Opinião

Tendências dos recursos minerais no mercado internacional

Juliana Evangelista Ferraz |*

O ouro tem sido, ao longo da história, um activo seguro de reserva e preservação de valor monetário ou patrimonial, e que em tempos de crise esta opção é largamente utilizada pelos investidores como forma de preservar as posições activas de investimento.

23/11/2021  Última atualização 09H20
Estes investidores procuram "desesperadamente” por activos de refúgio que têm sido hoje bem representados pela classe de metais preciosos como o ouro e a prata.


Ao longo do ano o ouro registou ligeiras oscilações de preço, e está a ser negociado no mercado nova-iorquino (Comex) por 1.863,70 dólares por onça nos mercados de futuros, já o preço da prata cifrou-se nos 24,78 dólares americanos.


De entre um conjunto de factores que influenciaram a subida do preço do ouro, um tem sido veiculado pelos analistas como factor determinante –  A baixa de rendimentos dos títulos de tesouro; a depreciação da moeda americana; o choque externo da Pandemia da Covid-19 e  o aumento da procura do ouro.


O ouro tem uma visão de logo prazo, por esta razão os investidores inclinam-se hoje, para o seu perfil mais defensivo, devido as incertezas geradas pelos mercados, principalmente pela recente queda da divisa norte-americana face a moeda europeia o euro.

Portanto, quando se verifica uma queda do dólar, terá como reflexo o impulso a subida do metal precioso, uma vez que as commodities referenciadas em dólares ficam mais atractivas.

Outros factores que estão a causar insegurança nos mercados, são as expectativas geradas pela incerteza sobre a recessão mundial e a previsão de pressões inflacionistas a médio prazo derivadas do efeito dos planos de estímulo económico e injecção de liquidez nos mercados para garantir maior competitividade das economias.


A subida deste metal está também relacionada ao elevado nível de consumo nos países emergentes como a Índia e Turquia, que também fazem deste recurso uma reserva de valor da economia familiar.


Relativamente do lado da oferta espera-se uma expansão da venda de ouro a nível de mundial de cerca de 2% nos próximos dois anos, que depois tende a baixar, devido ao fraco investimento efectuado na descoberta de novas reservas de ouro, e torna-se cada vez mais caro a exploração de reservas por terem custos de produção elevados.


Devido a escassez deste metal, e o longo período de produção acima dos 6 anos, associada a retracção da produção devido a pandemia da Covid-19, torna-se propício a oscilação e o aumento do preço do ouro nos mercados internacionais, a tendência para baixar ocorrerá até o novo ciclo de produção. Este cenário permite que os investidores defendam a carteira de portfólios com grandes investimentos para reservas de valor.


Porém, a um senão, os analistas apelam a precaução pois esta rápida subida irá clamar por uma correcção ou mesmo poderá gerar uma bolha, alertando que  se acompanhe o fenómeno da subida das commodities de matérias primas com bastante prudência pela sua tendência altista. A acompanhar a subida do ouro, segue-se a subida do preço dos cereais, arroz, trigo e o milho a operarem algumas variações, já o preço da prata registou uma descida no mercado internacional.


Os analistas prevêem a manutenção da subida do ouro no início de 2022 e poderá atingir os USD 2.091,90 por onça, uma vez que a procura irá aumentar, acompanhando as taxas de crescimento da economia mundial em cerca de 4,3%, níveis superiores ao ano de 2019 que se situou em 2,5%.

No entanto, ainda existem muitas incertezas quanto a retoma da actividade económica com taxas de crescimento acima de 7%, devido aos riscos geopolíticos que ainda persistem, diversas economias emergentes e em desenvolvimento perduram alguns obstáculos sobre o processo de vacinação com impacto na redução da actividade económica.

E nesta perspectiva, em 2022 cerca de dois terços destas economias a recuperação da renda per capita não será efectiva na sua totalidade. A perspectiva global impõe a possibilidade de novas vagas de Covid-19 e por outro lado, o aumento do endividamento por parte dos países emergentes e em desenvolvimento. Desta forma, o ouro possivelmente continuará a ser uma aposta segura para acumulação e salvaguarda de riqueza.

São bons exemplos a nível do continente africano o Gana e a   África do Sul, que têm o ouro como a principal commodity para exportação. Angola tem grandes potencialidades para exploração deste mineral, incluindo outros, como o manganês, bauxite, alumínio, fósforo e ferro.

Devemos aproveitar a preferência que o investidor estrangeiro tem por Angola como destino de investimento que recai sobre o potencial que o país apresenta do ponto de vista dos recursos naturais.

Portanto, é importante crescer e desenvolver parâmetros de razoabilidade e sustentabilidade em que o investimento externo não se concentre apenas no sector petrolífero, mas que se reforce para outros sectores desde o financeiro, indústria mineira etc, e por esta via permitir a entrada de fluxos de investimento directo estrangeiro mais expressivos que os actuais.

* Economista

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