar a combater a pandemia de Covid-19 e acelerar a recuperação económica no continente africano.

"Em parceria com a União Africana e o África CDC, a Fundação Mastercard orgulha-se de anunciar a entrega de 1,3 mil milhões de dólares (um pouco mais de mil milhões de euros) nos próximos três anos, para salvar vidas e rendimentos de milhões de pessoas e acelerar a recuperação económica do continente”, disse a presidente desta entidade, Reeta Roy.

Na apresentação da parceria, em formato digital, a responsável vincou que a parceria anunciada tem quatro prioridades: "Adquirir vacinas para pelo menos 50 milhões de pessoas, apoiar a entrega e distribuição para muitos mais milhões de pessoas no continente, preparar a força de trabalho para a produção de vacinas em África e fortalecer o África CDC para implementar esta iniciativa histórica em conjunto com os países africanos”, disse a responsável.

Na intervenção, Rita Roy disse que esta iniciativa deverá "desbloquear o potencial económico do sector da saúde e criar empregos e oportunidades para milhares de pessoas” e defendeu que são necessários "investimentos sistémicos para aumentar a segurança e a resiliência do sector”.

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