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Terapeutas tradicionais apostam na multiplicação de plantas medicinais

Valter gomes| Uíge

Diversas espécies de plantas medicinais estão a ser multiplicadas, através de um processo de enxertia, em estufas botânicas, no município do Songo, província do Uíge, cujo projecto está a cargo de terapeutas e naturopatas filiados na Câmara da Medicina Tradicional da província. Segundo o coordenador provincial da Câmara Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional do Uíge, Jorge Geraldo, o projecto visa a multiplicação de espécies em gran-de escala para a distribuição e tratamento de doentes.

01/06/2021  Última atualização 10H00
Várias espécies de plantas estão a ser reproduzidas no município do Songo © Fotografia por: DR
" O processo visa evitar a procura massiva de plantas medicinais, despertar a população sobre a importância da medicina tradicional, garantir a conservação das espécies, bem como promover a medicina natural no seio das comunidades”, disse o responsável ao Jornal de Angola.De acordo com Jorge Ge-raldo, a enxertia está a ser feita numa área de 100 hectares no município do Songo, onde estão a ser lançadas plantas medicinais com propriedades curativas de várias doenças. "Neste momento já foram catalogadas mais de 40 espécies que serão multiplicadas”, revelou. 

Entre as plantas medicinais já catalogadas, acrescentou, constam o embondeiro, para o tratamento do desequilíbrio hormonal dos órgãos femininos, folhas de bananeira, utilizadas  como antibiótico de largo aspecto,  folhas de abacateiro, usadas para o tratamento de hipertensão arterial, caroço de abacate, para o tratamento de varicelas,  folhas de maracujeira, que servem  para  combater  o stresse e a insónia e folhas de goiabeira, para tratar   inflamações na garganta, vómitos, menstruação irregular entre outras doenças.

Constam ainda da lista de plantas que estão a ser reproduzidas , raízes de palmeira, que actuam como anti-inflamatório e folhas de morango para o tratamento de hemorróides, dor de dente, diabetes e outras doenças.  "A província do Uíge, devido a sua vasta floresta tem muitas plantas medicinais. Por isso, precisamos de apoios do Executivo e de parceiros para o êxito deste Projecto de Multiplicação de Plantas Medicinais”, sublinhou  Jorge Geraldo, avançando que a instituição que dirige, em colaboração com o Gabinete Pro-vincial da Saúde,  está a tratar da legalização dos centros de tratamento tradicional ou medicina natural.

"Queremos que os centros de tratamento tradicional ou medicina natural tenham condições para acomodar e tratar pacientes. Muitos terapeutas tratam os pacientes em suas residências com condições menos favoráveis, facto que transmite uma percepção negativa aos próprios  doentes. Por isso, queremos mudar este quadro para permitir que o terapeuta cuide do paciente em espaços adequados”,  precisou. 

O responsável revelou que a nível da província já estão  legalizados seis centros de medicina natural. "Com a aprovação da inclusão da medicina natural no sistema nacional de saúde, a coordenação tradicional, em parceria com o Gabinete Provincial da Saúde, está capacitar terapeutas e naturopatas, para que estes possam prestar um serviço digno aos pacientes.  Apontou a falta de meios de transporte e equipamentos informáticos como sendo as principais dificuldades que afectam a instituição, visto que os técnicos precisam deslocar até as florestas para catalogação de novas espécies de plantas, bem como supervisionar a actividade nos municípios. A Coordenação Profissional dos Terapeutas de Medicina Tradicional, Natural Alternativa e não Convencional no Uíge foi criada no dia 01 de Março do ano em curso. Composto por 14 membros, o órgão comporta um Departamento de Investigação Científica, Área de Vigilância Epidemiológica, Fiscalização e Sector de Parteiras Tradicionais.

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