Economia

Taxa de penetração dos seguros pode atingir 5 por cento

A Agência de Regulação de Seguros (ARSEG) está a trabalhar para aumentar a taxa de penetração dos seguros, tendo como objectivo alcançar a taxa média dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) que varia dos 3 aos 5 por cento.

08/06/2021  Última atualização 10H40
Em 2018, o sector contava com cerca de 27 seguradoras e 81 mediadores de pessoas colectivas © Fotografia por: DR
Em entrevista ao Jornal de Economia & Finanças, o presidente do Conselho de Administração da ARSEG, Elmer Serrão, disse que a meta será alcançada por via de campanhas de comunicação e de literacia financeira.Disse que a razão da baixa taxa de penetração continua a ser a fraca cultura de seguros no país, tendo destacado que já está em curso algumas iniciativas com vista à mudança deste paradigma, entre as quais " o lançamento de uma campanha de comunicação e literacia financeira que tem estado a decorrer na imprensa e nas plataformas sociais, a realização de webinares sobre os mais variados temas ligados ao sector e, mais recentemente, a realização da primeira edição do Prémio Fernando Aguiar, iniciativa que visa laurear os melhores trabalhos académicos com relevância prática para o mercado segurador”.
Mercado promissor

O Estudo Sobre o Sector Segurador dos Fundos de Pensões em Angola 2014 – 2018, publicado pela ARSEG, em 2018 o sector contava com 27 seguradoras, 81 mediadores de pessoas colectivas e 776 mediadores de pessoas singulares.Para o PCA da ARSEG, a diminuição do número de seguradoras foi resultado da dissolução voluntária dos accionistas (AAA Seguros, SA), da caducidade da licença de autorização (GLINN Seguros, SA e Mandume Seguros, SA) e da Revogação da autorização de constituição (MEU Seguros, SA e da Garantia Seguros, SA.).Até agora, a ARSEG desconhece o volume de prémios alcançados em 2020, mas Elmer de Sousa Serrão informou que a instituição publicou o Aviso nº1/2020 sobre as Informações Obrigatórias e Periódicas das Seguradoras, que actualiza os modelos e períodos para a prestação de informações à ARSEG. 

"Esse factor, associado ao facto das instituições não estarem a funcionar com o total de força de trabalho não permitiu recepcionar as informações de todos os operadores”, indica.Elmer Serrão disse que, o sector não tem constatado decréscimo das contribuições dos fundos. A título de exemplo, contou, durante o período de 2019, verificou-se que o valor global das contribuições cresceu cerca de 153 por cento, em relação ao ano de 2018.Quanto ao Fundo de Garantia de Automóvel (FGA), durante o ano passado, recepcionou 27 participações de sinistros, provenientes das províncias de Benguela, Moxico, Cabinda, Bié, Malanje e Huíla, e da qual procedeu à abertura dos processos, por se enquadrarem no âmbito das atribuições do Fundo.

"No primeiro trimestre do corrente ano, o FGA recepcionou três novos pedidos de indemnização por morte e lesões corporais, tendo encerrado um processo com o pagamento do respectivo reembolso de despesas de funeral e os restantes encontram-se em tratamento”, anunciou.No que diz respeito à captação de negócios, o PCA da ARSEG disse que esta é tarefa das seguradoras e não do regulador, mas adiantou que "aos olhos” do regulador ainda existe muita matéria segurável.

"Cabe aos operadores desenvolverem produtos que vão de encontro às necessidades dos consumidores”, sublinha.Sobre os fundos de pensões, estão autorizadas oito entidades gestoras, das quais quatro são seguradoras autorizadas a gerir fundos de pensões e quatro sociedades gestoras de fundos de pensões. "Essas entidades, em conjunto, gerem 35 fundos de pensões, dos quais nove são fundos abertos e 26 são fundos fechados”, informou.
Crescimento considerável
Apesar da crise pandémica, o mercado segurador angolano continua a verificar um crescimento considerável em termos de prémios de seguros num valor aproximado de 23,5 por cento relativamente ao ano anterior, sendo os ramos da Saúde, petroquímica e acidentes de trabalho e automóvel "os que têm mais pesos na carteira”.No que toca às medidas de mitigação, a ARSEG recomendou as empresas a im-plementarem medidas necessárias para garantir a continuidade do respectivo negócio e a manutenção dos serviços prestados aos tomadores de seguros, participantes e beneficiários.

"Consideramos fundamental que, no contexto actual, em que permanece uma elevada incerteza e volatilidade sobre os impactos actuais e futuros da Covid -19, as empresas de seguros adoptem as medidas necessárias para preservar o seu nível de fundos próprios, incluindo políticas de distribuição de dividendos e de rendimentos prudentes”, aponta.

A ARSEG, avançou, realizou um estudo e produziu um memorando que serviu de base para o processo de criação da "Ango Re”, cujo processo foi remetido ao  Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), que tem a competência de avaliar a perspectiva económica e financeira, assim como a viabilidade do projecto e propor ao Governo a efectivação ou não do projecto.

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