Cultura

Sons da lusofonia “invadem” recinto da Expo

O “Lusofonia Festival” que se realiza entre os dias 14 e 16 deste mês, no palco do Isha Prayer Time, na Expo Dubai 2020, com a actuação de músicos dos países de Língua Portuguesa, com destaque para a cantora angolana Ary, é um dos momentos ímpares da divulgação da cultura lusófona.

06/10/2021  Última atualização 08H50
Pavilhão nacional tem recebido inúmeras visitas depois da inauguração oficial, devido à diversidade temática apresentada © Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro | dubai
Angola vai participar no festival, além de Ary, com os músicos Calabeto, Daniel Nascimento, Marília Alberto, Nanutu e Nelo Carvalho. A caravana artística nacional inclui ainda os artistas plásticos Guilherme Mampuya e Andreia Gambôa.

A participação angolana no "Lusofonia Festival” vai ser, ainda, enriquecida pelo elenco artístico residente no pavilhão de Angola na Expo Dubai, nomeadamente a banda Ngola, o Duo Angola Classical, Gelson Castro, Heróide, Kina ku Moxi e Sara Saka.

Durante os três dias de festival, além dos angolanos, vão desfilar no palco do Isha Prayer Time, o cabo-verdiano Tito Paris, o grupo vocal feminino português Sopa de Pedra e o fadista Marco Rodrigues, o grupo de Danças Ocultas, de Portugal, o General João Seria e o duo Filipe Santo & Olinda Beja, de São Tomé e Príncipe, Jomalu, de Moçambique, o trio Guiné-Bissau, formado por Patchi Di Rima, Rui Sangará e Atanásio Hatchuen, e a banda Cores de Aidê, do Brasil.

Os artistas plásticos angolanos Guilherme Mampuya e Andreia Gambôa vão mostrar criatividade, pintando ao vivo, desde o início até ao fim dos espectáculos. De acordo com Kayaya Júnior, da organização, a participação angolana na "Lusofonia Festival” vem reforçar o princípio da irmandade e fraternidade entre os países de Língua Portuguesa, homenageando, igualmente, os 25 anos da  Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no ano em que Angola assume a presidência.

Para Kayaya Júnior, o festival é mais um contributo para a divulgação deste idioma, aparentemente desconhecido, mas falado na Europa, África, América e Ásia, constituindo verdadeiras pontes de união entre estes povos.

"A Língua Portuguesa tem sido um factor de unidade nos países onde é adoptada como língua oficial, independentemente dos diferentes idiomas nacionais já existentes e que continuam a desenvolver-se como um excelente património cultural”, disse, acrescentando que "Amílcar Cabral, um valoroso intelectual africano, considerou a Língua Portuguesa como das melhores heranças deixadas pelo colonizador, ao permitir não só a comunicação entre grupos étnicos diferentes, mas ao mesmo tempo facilitar a unificação do ensino”.

A Expo Dubai, continuou Kayaya Júnior, pretende ser uma plataforma internacional para a promoção da criatividade, inovação e cooperação a nível global, facilitando, desta forma, o intercâmbio de ideias e de culturas.
Um total de 192 países e dezenas de organizações e instituições internacionais participam na Expo, que decorre até 31 de Março de 2022, sob o tema geral "Conectando Mentes, Criando o Futuro”


 Perfil dos artistas plásticos angolanos convidados

Licenciado em Direito na Universidade de Kinshasa, República Democrática do Congo, em 2000, Guilherme Mampuya é membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) desde 2005.

De 2006 a 2008 participou no concurso EnsArte, tendo vencido o Grande Prémio. Além disso, realizou duas exposições individuais na Galeria "Humbi-humbi” e no Hotel Alvalade, em Luanda.
Com 39 exposições individuais realizadas até Fevereiro de 2020, em Angola e no estrangeiro, em cidades como Bruxelas, Lisboa e Seul, o artista foi destaque na Trienal de Artes de Luanda.

Entre 2012 e 2015 participou em mostras, colectivas e individuais, em Portugal e Brasil. Além disso, foi convidado a participar no primeiro "Palanca Parade” em Angola, assim como na Expo Milano 2015.

Em Agosto de 2016 criou o Atelier Guilherme Mampuya, inaugurado em Dezembro, com a abertura da sua 34ª exposição individual, "Muxima”, no Camama, em Luanda. Em Setembro de 2019 participou na Bienal da Paz, na Fortaleza de São Miguel, em Luanda, assim como foi um dos nomes de referência num dos maiores murais da capital angolana.

Andreia Gambôa, a jovem artista plástica, modelo e estudante de Direito, na Universidade Jean Piaget, de Luanda, cedo descobriu o gosto pelas artes. Em 2017 intensifica a conexão com o mundo das artes através do grupo de mulheres artistas do "Projecto Muarte”, passando a partir daí em diante neste meio artístico e a fazer pinturas ao vivo em vários locais de Luanda.

Em 2018, começou a receber muitas encomendas e não maisparou até finais de 2019, altura em que por motivos de saúde foi forçada a parar, devido a toxicidade das tintas que usava.
Nos trabalhos que apresenta, tende a inspirar-se nos problemas vividos pela mulher, nas fraquezas emocionais desta, assim como nos complexos e sentimentos da alma feminina. Com obras expostas em vários locais, a mais famosa é a pintura "Ruínas da Depressão”.

António Bequengue | Dubai

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