Economia

Taxa de electrificação ascende a 50 por cento em três anos

Victor Mayala | Soyo

Jornalista

O Ministério de Energia e Águas projecta elevar a taxa de acesso à electricidade do país para 50 por cento, até 2025, mais 7,2 pontos percentuais que os actuais 42, 8 por cento, num universo de 33 milhões de habitantes, declarou, esta segunda-feira , no Soyo, o titular da pasta.

28/06/2022  Última atualização 09H49
Ministro da Energia e Águas fala à imprensa à margem do 12º Conselho Consultivo do pelouro © Fotografia por: Adolfo Dumbo | Edições Novembro | Soyo

João Baptista Borges falava no 11º Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas, que encerra, hoje, naquele município da província do Zaire, indicando que para a elevação da taxa de acesso á electricidade, é necessário que se interliguem as regiões Sul e Leste na rede nacional, integrando sete províncias, além da continuação da expansão pelo interior do território.

"No dia 13 de Maio de 2022, na província do Huambo, foi inaugurada a subestação eléctrica de 400/220/60 kV, do Belém, que vai permitir interligar o Centro e o Sul do país e, de igual modo, electrificar os municípios do Huambo e do Bié, poupando mais de 100 milhões de litros de combustíveis que, antes, eram utilizados para manter as centrais térmicas a funcionar”, lembrou o ministroi.

João Baptista Borges acrescentou que foram concluídas, recentemente, obras de electrificação em diversas localidades do país, como são os casos de Calulu e Quibala, no Cuanza-Sul, onde se efectuaram 9.600 e 2.300 ligações, respectivamente.

Trabalhos idênticos foram realizados no Buco Zau, em Cabinda, com 2.142 clientes ligados à rede, Caála, no Huambo, com quatro mil novos clientes, Chitembo, no Bié, seis mil ligações, bem como a electrificação do município de Cangandala e bairros periféricos da cidade de Malanje, num universo de 30 mil beneficiários.

O ministro de Energia e Águas frisou que, nos últimos cinco anos, foram feitos progressos notáveis no domínio da geração de energia eléctrica, o que permitiu incrementar a capacidade de produção cerca de duas vezes e meia, para seis mil megawatts.  

"Isto foi possível com a construção da Central Hidroeléctrica de Cambambe e a Central do Ciclo Combinado do Soyo. Com estes empreendimentos, a matriz energética passou a ser de 60 por cento hídrica e 40 térmica, ou seja, a maior parte de energia que o país produz é de fontes limpas ,e até 2025, com a conclusão de Caculo Cabaça e  dos parques solares previstos, essa capacidade será de oito mil megawatts, elevando a contribuição de fontes na matriz energética limpa para 72 por cento”, disse.

O responsável frisou que o objectivo do sector é o de diversificar a matriz energética do país, com a introdução de mais fontes de energias limpas e endógenas, com destaque para a solar e a hídrica e a redução do uso dos combustíveis fósseis.

"Devemos, também, prestar atenção às novas tecnologias para garantir a eficiência energética, incluindo as redes inteligentes ou smart grids”, referiu, sublinhando que o país tem dado, nos últimos tempos, passos significativos na utilização e aposta num recurso que há em abundância, que é o Sol, dispondo de uma radiação global em plano horizontal média compreendida entre 1.370 e 2.100 quilovolts por ano.

 

Dimensões continentais

O ministro lembrou que, no domínio das energias renováveis, estão em curso projectos em seis regiões do país, designadamente, no município da Baia Farta, com 96,7 MW, e na comuna do Biopio, 188.8 MW, sendo este último o maior projecto solar da África Subsariana.

Outros projectos decorrem, também, no Bailundo (Hu-ambo), com 17,9 MW, Cuito (Bié), 15,6, Luena (Moxico), 29,9, Lucapa (Lunda-Norte), 8,19, e Saurimo (Lunda-Sul) 26,9. João Baptista Borges disse tratar-se de projectos de uma dimensão que coloca Angola na vanguarda continental em energias renováveis.

