Economia

TAAG aumenta número de voos internacionais

A Taag preparou-se para a lidar com a elevada procura de serviços que se regista nesta altura do ano, considerada de “período de pico” no jargão da aviação comercial, de acordo com declarações prestadas ao Jornal de Angola pelo director de Operações de Terra e o subdirector da Rede de Planeamento de Frota, Hélio Soma e Alípio Azevedo, respectivamente, numa entrevista em que falaram dos novos desafios da companhia, num momento em que Angola se torna numa placa giratória da aviação continental.

23/12/2019  Última atualização 10H28
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Alípio Azevedo notou que a Taag tem quatro épocas consideradas de “pico” por ano, uma em Fevereiro, por causa do Carnaval, outra entre Março e Abril, com a Páscoa, o intervalo para férias em Agosto, que abrange os meses de Junho a Setembro e o Natal e o Ano Novo, algo que se reflecte numa elevada procura por serviços da companhia de bandeira. 

“Temos, nesta altura, uma procura alta, mas controlada, pois estamos a conseguir servir tudo aquilo que nos é proposto”, sublinhou Alípio Azevedo, adiantando que a Taag está a operar com cinco voos extras para o Porto (Portugal), mais para “desafogar” a procura de passageiros “corporate”, como os trabalhadores de empresas de construção.
Revelou que também foi feito um voo extra para São Tomé, realizado hoje, já que, aí, a procura também é elevada, enquanto nas rotas domésticas, foi projectado um para Cabinda, que foi vendido em tempo considerado recorde.
“É caricato: esse voo foi introduzido terça-feira às 10h00 e, às 14h00, estava todo vendido”, notou, reconhecendo “limitações” ligadas ao reduzido número de aeronaves e um programa comercial de Inverno (no hemisfério Norte) a cumprir.
O subdirector de Rede de Planeamento de Frota indicou que os voos da Taag registam, em média, uma taxa de ocupação acima de 90 por cento. “Temos voos de Lisboa totalmente cheios, sobretudo na classe económica, enquanto nas mais altas (primeira e executiva), sobretudo na primeira, é mediana”, sublinhou.
Referiu que, nos voos regionais, o nível de ocupação dos aviões da Taag mantém-se alto, sendo que para a Cidade do Cabo, África do Sul, haverá operações diárias até 15 de Janeiro, voltando depois às quatro frequências. “A ocupação é, também, boa na nossa perspectiva comercial”, disse Alípio Azevedo.
Para São Paulo (Brasil), a ocupação está acima da média, mais agora que o tráfego que existia para o Rio de Janeiro foi condensado para aí, “com o devido ‘escape’ que foi montado pela Taag, para fazer o passageiro chegar até ao destino final.”

Receitas diversificadas
Apesar da venda de bilhetes de passagem ser a principal fonte de receitas na aviação, na Taag, foi adoptada uma estratégia no segmento do transporte de bagagem, que tem vindo, progressivamente, a permitir um maior encaixe financeiro. “Melhorámos muito mesmo, obtendo bons resultados com a bagagem, sendo já um dos itens que tem trazido significativas receitas extraordinárias para a Taag: temos que diversificar”, adiantou Alípio Azevedo.
O director de Operações de Terra completa: “num voo muito característico, para Cabinda, temos 240 volumes, para 120 passageiros, já que, em média, cada passageiro leva três volumes. Esse é um dos voos que mais trafegamos em termos de bagagem”, disse, acrescentando que aquela cidade é considerada a rota com a “alta intensidade” de bagagens, que chega a cerca de 900 nos três voos diários, sem incluir as três ou quatro toneladas de carga.
Hélio Soma revelou que, normalmente, há pouca bagagem nas saídas de Luanda, já que os passageiros trazem mais coisas no regresso, sobretudo nas rotas intercontinentais. “Do exterior, temos recebido, por voo, entre seis a dez contentores de bagagem, com 35 volumes cada, totalizando de 350 a 400 volumes, sobretudo do Porto e Lisboa”, sublinhou.

