Economia

Sonangol reforça aposta do fornecimento ao Leste

Victorino Joaquim |

Jornalista

As dificuldades da Sonangol no abastecimento de combustível à região Leste de Angola são atenuadas, a partir do Julho, com a implantação, em Saurimo, de reservatórios com capacidade para a armazenagem de 900 metros cúbicos (600 de gasóleo e 300 de gasolina).

05/06/2021  Última atualização 12H20
Unidade de Negócio de Distribuição e Comercialização de eleva capacidade de armazenagem no Leste © Fotografia por: DR
A informação é do presidente da Comissão Executiva da Unidade de Negócio de Distribuição e Comercialização (UNDC) da Sonangol, Eusébio Vunge, numa entrevista inserida na newsletter da companhia relativa do Junho, publicada ontem.De acordo com o responsável, a distribuição de combustível à região Leste tem-se revelado "um dos calcanhares de Aquiles”, sobretudo pela interposição de factores naturais sazonais, mas, também, pela distância em relação aos principais centro de distribuição da Sonangol, o estado das vias de acesso e a inexistência de pontos de armazenagem para suporte das operações de abastecimento.

Eusébio Vunge realçou o decurso de vários projectos para construção de infra-estruturas que vão contribuir para atenuar as dificuldades no abastecimento à região Leste, apontando, para Saurimo, a instalação de reservatórios com capacidade de armazenagem de 900 metros cúbicos (600 para gasóleo e 300 para gasolina), numa operação que  fica concluída no final do corrente mês de Junho.Está ainda a construção do ramal dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) para fornecimento à instalação de combustíveis do Moxico, cuja conclusão se prevê para os próximos dias, o que vai contribuir para  elevar a frequência do abastecimento a partir do terminal Oceânico do Lobito, incrementar o volume de produtos movimentado para o Luena e aumento do volume do aprovisionamento de combustíveis naquela região.O presidente da Comissão Executiva da UNDC considerou a aquisição de activos da Puma Energy, em Abril,  um marco importante, sublinhado que "a decisão estratégica tomada pela Sonangol EP representa ganhos nos domínios da logística de distribuição, incluindo a armazenagem.  A Sonangol passa a contar com um conjunto de activos muito importantes para servir a indústria”.

Quanto ao facto de a Sonangol ter firmado com a Total um acordo cuja gestão passa pela UNDC, com a cedência de alguns postos de abastecimento, o responsável avançou que "a presença de um parceiro de referência internacional como a Total no nosso mercado, permite elevar os níveis de competitividade e trazer um referencial de boas práticas de gestão”.A Sonangol, lembrou, detinha um elevado número de postos de abastecimento que, pela sua localização e evolução das cidades, perderam a atractividade, aconselhando o  desinvestimento.  Com a entrada da Total, foi possível integrar parte destes postos, o que resultou na revitalização dos mesmos”. Recuperação do bunkering

Na entrevista, o presidente do Comissão Executiva anunciou que o negócio de bunkering (comercialização de combustíveis para abastecimento a embarcações marinhas ou aeronaves) foi drasticamente afectado pela pandemia da Covid-19, sobretudo a componente da aviação, o que leva a que a prioridade passe pela recuperação da certificação da operação e o resgate de clientes internacionais. Já os desafios do bunker de Marinha "consistem em transformar a costa angolana no maior ponto da costa ocidental de africana na comercialização do gasóleo, atendendo à sua qualidade, que se enquadra nas especificações internacionais, e à prática de preços competitivos, afirmou Eusébio Vunge.O responsável prevê, de acordo com os planos, que "estas condições serão suportadas por infra-estruturas que concorrem para a prestação de um serviço de qualidade que atraia para a nossa costa, navios que, hoje, desviam as rotas para outros destinos”. 

Segundo as estimativas da fonte, com o crescimento das quantidades de combustível fornecidas pela refinaria de Luanda e a possibilidade da venda deste produto em divisas, "estaremos em melhores condições de acelerar a implementação da infra-estrutura” preconizada.A companhia, adiantou, vai procurar manter-se na liderança do sector retalhista, vencendo desafios nos domínios da manutenção preventiva regular e sustentada da rede, integração e automação de processos logísticos e financeiros e rentabilização dos pontos de venda.A estratégia, resumiu o líder da UNDC, assenta em redimensionar as infra-estruturas e meios de suporte à distribuição e comercialização de derivados de petróleo, optimizar a rede e distribuir nos mercados da região, visando o aumento da rentabilidade, da competitividade e a expansão do negócio.A UNDC é fruto da fusão da Sonangol Logistica e da Sonangol Distribuidora, na sequência do Programa de Regeneração que, resultou de um amplo programa de reestruturação do sector Petrolífero.
  Desafios passam pela segmentação da oferta  
A UNDC está a preparar uma oferta de produtos e serviços baseada nos requisitos dos clientes, nomeadamente, a comercialização de "empresa para empresa” direccionada aos revendedores, a outros operadores do mercado e a clientes  de consumo industrial e distribuidores, um segmento que representa 65 por cento do volume de negócios. 
Segundo o presidente da Comissão  Executiva da UNDC, a comercialização da "empresa para cliente”, que representa apenas 23 por cento do volume de negócios, é direccionada para a gestão da rede de postos de abastecimento da Sonangol, rede de postos de terceiros (Bandeira Branca), assim como de todos os serviços paralelos, tais como lojas de conveniência, restaurantes, estações de serviço entre outros apensos aos postos.A comercialização de bunkering, direccionada aos clientes de aviação e marinha, responsável por cerca de 11 por cento do volume de vendas, decorre do abastecimento a aeronaves e embarcações marítimas de suporte às operações petrolíferas ou a navios de transporte que acedem aos nossos portos, representando, ainda, um negócio atractivo para a UNDC.

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