Economia

Standard & Poor’s admite excedente de 5 por cento

A agência de notação financeira Standard & Poor’s comunicou, esta segunda-feira, que Angola deve registar um excedente orçamental primário acima de 5,00 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mas alertou para o forte aumento dos pagamentos de dívida a partir de 2023.

17/05/2022  Última atualização 08H30
© Fotografia por: DR

"Graças ao actual nível elevado dos preços do petróleo, estimamos que Angola registe um excedente orçamental primário [sem contar com os juros] acima de 5,00% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022, o segundo melhor em África; isto vai ajudar a aliviar as preocupações de curto prazo sobre a liquidez, mas notamos que os pagamentos de dívida externa vão aumentar significativamente a partir de 2023, quando os acordos de reestruturação da dívida com dois bancos chineses terminarem”, refere a Standard & Poor’s.

Em declarações à Lusa, no seguimento de um relatório sobre a capacidade dos bancos africanos absorverem o choque da guerra na Ucrânia, a analista de crédito Giulia Filocca disse que "o sistema bancário de Angola é mais pequeno que a média africana e as contas dos bancos estão relativamente sobrecarregadas de dívida soberana”.

A emissão de dívida pública no mercado interno tem sido uma das apostas do Governo angolano, para evitar endividar-se no mercado internacional, procurando não só estimular o próprio mercado interno, como, também, "fugir” ao pagamento dos juros de quase 10% exigidos pelos investidores internacionais.

Ainda assim, Giulia Filocca diz que "as taxas de juro reais são elevadas em Angola, reflectindo o ambiente da inflação ainda elevada e os significativos prémios de risco exigidos pelos investidores nacionais”. Os pagamentos de juros, face à dívida emitida, ocupam mais de 20 por cento de toda a receita angariada por Angola, acima da média africana, observou.

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