Economia

Sustentabilidade dos oceanos marca agenda da Comunidade em Luanda

Ana Paulo

Jornalista

As áreas oceânicas dos países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que representam uma fonte de recursos fundamentais para o desenvolvimento sustentável e para a economia destes estados, particularmente para as comunidades costeiras, perfazem 7,5 milhões de quilómetros quadrados.

25/05/2022  Última atualização 06H45
© Fotografia por: Luís Damião | Edições Novembro

Nesse quadro, a secretária de Estado das Pescas, Esperança da Costa, que falou na abertura da quinta Reunião de Ministros dos Assuntos do Mar da CPLP, evidenciou que a gestão adequada dos recursos contribui para a estabilidade das nações e para o fortalecimento das relações entre os países que constituem a CPLP.

"Devemos desenvolver esforços redobrados, para um crescimento económico resiliente e inclusivo, com monitorização permanente no reconhecimento e valorização do nexo oceano, clima e conservação da biodiversidade”, indicou.

Para já, 90 por cento dos bens universalmente negociados, que chegam aos mercados e ao consumidor final, é transportado por via marítima, quando, segundo a se-cretária de Estado das Pescas, três milhões de pessoas dependem dos oceanos para a sua alimentação, "sendo visível a relevância dos oceanos na manutenção da vida humana”.

Segundo a titular da pasta das Pescas, o mundo reconhece a importância vital do oceano para os seres vivos, para a sobrevivência humana, que depende da preservação destas massas de água, que cobrem cerca de 50 por cento do oxigénio que o ser vivo precisa para viver. O oceano é ainda responsável pela absorção de cerca de 30 por cento dos gases de efeito estufa, servindo de tampão ao aquecimento global e às alterações climáticas.

Tendo em conta esses aspectos e fruto da forte pressão e exploração desenfreada que sofrem os oceanos, Esperança da Costa reconhece que o mundo enfrenta hoje grandes desafios globais, com realce nas alterações climáticas, exploração de recursos naturais, acidificação das águas, declínio da biodiversidade, perda de habitats, entre outros elementos, que ameaçam a resiliência dos oceanos. "Estes fenómenos têm grande impacto na pesca e colocam em risco a sustentabilidade da economia”, frisou.

 

Recursos marimhos

Quanto à gestão dos recursos marinhos, Esperança da Costa reconheceu que, com a presença dos ministros dos Assuntos do Mar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa em Angola, é possível, "juntos”, encontrar as melhores medidas para o desenvolvimento da economia do mar, com base na valorização dos recursos, criação de empregos e aposta em novas tecnológicas e inovação.

Outras valências, destacou, é o desenvolvimento da digitalização ao serviço da economia marítima, da aquacultura a biotecnologia, das energias marítimas renováveis oceânicas, além da mineração e turismo náutico, que servem para o alcance do bem-estar dos membros da CPLP.

"Nenhum país consegue desenvolver sozinho acções tendentes a responder a agenda de desenvolvimento sustentável”, reconheceu Esperança da Costa, que destacou, a CPLP como pioneira na questão dos oceanos, que colocou na sua agenda, como prioridade, os assuntos do mar.

Por sua vez, o director da Cooperação da CPLP, Manuel Clarote Lapão, destacou que  a quinta Reunião dos Ministros para os Assuntos do Mar serve para a afirmação da estratégia e geopolítica da comunidade e Estados membros, para o desenvolvimento sustentável inclusivo.

Em 2010, segundo esclareceu, os ministros do Mar aprovaram a estratégia da comunidade para os oceanos, um momento importante, por ter sido introduzido o desenvolvimento sustentável enquanto princípio e política a seguir.

"O oceano é um dos mais fortes elementos identificados na CPLP e constitui uma fonte importante para o desenvolvimento sustentável da economia, contribuindo também para o crescimento das relações entre países”, realçou Manuel Clarote Lapão.

A quinta Reunião de Ministros dos Assuntos do Mar da CPLP terá a duração de três dias. A mesma decorre sobre o lema "Mobilizar parcerias e investimentos para o  desenvolvimento sustentável dos Mares dos Estados Membros da CPLP, desafios e oportunidades”.

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