Cultura

Teatro em Cabinda procura conquistar público

Bernardo Capita | Cabinda

Jornalista

As artes cénicas em Cabinda, sobretudo o teatro, tem vindo a conquistar espaço, paulatinamente, nos últimos tempos, a julgar pelo número crescente de público que acorrem aos espaços onde os grupos têm actuado, destacou o encenador Francisco Ncasso.

27/04/2022  Última atualização 10H25
Encenador Francisco Ncasso elogiou o aumento de grupos © Fotografia por: José Soares | Edições Novembro | Cabinda

Em declarações ao Jornal de Angola, o director do grupo de teatro Nkondo Ikuta destacou que apesar de existir na província apenas sete colectivos, "há muito que está arte deixou de ser vista como uma acção promovida, pura e simplesmente para o entretenimento, mas sim um acto de sensibilização sobre o quotidiano”.

Para Francisco Ncasso, o aumento de público tem levado à um maior empenho dos colectivos locais. Entre os sete grupos locais, explicou, apenas o Nkondo Ikuta e o Apocalipse têm tido destaque na promoção de espectáculos.

O grupo Nkondo Ikuta, do qual é director,  foi criado há 20 anos. Desde 2014 tem realizado dois a três espectáculos por mês e tem convidado grupos de outras regiões do país, para se deslocarem a Cabinda para a realização de espectáculos, "no intuito de promover as artes cénicas”.

Composto por 17 elementos, o grupo Nkondo Ikuta  enfrenta muitas dificuldades para a realização de projectos, obstáculos que vão desde a falta de verbas e de equipamentos de luminotécnia e sonoplastia,  para a promoção eficiente de espectáculos.

"Esses equipamentos não são baratos. Já tentamos bater algumas portas mas não tivemos sucesso”, lamentou Francisco Ncasso, para acrescentar que o grupo, do pouco que arrecada dos espectáculos, não consegue suportar os encargos de produção.

"Nós já realizamos diversos espectáculos, mas o grande problema é que as receitas que fizemos são insuficientes para o nível de investimento que se quer”, reiterou o encenador, destacando que em cada espectáculo, o grupo, apenas consegue obter, em média geral, obter pouco menos de 100 mil kwanzas, numa razão de mil kwanzas por ingresso, valor insuficiente para fazer face as várias necessidades do grupo.

Quanto às salas de espectáculos, Francisco Ncasso disse que a província possui mínimas condições, mas o grande problema é o acesso a esses locais, tudo devido a concorrência. "O Centro Cultural Chiloango que em princípio é o local ideal para exibição de espectáculos tem sido muito concorrido uma vez que também alberga outras cerimónias nocturnas”, disse.

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