Sociedade

Terceira idade é muito exposta a vulnerabilidades

Hoje é celebrado o Dia Internacional do Idoso. A data é de reflexão sobre a forma como os mais velhos são tratados. Para a presidente da Associação de Amizade e Solidariedade para com a Terceira Idade (AASTI), esta franja é muito exposta no país a situações de vulnerabilidades que resultam em violência física, psicológica, abandono e usurpação dos seus bens.

01/10/2022  Última atualização 06H40
Presidente da associação AASTI, Emília de Almeida, Directora do Lar de Idosos Beiral, Ana Alexandre, e Residentes têm direito aos cuidados mínimos © Fotografia por: Alberto Pedro | Edições Novembro

Emília de Almeida disse, por ocasião da efeméride, que a terceira idade não deixa de ser uma franja significativa da sociedade, em especial em Angola, onde 2,4 por cento da população é composta por idosos, com base no censo do Instituto Nacional de Estatística (INE), de 2014.

"A terceira idade está exposta a várias situações de vulnerabilidade. Muitos deles passam, às vezes, por privações de ordem social, ou económica, algumas deles, resultantes de violência física, ou psicológica, inclusive actos de abandono e usurpação de bens, uma aberração da sua dignidade humana”, lembrou.

A AASTI, adiantou, tem desenvolvido projectos e programas, com o propósito de minimizar as inúmeras dificuldades dos idosos, dando a estes o mínimo de conforto, através da oferta de bens alimentares, apoio psicológico, aulas de alfabetização, acções de recreação, passeios a locais de interesse histórico e assistência médica e medicamentosa, junto de algumas unidades sanitárias de referência do país.

Alguns actos em prol dos idosos, conta Emília de Almeida, têm tido muito apoio de parceiros sociais e amigos da associação, alguns dos quais anónimos, mas merecedores de certo mérito, por trabalharem em prol dos direitos das pessoas da terceira idade.

A presidente da associação lamentou o facto de não conseguirem alcançar, às vezes, muitos dos resultados desejados. "É triste quando apenas podemos desenvolver acções paliativas, que só impactam numa parte mínima dos visados, quando a maioria está relegada ao abandono e desprotegidas”.

As lacunas existentes nas políticas públicas e sociais, algumas delas irrealistas e deficientes, em especial em termos de implementação, representam, para a associação, um motivo de reflexão e de análise sobre o quanto ainda há para ser feito em prol da resolução dos problemas dos idosos, um dos quais a questão de uma reforma condigna.

"Os órgãos de soberania, os políticos, religiosos, representantes da sociedade civil, empresários e pessoas de boa-fé, devem  prestar maior atenção à pessoa idosa. É preciso incentivar o Executivo a reanimar as estratégias, em especial as que ajudam a melhorar os mecanismos de articulação entre os sectores públicos, privados e da sociedade civil, fortalecendo as parcerias para serem adequadas a respostas dos inúmeros problemas que os idosos enfrentam quanto ao acesso à saúde, educação, formação, ao lazer, protecção social, habitação e respeito à dignidade humana”, pediu.

Um repouso chamado Beiral

A directora do Lar de Assistência da Pessoa Idosa, Beiral, Ana Alexandre, disse que a instituição controla, actualmente, 104 idosos, dos quais 64 homens e 40 mulheres.

Para melhor funcionamento da instituição, conta, têm tido o apoio de várias instituições, em especial do Governo Provincial de Luanda. "A igreja Universal é a instituição que mais doações faz ao Lar”.

A directora da instituição adiantou ainda que precisam de 96 colaboradores, entre médicos, vigilantes, pessoal administrativo, psicólogos, sociólogos e fisioterapeuta. "Temos trabalhado com  apenas, 27 quadros, um número insuficiente para satisfazer as necessidades do Lar”.

Ana Alexandre defende a criação de políticas mais activas de protecção à pessoa na terceira idade, "que devem sair do papel e reflectir-se de forma eficaz na vida do idoso”.

"O abandono familiar, as acusações de feitiçaria, as doenças como a tuberculose, ou VIH-Sida, assim como outras de natureza crónica, têm sido as principais causas de recolhimento no Lar Beiral, de muitos idosos”, lembrou.

Muitos destes idosos, lamentou, são abandonados pelos familiares nos hospitais e ruas. "Alguns fogem do seio familiar por maus tratos dos parentes”, apontou.

O Lar, informou, está dividido em três pavilhões, um com a área feminina e os outros dois, apenas, para os homens. "Enquanto estão no Beiral, fizemos de tudo para que tenham uma rotina normal. Quando acordam são obrigados a fazer exercícios , depois da higienização, tomam o pequeno almoço”.

Um residente

Mário Adriano, de 88 anos, é um dos idosos que vive no Lar, desde 2015. A chegada ao Beiral, disse, foi por intermédio de um negócio mal feito. "Vivia no Congo Brazzaville. Recebi uma proposta de negócio com uma senhora. Fui aldrabado e como não tinha condições, nem um local para ficar, acabei por vir ao Beiral, onde estou até hoje”, contou.

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