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Teerão inicia construção de nova Central Nuclear

O Irão iniciou, este sábado, a construção de uma nova Central Nuclear no Sudoeste do país, em pleno período de protestos anti-governamentais e de repressão do regime de Teerão, revelou, ontem, a televisão estatal iraniana.

04/12/2022  Última atualização 06H45
As recentes tentativas de reavivar o Acordo Nuclear de 2015, aliviou as sanções contra o Irão © Fotografia por: DR
A infra-estrutura, de 300 megawatts, conhecida como Karoon, localizada na província de Khuzestan, está avaliada em dois mil milhões de dólares e será concluída em oito anos.

 Na cerimónia de inauguração da obra esteve Mohammed Eslami, chefe da Organização Civil de Energia Atómica do Irão, que revelou pela primeira vez os planos de construção de Karoon em Abril.

O anúncio da construção da central de Karoon surgiu menos de duas semanas após o Irão ter declarado que tinha começado a produzir urânio enriquecido com 60% de pureza na instalação nuclear subterrânea Fordo, uma mudança que é vista como um acréscimo significativo ao Programa Nuclear do país.

O enriquecimento a 60% de pureza está a um curto passo técnico dos níveis de pureza de armas de 90%. Os peritos em não-proliferação advertiram nos últimos meses que o Irão tem agora urânio enriquecido a 60% em quantidade suficiente para reprocessar para pelo menos uma bomba nuclear.

A medida foi condenada por Alemanha, França e Reino Unido, as três nações da Europa Ocidental que permanecem no Acordo Nuclear com o Irão, após os Estados Unidos terem abandonado o Acordo em 2018.

 As recentes tentativas de reavivar o Acordo Nuclear de 2015, que aliviou as sanções ao Irão em troca de restrições ao seu Programa Nuclear, estagnaram.

 

  Governo contabiliza 200 manifestantes mortos

 

O Conselho de Segurança iraniano anunciou, ontem, que "mais de 200 pessoas perderam a vida” durante os protestos que despoletaram no país desde Setembro, e garantiu que as forças de segurança irão actuar mais activamente face a qualquer manifestação, informou a agência noticiosa estatal, IRNA.

As primeiras palavras oficiais sobre as baixas foram proferidas, na semana passada, pelo general iraniano Amir Ali Hajizadeh, que disse serem mais de 300 os mortos registados pelo Governo.

Os números contraditórios são mais baixos do que os registados por uma ONG de defesa dos direitos humanos no país com representantes locais que têm acompanhado de perto o protesto desde o início.

Na sua actualização mais recente, o grupo de activistas iranianos afirma que 469 pessoas morreram e 18.210 foram detidas nos protestos e na violenta repressão das forças de segurança.

Num comunicado divulgado no site oficial do Ministério do Interior, que tutela o Conselho de Segurança, este organismo referiu que as 200 mortes ocorreram em "ataques terroristas” durante os distúrbios causados por elementos armados membros de grupos separatistas.

Esta é a primeira vez desde o início dos protestos, a 16 de Setembro, que o Irão publica números oficiais sobre os mortos.

"Quanto aos manifestantes, a República Islâmica do Irão tratou-os com a maior tolerância”, mas "o plano do inimigo para a continuação dos distúrbios e a paciência estratégica do sistema” causaram grandes danos, acrescentou o comunicado.

No documento, alerta-se ainda que o Conselho de Segurança "vai agir de forma mais determinada” e que "as forças de segurança e a Polícia, com toda a sua força e determinação, não vão permitir mais que alguns manifestantes, com o apoio de agências de inteligência estrangeiras, ponham em perigo a segurança pública da sociedade”.

"Portanto, qualquer perturbação da ordem pública e reunião ilegal em qualquer nível e local serão tratados de forma determinada e sem tolerância”, acrescentou.

Este comunicado surge numa altura em que foram convocados novos protestos contra o regime para segunda, terça e quarta-feira, numa iniciativa que se tornou viral nas redes sociais.

Os protestos no Irão começaram a 16 de Setembro, após a morte, sob custódia policial, da jovem curda de 22 anos Mahsa Amini, que tinha sido presa, supostamente, por usar o lenço islâmico de forma incorrecta.

Organizações não-governamentais estrangeiras, como a Iran Human Rights, com sede em Oslo, estimam que a repressão policial tenha já resultado em 448 mortes.

Adicionalmente, pelo menos 2.000 pessoas foram acusadas de vários crimes pela  participação nas manifestações, das quais seis foram condenadas à morte até agora.

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