Economia

Sonangol vai ao mercado captar 150 milhões de dólares

Isaque Lourenço

Jornalista

A Sonangol fez saber, ontem em comunicado, que oportunamente, vai realizar a emissão de títulos obrigacionistas, no valor em kwanzas, equivalente a 150 milhões de dólares.

04/12/2022  Última atualização 07H10
Emissão de obrigações corporativas © Fotografia por: DR

Entre as várias modalidades da empresa financiar as actividades, a companhia considerou esta via que permite ao investidor receber, periodicamente, os juros deste instrumento de dívida obrigacionista, assim como o valor investido.

No documento a que o Jornal de Angola teve acesso, a empresa justifica-se que este modelo de financiamento irá alavancar as operações e os investimentos baseados numa empresa com mais de 46 anos de experiência no sector petrolífero, cuja visão passa por se tornar uma companhia de referência, no continente africano, sempre comprometida com a sustentabilidade e o desenvolvimento do país.

Ao que se sabe este processo nada tem a ver nem muito menos afecta o processo de reestruturação contínua da petrolífera, que vai levar no futuro a petrolífera pública a colocar à disposição do mercado parte das acções detidas na totalidade pelo Estado angolano.

 

Reacções

A emissão de dívida corporativa por parte da Sonangol não deve ser visto como algo inédito, na medida em que já existe um banco (Standard Bank Angola) que o fez antes e, nem por isso, essa emissão no mercado primário de obrigações corporativas activou o mercado secundário de dívida.

Na visão do economista e docente Alberto Vunge, é a dinâmica do mercado secundário, seja de dívidas ou de acções, que cadencia a dinâmica dos mercados de capitais.

Alberto Vunge defende que a emissão de obrigações corporativas por parte da Sonangol significa a abertura de um canal de financiamento directo e, para o mercado, mais uma alternativa de investimento.

"Joga no sentido da possibilidade de ampliação da diversificação da carteira. É mais um instrumento financeiro que pode ser colocado na carteira e diversificar as fontes de rendimentos, como também o risco”, disse.

Por outro lado, conforme detalha, essa ida da Sonangol ao mercado primário de dívida corporativa vai ser um teste à imagem que a Sonangol projecta cá para fora.

Ao questionar sobre o que os investidores acham da Sonangol, enquanto activo de investimento, Alberto Vunge aponta duas coisas: uma que é a capacidade da Sonangol para colocar estes papéis no mercado primário (a seguir a sua procura no mercado secundário) e o prémio que o mercado vai requerer para decidir-se pela dívida corporativa da Sonangol em detrimento da dívida pública.

"A evolução do mercado de capital não acontece com emissões esporádicas no mercado primário. Precisamos de atomicidade na oferta de dívidas e acções no mercado primário e muita profundidade nos mercados secundários. É assim que se faz a evolução dos mercados de capitais. Atende para as acções emitidas por dois bancos (BAI e Caixa Angola) e, actualmente, disponíveis no mercado secundário de acções, quase que não se transaccionam…não têm liquidez”, afirmou.

Vantagens

O director Executivo (CEO) da plataforma "Hora da Bolsa”, Joel Costa, aponta como vantagens desta emissão de dívida corporativa o facto de a empresa escolher a quantidade de dinheiro a arrecadar e emitir uma quantidade de títulos num montante que pretende arrecadar, no caso concreto 150 milhões de dólares.

A Sonangol nesta operação vai determinar, obedecendo regras do mercado, qual a taxa de juro que vai pagar. Determinará também em que prazos vai pagar a respectiva dívida.

Em resumo, na abordagem de Joel Costa, quem compra dívida corporativa beneficia do retorno do capital usado para comprar as quantidades de títulos de dívida corporativa mais os juros, isto no fim do período de vida útil desta dívida.

"Não podemos confundir emissão de dívida corporativa com emissão de acções no mercado, pois são emitidos em mercados diferentes. Temos que ver a Bodiva como um shopping, que tem várias lojas. E, cada loja está especializada num activo”, disse.

Joel Costa detalha que quando as empresas emitem dívida corporativa, significa que a mesma continua a ser dona de 100 por cento do capital social. Ou seja, quem compra dívida corporativa de uma empresa não se torna sócio desta empresa. Apenas passa a ser alguém a quem a empresa deve dinheiro e se compromete a pagar no prazo e nas condições previamente acordadas.

O CEO do Hora da Bolsa lembra ser esta a segunda operação do género, após a do Standard Bank Angola, que foi resgatada no final do ano passado. Ou seja a Sonangol pode vir a ser a segunda empresa a emitir dívida corporativa em Angola.

O "Hora da Bolsa” é um projecto de literacia financeira que tem como objectivo contribuir para a formação e despertar o interesse de cada vez mais angolanos para investir na bolsa.

Compra e venda de títulos vale 90% da Bodiva

O mercado de bolsa de títulos de dívida pública, onde são admitidos à negociação títulos de dívida pública representa um peso de mais de 90 por cento das transacções efectuadas na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), através da compra e venda de títulos de dívida pública emitida pelo Estado por via do Tesouro ou Ministério das Finanças.

A Bodiva tem o Mercado de Bolsa de Títulos de Dívida Pública (MBTT), onde são admitidos a negociação e onde se negoceiam títulos de dívida pública. Este é o principal. Tem o mercado de unidades de participação. Tem também o Mercado de Bolsa de Unidades de Participação, onde são admitidos a negociação de unidades de participação de fundos de investimento.

Recentemente, foi aberto o Mercado de Bolsa de Acções, onde se negoceiam, de momento, as acções dos bancos BAI e Caixa Angola. Este mercado, até finais de Outubro, de acordo com a Bodiva representava 4,0 por cento só total das transacções ou negócios registados. Pode admitir-se tratar-se de um mercado recente e em ascensão.

Entretanto, já existe há vários anos o mercado de bolsa de dívida corporativa, onde as empresas emitem dívida.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Economia