Aumento de passageiros
Os aviões da Taag transportaram, entre Janeiro a Outubro deste ano, 1.307.794 passageiros, 498.421 dos quais nas rotas intercontinentais (Lisboa, Porto, Havana, São Paulo e Rio de Janeiro - este, foi descontinuado em Outubro) e 338.211 nas regionais (Windhoek, Joanesburgo, Cidade do Cabo, Harare, Maputo, Lusaka, Brazzaville, São Tomé, Kinshasa e Sal), segundo dados avançados pelo subdirector de Rede de Planeamento de Frota.
Nas rotas domésticas (Lubango, Huambo, Catumbela, Luena, Namibe, Menongue, Cuito, Soyo, Saurimo, Ondjiva, Dundo), voaram pela Taag, 471.162 passageiros, números que fazem as delícias da companhia, já que representam um crescimento à volta de 3,00 por cento em relação ao período homólogo do ano anterior.
A Taag espera continuar a crescer a nível do transporte de passageiros, sobretudo a partir de 2020, com a chegada das aeronaves do tipo Dash400, da canadiana Havillland Aircraft. “Aí, teremos o equipamento certo para o mercado doméstico”, sublinhou Alípio Azevedo.

Operações de terra
O director de Operações de Terra referiu que a gestão é feita ao detalhe, indicando que a Taag está certificada com as normas IOSA, da Associação Internacional dos Transportes Aéreos (IATA, sigla inglesa), com o que “temos níveis de segurança e ‘standard’ a nível da aviação internacional, aceites pela Europa e o resto do mundo.”
Hélio Soma disse que tal implica planeamento e que para a “época de pico” de Dezembro, por volta de Maio e Junho, as operações começam a ser preparadas com a verificação da situação dos funcionários, horários e turnos para enquadrar o número elevado de passageiros que se podem apresentar nos terminais domésticos e internacionais, além dos voos extras.
“O planeamento é em conjunto com a equipa comercial, para vermos quais os melhores horários, porque temos informação de companhias não angolanas que também utilizam o aeroporto de Luanda, que só tem quatro portas de embarque”, explicou.
Normalmente, a Taag só usa duas, a quatro e a três, embora nos dias de tráfego mais intenso (segunda, quarta, sexta-feira e domingo), há, pelo menos, 1.200 passageiros, o que representa muita pressão, sublinhou, destacando a “ginástica grande” como o planeamento para dar uma vazão o mais rápido possível e com qualidade aos passageiros.
“O trabalho começa muito antes, o ‘pico’ não nos assusta, porque é o habitual da época e da empresa. Sabemos que temos agora o ‘pico’ em Luanda entre os dias 15 e 26 de Dezembro, com chegadas de Lisboa e Porto. Lá para os dias 15 e 16 de Janeiro, começamos a operar o ‘pico’ de Fevereiro, para o Carnaval, para as Américas, enfim, é um trabalho contínuo”, referiu Hélio Soma.
Reconheceu melhorias no cumprimento, pelos passageiros, dos horários de chegada aos balcões dos aeroportos. “O que acontecia muitas vezes (e os nossos passageiros já melhoraram muito), era a consciência no cumprimento dos horários. Se, normalmente, quando as pessoas viajam numa época baixa, chegam ao aeroporto uma ou duas horas e meia antes e há pouca gente, conseguem fazer o ‘check-in’ sem sobressaltos, ao contrário da época de ‘pico’, com o avião a ter uma taxa de ocupação dos 95 a 98 por cento. Pode ter algum constrangimento”, advertiu.
O director de Operações de Terra acrescenta, no entanto, que para eventuais conflitos gerados pela chegada tardia ao balcão da Taag, existem equipas preparadas, que “chamam os passageiros nas filas para garantir que não fiquem, um trabalho muito bem coordenado com o aeroporto e o Serviço de Migração e Estrangeiros.”
Insistindo na tecnologia, Hélio Soma referiu que toda a bagagem é scaneada, um sistema instalado esse ano, mas admitiu eventuais casos de soltura de etiqueta, ficando a bagagem na base Luanda, onde ao fim de três meses é destruída, se não for reclamada.

Preços são “justos” e competitivos

O subdirector de Rede de Planeamento de Frota da Taag reafirmou a aposta nos preços competitivos. “A época alta assim o permite e a companhia prepara-se, com bastante antecedência, para lidar com a procura anormal pelos nossos serviços nesta altura do ano”, afirmou.
A estrutura da companhia está toda envolvida na recepção dessa procura, com o aumento dos turnos, pessoal e voos extras, acrescentou Alípio Azevedo, que afastou um cenário de venda de bilhetes promocionais. “Não se justifica, nessa época, a venda de bilhetes promocionais. A situação económica do país não ajuda e isso penaliza toda a gente, até porque já viemos de uma promoção, de Outubro até 8 de Dezembro, quando vendemos bilhetes a preços extremamente acessíveis”, argumentou.
O funcionário da Taag considerou que os preços “são justos” e que, na companhia, há mesmo surpresa, pois continua-se a assistir a uma taxa de ocupação dos voos acima da média.

