Sociedade

Terapeutas ganham bolsas para a Índia

Rodrigues Cambala

Jornalista

A Câmara dos Terapeutas Tradicionais vai enviar, em breve, dez membros da organização para fazer formação na Ín-dica, no quadro de um acordo de parceira com a representação diplomática daquele país asiático.

14/06/2021  Última atualização 04H05
A medicina tradicional dispõe de medicamentos que ajudam a curar muitas doenças © Fotografia por: Maria Augusta | Edições Novembro
Segundo o presidente da Câmara, Kitoko Maiavangua, o número de bolsas vai aumentar para 30, nos próximos anos. "A Índia sempre cedeu bolsas a angolanos e, hoje, a medicina tradicional está integrada nas bolsas”, disse.

A organização tem igualmente em vista parcerias na área de formação com a China, República Democrática do Congo e Gana. "Estes países são fortes na investigação científica, por isso estamos interessados em enviar angolanos para se formarem em matéria de medicina tradicional”.

Kitoko Maiavangua explicou que a medicina convencional e tradicional caminham, hoje, juntas, sendo coordenadas pelo Ministério da Saúde. "Pensamos que há um casamento muito bom e há melhoria na conciliação das práticas”.

A Câmara pretende criar espaços próprios de venda de medicamentos tradicionais para evitar o comércio ambulante. Quanto a isso, Avô Kitoko disse: "queremos tirar as zungueiras que vendem medicamentos nas ruas. Queremos que os lugares sejam identificados. Se na medicina convencional existem farmácias, também ambicionamos que os terapeutas tenham espaços próprios e que sejam dignos”.

Nesta senda, a Câmara dos Terapeutas Tradicionais pre-vê criar 74 ervanárias, numa primeira fase, em todo o país. Outra meta da Câmara é a construção de um hospital que, como disses Avô Kitoko, vai trabalhar sempre em parceria com os hospitais convencionais.

O projecto deste hospital vai ser edificado na comuna do Calumbo, em Viana.

Jardim botânico

Avô Kitoko anunciou que Angola vai ter jardins botânicos em Malanje e Moxico, assim como estufas nas províncias do Uíge, Benguela e Huíla.

Neste momento, a organização controla 61 mil praticantes da medicina tradicional e 33 mil parteiras tradicionais. "Vamos cadastrar todos, para vermos quem são os filiados com formação académica na área. Quem estudou vai ser enquadrado na Câmara. Os terapeutas sem formação vão continuar a fazer parte da FOMETRA (Fórum dos Médicos Tradicionais)".

"Alguns filiados são velhos, ou seja, aprenderam com os antepassados. Esses precisam de ter também uma forma digna de enquadramento", salientou, considerando que a aposta é a industrialização dos medicamentos, que já impulsionou 12 terapeutas nacionais no fabrico dos seus produtos, com base nas recomendações da OMS- Organização Mundial da Saúde
Kitoko Maiavangua, que faz uma avaliação positiva da organização, justificou que, com a aprovação do anteprojecto de políticas de medicina tradicional, a relação com o Ministério da Saúde tornou-se fortificada.

"Todas as outras organizações ligadas à medicina tradicional deverão estar integradas na Câmara", indicou, afirmando que a Inspecção Geral da Saúde é uma entidade fiscalizadora da medicina tradicional.

Ao assegurar que a organização vai dinamizar e controlar os terapeutas e coordenar as actividades da classe, Avô Kitoko avançou que a Câmara precisa de uma aprovação do Executivo para fazer parte das instituições de utilidade pública.
A Câmara está instalada em todas as províncias do país, com a missão de controlar os terapeutas, dinamizar e disciplinar os filiados.

"Dentro dos processos de coordenação da medicina tradicional estão integrados cerca de 12 ministérios que, no fundo, contribuíram no anteprojecto existente”.

O presidente da Câmara fez saber que a organização mantém a parceria com o Centro de Investigação Científica do Ensino Superior e a área de pesquisa do Ministério da Saúde.

O terapeuta anunciou que Angola faz parte de 34 países africanos que aprovaram políticas da medicina tradicional, para que haja um sistema de saúde integrado e vigorosa.

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