Economia

Sonangol recuperou nos primeiros sete meses

Cristóvão Neto

Jornalista

A tendência de recuperação da indústria petrolífera observada nos primeiros sete meses de 2021 conduz a Sonangol à estabilização do volume de negócios e à reversão do comportamento negativo das receitas do ano passado, segundo números obtidos de fontes do Jornal de Angola.

16/09/2021  Última atualização 08H15
© Fotografia por: Contreiras Pipa| Edições Novembro
Dados da companhia apontam que,  nos primeiros sete meses de 2021, os preços médios de 66,4 dólares por barril das ramas angolanas comercializadas pela petrolífera  recuperaram para níveis equiparados aos de 2018 e 2019 (com médias de 70,6 e 64,4 dólares, respectivamente), sendo superiores ao preço médio de 2020, de 38,1 dólares.

Isso tem um impacto directo sobre as vendas ao longo do ano em curso,  colocando a empresa numa situação de tesouraria favorável face a 2020, algo já confirmado com o resultado positivo de 384 milhões de dólares obtido no primeiro semeste e que é comparado com o resultado negativo de 1 186 milhões de igual período do ano passando.

Em comparação homóloga,  o resultado do primeiro semestre do ano em curso supera o do mesmo período do ano passado em 144 por cento, representando,  por outro lado, 23 por cento da previsão da companhia da obtenção 1 646 milhões de dólares em lucros no cômputo de 2021.

De Janeiro a Junho, os indicadores da actividade tiveram crescimento homólogo de 36 por cento no domínio da venda e prestação de serviços,  que ascendeu para 3 706 milhões de dólares,  bem como de 70 por cento nas subvenções, cujos pagamentos foram elevados ao valor de 793 milhões de dólares depois de as previstas para aquele período terem sido  integralmente cobradas ao Ministério das Finanças.

No primeiro semestre, a actividade mineira registou uma variação homóloga positiva de 47 por cento, representando 2 025 milhões de dólares, e os custos com o pessoal avançaram um por cento, para 283 milhões de dólares.

A rubrica Ebitda (lucros antes de tributos) do primeiro semestre apresenta uma variação positiva face ao período homólogo justificada pelo aumento do volume de negócios, o que gerou uma variação da receita operacional de 73 por cento em relação a 2020.

Com esssa evolução, considerada "promissora", a companhia espera um desempenho económicomais favorável, este ano, e reúne expectativas já parcialmente confirmadas de uma melhoria dos resultados do exercício em 2021.

Crise da indústria

A queda das receitas revelada pela Sonangol, na sexta-feira, quando divulgou o Relatório e Contas de 2020, está alinhada ao comportamento da indústria petrolífera, naquele ano, quando as maiores operadoras globais registaram pesadas perdas.
Os números disponíveis nos relatos financeiros apresentados pelas mais poderosas multinacionais do sector petrolífero mostram que, quando a Sonangol registou fluxos de caixa negativos de 39 por cento, com as receitas a caírem de cerca de dez mil milhões de dólares, em 2019, para cerca de seis mil milhões em 2020, a portuguesa Galp Energia reportou prejuízos de 31 por cento (de 17 mil milhões para 12 mil milhões de dólares), enquanto a italiana ENI declarou perdas de 37 por cento (de 71 para 45 mil milhões de dólares) e a brasileira Petrobras de 30 por cento (de 77 para 54 mil milhões de dólares).

Na norte-americana Chevron, a queda foi de 35 por cento em 2020, com os proveitos a caírem de 147 para 95 mil milhões de dólares, na francesa TotalEnergies foi de 30 por cento (de 200 para 140 mil milhões de dólares) e na British Petroleum (BP) de 35 por cento (de 283 para 184 mil milhões de dólares).

O Ebitda (lucros antes de tributos), um indicador que mede a capacidade das empresas gerarem fluxos de caixa, retrocedeu 57 por cento na Sonangol (de cinco mil milhões, para dois mil milhões de dólares), caindo 43 na Galp Energia, 42 na ENI, 26 na Petrobras, 64 na Chevron, 48 na TotalEnergies e 80 na BP.

Os dados indicam que a queda do volume de negócios da indústria petrolífera mundial situou-se, em 2020, entre 31 e 39 por cento, com a companhia estatal angolana a declarar,  no comunicado em que anuncia a divulgação do Relatório e Contas, que "os resultados alcançados pela Sonangol seguiram a mesma tendência da indústria" petrolífera mundial.

Corte nos custos

A Sonangol realça ter observado a preocupação generalizada da indústria de adaptar a actividade ao cenário de queda da procura e do preço, onde os cortes situaram-se, a nível global,  entre 21 e 31 por cento.

Nessa acepção,  a companhia angolana cortou, no ano passado, os custos operacionais em 21 por cento, de nove para sete mil milhões de dólares, a Galp Energia em 24 por cento (de 16 para 12 mil milhões), a ENI em 26 por cento (de 65 para 48 mil milhões) e a Petrobras em 31 por cento (de 54 para 37 mil milhões).

A Chevron cortou os custos operacionais em 28 por cento (de 141 para 102 mil milhões), a Total em 21 por cento (de 160 para 126 mil milhões de dólares) e a BP em 27 por cento (de 263 para 191 mil milhões).

Os resultados líquidos do exercício recuaram em 4,1  mil milhões de dólares na petrolífera nacional, 200 milhões na Galp Energia e em igual montante na Petrobras,  8,6 mil milhões na ENI, 5,6 mil milhões na Chevron, 7,3 mil milhões na TotalEnergies e 20,7 mil milhões na BP,  com este último resultado a destacar-se por ser o maior prejuízo da indústria petrolífera mundial,  seguido pelos observados pelas congéneres italiana e francesa.

Considera-se que, apesar da conjuntura de 2020, marcada pela queda do preço do Brent em até 15 dólares por barril, o excesso da oferta,  a queda da procura e as restrições aplicadas pelos Estados para conter a propagação da pandemia da Covid-19, a Sonangol implementou, com sucesso,  medidas de redução de custos e redimensionamento da actividade,  que  viabilizaram a actividade na pior fase da crise e permitiram a  observação dos principais compromissos de curto prazo com parceiros nacionais e internacionais.

No fundamental,  os números do Relatório e Contas reflectem o ambiente desfavorável em que a indústria petrolífera operou em 2020 e a forma como a Sonangol assumiu os compromissos para com os parceiros,  pagando a dívida de curto prazo, ao mesmo tempo deixando definido o percurso da recuperação iniciada ainda naquele ano e acentuada em 2021, já sobre o período da aprovação das contas da companhia.


Indicadores da actividade na sonangol nos primeiros sete meses de 2021

384 milhões de dólares em resultados

144%
crescimento homólogo dos resultados

36%
crescimento homólogo das vendas e prestação de serviços

73% variação homóloga da receita operacional

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