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Talibãs culpam comunidade internacional pela crise económica

O regime talibã afegão acusou hoje a comunidade internacional de conduzir o Afeganistão a uma das piores crises económicas e humanitárias da sua história e apelou aos países muçulmanos para reconhecerem o poder em Cabul.

19/01/2022  Última atualização 20H04
© Fotografia por: DR

Naquela que foi a primeira conferência de imprensa de cariz económico desde que os talibãs chegaram ao poder, em agosto de 2021, o primeiro-ministro interino afegão, Mohammad Hassan Akhund, acusou a comunidade internacional por não ter prestado uma "assistência fundamental” ao país asiático durante as duas últimas décadas de conflito.

"Nos últimos 20 anos, a comunidade internacional não deu assistência fundamental para [a criação de] uma economia sustentável no Afeganistão”, argumentou Akhund, que acusou ainda a comunidade internacional de "precipitar a crise económica e humanitária no Afeganistão ao suspender os fundos para a reconstrução do país após a captura de Cabul, a 15 de Agosto de 2021.

Nesse sentido, Akhund pediu aos países islâmicos que reconheçam o Governo talibã, pois considera que o país cumpriu "todas as condições necessárias” de segurança.

"Peço aos países muçulmanos que sejam pioneiros e nos reconheçam oficialmente. Espero que possamos desenvolver-nos rapidamente”, afirmou.

Diante do temor de que uma possível retoma da ajuda internacional, que financiou quase 80% do orçamento afegão, acabaria por beneficiar o regime, o primeiro-ministro interino insistiu em distinguir o Governo de Cabul do povo afegão.

"Nós (o Governo), não queremos a ajuda de ninguém. Não queremos isso para os responsáveis [do regime]. Precisamos disso para o nosso povo”, argumentou, salientando que os talibãs "cumpriram” as condições para o reconhecimento, trazendo de volta a paz e segurança.

Pouco mais de cinco meses depois de os talibãs tomarem o poder em Cabul, nenhum país reconheceu ainda o Governo talibã.  

A comunidade internacional aguarda para ver como os fundamentalistas islâmicos pretendem governar o Afeganistão, depois de terem amplamente desrespeitado os direitos humanos na sua anterior passagem pelo poder (1996/2001).

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