Economia

Sonangol quer alterações na Unitel antes de alienar a participação

O presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sonangol anunciou ontem, em Luanda, que a petrolífera nacional pretende “chegar a acordo” com os restantes accionistas em relação aos novos órgãos sociais da Unitel, com mandato expirado desde 31 de Dezembro de 2017.

26/02/2019  Última atualização 13H40
DR © Fotografia por: Petrolífera quer acordo para indicação dos órgãos sociais

“Queremos chegar a um acordo para a indicação de um novo Conselho de Administração da Unitel, de um novo PCA e de um novo presidente da Assembleia Geral. Fizemos o mesmo exercício ao nível do Millenium BCP, que durou meses, sempre acompanhado pelo Banco de Portugal e do regulador europeu (o Banco Central Europeu). Correu bem e chegamos a um acordo. Estamos no mesmo exercício com a Amorim Energia, por exemplo. É um exercício normal. Para a Unitel adoptamos o mesmo princípio. Queremos chegar a um acordo para que se normalizem as funções dos órgãos sociais”, resumiu o PCA da Sonangol.

A estrutura accionista da Unitel é composta por quatro accionistas que detêm partes iguais da empresa: a Geni (25 por cento), representada por Leopoldino do Nascimento, a Vidatel (25 por cento), de Isabel dos Santos, a PT Ventures (também com 25 por cento, representada pelo brasileiros da Oi) e a referida Ms Telcom.
Desde Janeiro de 2018 que os accionistas não se entendem quanto à nomeação de um novo Conselho de Administração. Depois de duas tentativas falhadas, em Novembro de 2018, a próxima assembleia-geral está marcada para o dia 19 de Março.
“A Unitel é uma empresa bem conhecida na nossa praça. Temos de defender os interesses da Sonangol. Somos uma empresa do Estado e o nosso accionista também tem a sua estratégia. Precisamos de defender muito bem estes interesses. A estrutura accionista tem quatro entidades e cada entidade detém 25 por cento do capital, razão pela qual não aceitamos que um accionista tome decisões à revelia e de forma unilateral”, defende Carlos Saturnino.
No âmbito do programa “Regeneração”, que está a ser implementado pela administração da Sonangol para reverter a situação crítica da petrolífera, a participação na Unitel será alienada. A administração não quis revelar quanto espera receber por 25 por cento da empresa de telecomunicações porque “o valor não é divulgável”. “Se o fizermos estaremos a prejudicar o sucesso do negócio”, explicou Carlos Saturnino.
“De facto, os sócios da Unitel têm tido uma discussão que não é fácil, é uma discussão dura mas que tem sido bastante urbana. Já tivemos duas assembleias gerais mas, infelizmente, não chegamos a consenso. As negociações continuam e temos fé em encontrar uma solução nas próximas semanas", defendeu o administrador Luís Maria durante a conferência de imprensa promovida pela Sonangol.

Perdas pressionam os preços dos combustíveis

O administrador Baltazar Miguel revelou em conferência de imprensa que um novo modelo de cálculo dos preços dos combustíveis está a ser avaliado pelo Executivo, depois da petrolífera nacional anunciar um impacto negativo de “mais de mil milhões de dólares”, em 2018, na Sonangol Logística e na Sonangol Distribuidora.
“A falta de liquidez decorrente do preço fixo dos combustíveis provocou um impacto negativo de mais de mil milhões de dólares no Grupo Sonangol. Neste momento, no caso da Sonangol Logística, os resultados do ano de 2019 já estão comprometidos. No caso da Sonangol Distribuidora, caso se mantenha a depreciação do kwanza e a subida nos custos de importação (aumentaram 30 por cento em relação a 2017), também está a caminhar para uma situação muito complicada”, refere Baltazar Miguel.
O novo modelo de preços dos combustíveis está dependente de uma decisão política, que é da responsabilidade do Executivo. No entanto, Gaspar Martins, também administrador da Sonangol, aproveitou a conferência de imprensa para destapar algumas das mudanças que estão em cima da mesa.
“Quanto ao modelo a ser implementado para definir os preços da gasolina e do gasóleo, em princípio vai ter em consideração a questão do petróleo nos mercados internacionais e terá também em conta as alterações na taxa de câmbio e o seu impacto no preço final para o consumidor”, avançou o gestor.
Este modelo abre a possibilidade de implementação de preços flutuantes dos combustíveis, que poderão ser reavaliados em curtos espaços de tempo (de semana a semana, por exemplo, ou de mês a mês). A flutuação pode incorporar as eventuais alterações dos preços de referência nos mercados internacionais e da taxa de câmbio.
"Neste momento, devido às alterações na taxa de câmbio verificadas desde 2016 - data da última actualização dos preços -, a Sonangol está a comercializar os combustíveis abaixo do preço de custo", lembra Baltazar Miguel.
Oitenta por cento dos combustíveis e outros derivados de petróleo é adquirido fora do país, em moeda estrangeira, e comercializado no mercado interno em moeda nacional.
De realçar que, em Junho de 2018, o corpo técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimava, no Artigo IV, do seu relatório, que os preços dos combustíveis teriam de ser actualizados a cem por cento “de forma a anular os subsídios que estão a ser absorvidos pela Sonangol”.
Actualmente, o gasóleo é comercializado a 135 kwanzas por litro (subiu de 90 kwan-zas em 2016) e a gasolina a 160 kwanzas (subiu de 115 kwanzas em 2016).

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