"A nossa estimativa é que essa energia eléctrica beneficie cerca de 1,2 milhões de  famílias e cerca de 6,2 mi-lhões de habitantes, para além de reduzir os gastos da população e dos órgãos da Administração Pública local na utilização de pequenos e grandes geradores.

Servirá, igualmente, para impulsionar actividades em diferentes domínios, desde a educação e saúde, ao exercício de actividades comerciais”, adiantou. 

Com o objectivo de atrair o investimento privado no processo de electrificação do país, dada a vastidão do território e a considerável dispersão da população (com excepção da zona litoral), o governante disse estarem em construção linhas de transporte de energia para a interligação de todo o Sistema Eléctrico Nacional e, projectos de expansão aos países fronteiriços.

Destacou as linhas de muito alta tensão entre Huambo e Lubango, Gove e Matala, Gove e Menongue, Lubango e Namibe, bem como  Malanje e Xamuteba.

O governador do Zaire, Pedro Makita Júlia, lembrou, na ocasião, que as populações que vivem nas comunas e aldeias, onde ainda não há os serviços de energia e água, esperam por soluções deste departamento ministerial.

"Todos os municípios têm subestações eléctricas, mas são muitos, ainda, os habitantes que não beneficiam destes investimentos, por falta de postes de transformação e outros componentes. O abastecimento de água potável é também ainda crítico. Com o Programa Integrado de Intervenção nos Municípios e outros programas não menos importantes do Executivo, temos, em alguns municípios, pequenos furos de água, para suprir algumas necessidades”,     

 O 11º Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas decorre sob o lema "Água e Energia: crescimento Económico e Progresso Social”.


Obras em curso nas 18 províncias
Empreitadas de águas à altura dos desafios


O ministro de Energia e Águas, João Baptista Borges, admitiu, ontem, na abertura do 12º Conselho Consultivo do sector, que os desafios no domínio das Águas "são incomensuráveis e exigem esforços consideráveis”, com o que estão a ser construídos e reabilitados, sistemas de abastecimento de água potável nas 18 províncias do país.

"As empreitadas incluem a captação, adução, transporte, distribuição e tratamento”, disse, apontando o caso de Cabinda, onde "o sistema de abastecimento de água, em fase de conclusão, vai beneficiar cerca de 600 mil habitantes nesta região”, havendo operações de considerável magnitude em Ndalatando e de Malanje, onde decorrem obras de construção de novos sistemas para o reforço das capacidades actuais.

"No caso da capital do Cuanza-Norte, prevê-se abastecer, depois das obras, cerca de 150 mil pessoas, ao passo que, em Malanje, o número ronda os 200 mil habitantes, sem esquecer as outras obras em curso nas províncias do Cunene, Uíge, Huambo, Dundo, entre outras”, referiu o ministro.

No âmbito do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), prosseguiu, estão em conclusão os sistemas municipais de Cangandala, Quela, Tchicala Tcholoanga, Tchinjenje, Chitembo, Ecunha, Maquela do Zombo e Ondjiva.

Além disso, acções estruturantes de combate aos efeitos da seca no Sul do país estão em curso no Cunene, Namibe e Huíla, lembrou João Baptista Borges, afirmando que, na sequência das orientações do Presidente da República, João Lourenço, foi elaborado o programa PCESSA, com execução prevista de 74 meses e investimentos de 4,5 mil milhões de dólares.  

Está identificado um conjunto de acções a serem executadas nas referidas províncias, nomeadamente a construção, no Cunene, de duas barragens de terra na localidade de Calucuve e outra na de Ndué, na bacia hidrográfica de Cuvelai.

Ainda no Cunene, deve iniciar, no presente ano, a construção do projecto da margem direita do rio do mesmo nome, que permitirá o fornecimento de água às localidades do Chitato, Cahama, Otchinjau e Oncocua, no município do Curoca.

Na província da Huíla estão identificados os projectos de construção da Barragem Em-bala do Rei e Barragem 4, no rio Caculovar, bem como a construção de 25 poços de águas subterrâneas no aquífero da Chela, incluindo as estações de bombagem e tratamento de agua, com o Namibe a contar seis novas barragens de retenção de água, nas localidades de Bentiaba, Bero, Carujamba, Inamangado, Giraúl e Curoca.


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