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Sudão: Manifestantes bloqueiam estradas na capital do país

Manifestantes pró-democracia bloquearam hoje estradas na capital do Sudão com barricadas improvisadas e pneus queimados, um dia depois de os militares terem tomado o poder num golpe militar inesperado, amplamente condenado pela comunidade internacional.

26/10/2021  Última atualização 12H48
© Fotografia por: DR

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá discutir hoje a situação no país, numa reunião à porta fechada.

A tomada do poder ocorreu após semanas de tensões crescentes entre líderes militares e civis sobre o percurso e a que ritmo que deveria prosseguir o processo de transição no país, iniciado com o derrube do ditador Omar al-Bashir em abril de 2019.

Vários governos ocidentais e as Nações Unidas condenaram o golpe e apelaram à libertação do primeiro-ministro, Abdalla Hamdok, e de outros ministros e altos funcionários, detidos na segunda-feira e que se encontram em paradeiro desconhecido.

Os Estados Unidos anunciaram a suspensão de 700 milhões de dólares em ajuda de emergência ao Sudão.

Mariam al-Mahdi, ministra dos Negócios Estrangeiros do governo que os militares dissolveram, desafiou hoje o poder concentrado nas mãos do tenente-general Abdel-Fattah al-Burhan, declarando que ela e outros membros da administração Hamdok continuam a ser a autoridade legítima no Sudão.

"Ainda estamos nas nossas posições. Rejeitamos o golpe e as medidas inconstitucionais", afirmou à agência Associated Press por telefone a partir da sua casa em Cartum. "Vamos continuar a desobediência pacífica e a resistência", reforçou.

Horas depois da detenção de Hamdok, da sua mulher e de vários responsáveis políticos e altos responsáveis da administração pública, a população inundou as ruas da capital, Cartum, e de outras cidades em protesto.

Pelo menos quatro pessoas foram mortas e mais de 80 feridas em resultado de as forças de segurança terem aberto fogo sobre os manifestantes, segundo o Comité dos Médicos Sudaneses, citado pela AP.

Esta manhã, os manifestantes permaneciam nas ruas de Cartum e da cidade gémea de Omdurman, a norte da capital sudanesa, onde muitas estradas foram bloqueadas.

As temidas Forças de Reacção Rápida patrulharam os bairros de Cartum, em perseguição dos manifestantes, segundo a agência de notícias. A organização não-governamental Human Rights Watch citou hoje relatos de manifestantes que dizem terem sido recebidos com munições reais quando protestavam junto ao quartel-general do exército em Cartum na segunda-feira.

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