Opinião

Tecnologia disruptiva e competitividade

Juliana Evangelista Ferraz |*

Estamos cada vez mais próximos da meta 2030 dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda esta que visa guiar o mundo aos objectivos cimeiros que exigem uma grande colaboração dos países, empresas e cidadãos, ou seja, as soluções de políticas públicas devem estar integradas aos pressupostos dos ODS de forma a influenciar as mais diversas áreas da vida das sociedades, onde os temas desde a Responsabilidade Social, Ambiental e Inovação Tecnológica, encontram um grande acolhimento espelhado sobre as acções inscritas na referida agenda.

10/05/2022  Última atualização 21H39

Chegados a esta altura é importante perceber qual o grau de concretização da agenda 2030, num período de recuperação decorrente da crise económica e de pandemia. É nesta perspectiva que cabe revisitar o 9º ODS- "Indústria, inovação e infra-estruturas”, este objectivo impõe desafios aos Estados, como por exemplo o de desenvolver uma infra-estrutura de telecomunicações robusta capaz de servir todo o território nacional e toda a população, a preços acessíveis.

Portanto, a questão da infra-estrutura moderna e de alta velocidade continua a ser um tema absolutamente fulcral do desenvolvimento tecnológico, assim os factores mais importantes da 4ª revolução industrial, estão associados à tecnologia 5G, considerada a quinta geração da velocidade de comunicação, e que, a ser implementada, vai revolucionar os processos tecnológicos de tal forma que surgirão alterações muito significativas na forma como comunicamos e gerimos a informação.

A questão da competitividade torna-se o epicentro na medida em que muitos países que ainda não passaram pela 2ª revolução industrial, muitos deles em África, Ásia, América Latina, como esses países, irão absorver os ganhos da 4ª revolução industrial, sabendo que alguns estão numa fase de diversificação económica, implantação da indústria transformadora, etc.? Essa questão é muito importante, pois, existem correntes que afirmam que a 4ª revolução industrial, pode aumentar ou agravar o grau de desigualdade entre países, sociedade e grupos na medida em que os mais pobres não puderem aceder aos benefícios directos das novas tecnologias, e terem acesso apenas os países mais ricos.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê que, no período pós-pandemia, as economias serão impactadas por mega tendências, como por exemplo, a digitalização, tendência essa que se tornou mais evidente com o aparecimento da pandemia. A pergunta que se coloca a nível do continente africano, é saber que países estão melhor preparados para enfrentar o cenário que está prestes a eclodir,  que opções e caminhos foram definidos para que África possa realmente perseverar.

É necessário operar o choque cultural das elites africanas sobretudo aquelas que estão fortemente ligadas à transformação social, como as políticas, académicas e empresariais, porque só com o aporte das mesmas, poderemos realizar o ajuste mental suficiente para realizar a transformação tecnológica. Daí, destacar as medidas de políticas que foram implementadas pelas economias avançadas, principalmente a nível da digitalização, um pouco por todo o mundo em que são visíveis os programas de apoio e fomento à digitalização das referidas economias, que querem ver implementada a tecnologia 5G.

O panorama das telecomunicações no mercado nacional sofreu alterações com a entrada do 3º operador móvel que já conquistou cerca de dois milhões de usuários, abrindo um campo de maior competitividade entre os operadores, e nesta perspectiva, aspectos como a qualidade dos serviços e educação têm maior visibilidade, portanto, a questão da fraca qualificação dos trabalhadores é um tema que se enquadra nos aspectos estruturais, só com uma força humana bem educada e qualificada se poderá vencer os desafios que se colocam aos países do ponto de vista da competitividade e aumento do nível de produtividade.

O sector das telecomunicações é alvo de aceleração tecnológica, com a alteração dos modelos de negócios e esperam-se resultados interessantes na economia e na vida dos cidadãos que irão experimentar novos serviços. Um dos obstáculos ao crescimento das empresas deste sector prende-se com a ineficiência da infra-estrutura, porque sem a adequação da mesma torna-se difícil aumentar a produtividade e competitividade. Para além de outros entraves, como os que se relacionam com as condições de negócios existentes, no geral as empresas africanas têm pago uma factura elevada com os custos indirectos derivados da obsolescência da infra-estrutura que  ronda os 30 por cento da estrutura de custos e este ónus retira-lhes a capacidade de se tornarem mais competitivas "esmagando brutalmente” as margens de lucro. A título de exemplo, podemos observar o peso excessivo que as mesmas incorrem em termos de custos de transporte, instalação, distribuição, em muitos casos incompatíveis com a rentabilidade esperada. Assim, é essencial apostar na melhoraria do ambiente de negócio e promover a captação de investimento estrangeiro, fora dos sectores tradicionais uma vez que nas últimas décadas o investimento estrangeiro dirigiu-se particularmente para o sector mineral, ignorando outras áreas de investimento com um potencial extraordinário de desenvolvimento.

 

* Economista

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