Extravio de bagagens na TAAG dentro dos padrões da indústria

Hélio Soma admitiu que “há sempre” reclamações de passageiros pelo extravio de bagagem, mas disse que a companhia está dentro dos padrões na indústria de aviação. “Há uma maneira de medir essas reclamações. A média mundial ronda os 3 e 5 por cento, por mil passageiros, e a Taag está com 3,5 por cento, o que significa que estamos dentro do padrão da indústria”, explicou.
Adiantou que a Taag tem instalados sistemas electrónicos para identificação de qualquer bagagem que não tenha chegado ao destino. “Se a bagagem, por algum motivo, ficou em Luanda, ao chegar ao destino, o passageiro deve abrir uma reclamação que é posta no sistema, que o repassa para todas as nossas escalas da Taag, para a identificação”, referiu.
Acrescentou que, a escala que identificar a bagagem, por exemplo, em Luanda, confirma por mensagem a localização e, em sete dias, no máximo, é enviada ao destino. “Normalmente, conseguimos resolver em três dias essa situação, mas, em termos de procedimento, são sete dias de procura de bagagem”, disse.
À pergunta sobre os procedimentos num eventual desaparecimento definitivo de bagagem, o director de Operações em Terra recordou a regulamentação internacional: “Depois de sete dias de procura de bagagem, damos até 21, para darmos perda total. Depois disso, se não conseguirmos encontrá-la e entregarmos ao passageiro, damos início ao processo de indemnização, de acordo com o peso que tinha a bagagem, já um peso estipulado em termos de regulamento”, adiantou.
Advertiu para a necessidade de o passageiro segurar a bagagem para proteger bens de alto valor monetário ou emocional. “O passageiro, ao comprar um bilhete, deve explicar que tem um bem com alto valor que, em caso de perda total, deve ser coberto pelo seguro, além da indemnização da companhia”, avançou, alertando para a observância das recomendações disponíveis no “websiste” da Taag.


Rodoviárias testam estratégias para 2020

As transportadoras rodoviárias com rotas interprovinciais TCUL e Macon apostaram nas operações da época de Natal e Ano Novo, com a primeira a elevar as tarifas a 500 kwanzas ainda a 27 de Novembro e a segunda a mantê-las, depois de um reajuste sobre os preços das rotas que tinha em promoção desde Agosto.
As tarifas elevadas pela TCUL dizem respeito às rotas que partem de Luanda para o Huambo, Soyo e Uíge, ao que se associa um aumento da frota de autocarros, fazendo com que a cidade do Planalto Central beneficie, na quadra festiva, de quatro viagens por dia, uma de manhã e três no período nocturno.
Essa informação foi prestada à nossa reportagem pelo chefe de sector da agência da TCUL no Grafanil, em Luanda, Mário Paim, que indicou que os preços foram reajustados depois de um estudo feito no mercado de transportes interprovinciais.
As decisões da companhia são tomadas em vésperas da adopção de novas estratégias operacionais, já no início de 2020, o que inclui novas regras que separam a bagagem de mão da mercadoria. “Vamos separar a bagagem de mão das mercadorias comerciais: o angolano gosta de viajar com muita carga”, explicou Mário Paim.
A Macon não aumentou os preços, apesar de ter reajustado os valores cobrados nas rotas que estiveram em promoção desde o mês de Agosto de 2019, as quais partem de Luanda para Malanje, Soyo, Luvo, Mbanza Kongo, Maquela do Zombo e Uíge.
Desde os últimos dias de Novembro, de acordo com o director Comercial da Macon, Armando Macedo, a operadora regista reservas antecipadas de bilhetes, principalmente de clientes assíduos que programaram a passagem do Natal e do Ano Novo fora das localidades onde vivem, um movimento que impulsiona o sector do turismo interno.
A Macon vai introduzir 62 novos autocarros a partir de 2020: 12 vão reforçar a frota da linha internacional para a República Democrática do Congo (RDC) e 40 para reforçar as rotas nacionais que contam, actualmente, com 700 autocarros em circulação e cerca de três mil trabalhadores.
Já a transportadora Ango-Real, que cruza boa parte do país, considera que o negócio tem sofrido com as dificuldades económicas que afectam as famílias angolanas e que as reservas de bilhetes têm sido mais baixas do que o esperado.
“As coisas não estão a correr como nos anos anteriores”, declarou o gerente do balcão do bairro São Paulo, em Luanda, Hamede Shecqui.

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