Economia

Sonangol dispersa capital nas bolsas de Luanda e Londres

Victorino Joaquim

Jornalista

A privatização da Sonangol vai ocorrer, inicialmente em dispersão de capital na Bolsa da Dívida e Valores de Angola (Bodiva), e, posteriormente na Bolsa de Londres, anunciou, o presidente do Conselho de Administração (PCA) da companhia, Sebastião Martins, na 2ª Angola Oil & Gas, que decorreu em Luanda, de quinta-feira até ontem.

11/09/2021  Última atualização 08H30
Presidente do Conselho de Administração da Sonangol à esquerda afirma , na 2ª Angola Oil & Gas que o processo de privatização não está atrasado © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro
De acordo com Sebastião Martins, o processo de dispersão em bolsa  já está em curso, mas, fruto das reestruturações em andamento na Sonangol, 21 subsidiárias da companhia foram "comprimidas” em cinco unidades de negócios associadas à cadeia de valor. 

O presidente do Conselho de Administração da Sonangol reafirmou que a privatização parcial da empresa "é para avançar” e que "não está atrasada”, havendo um conjunto de operações a observar antes do lançamento da Oferta Pública Inicial (IPO, sigla inglesa), com a qual se prevê a alienação de 30 por cento do capital da companhia.

Com isso, "pretende-se expurgar a maior parte de processos que podem ter a ver com relações entre a Sonangol e o Estado, de modo que a IPO não coloque o accionista futuramente a questionar se tem realmente uma empresa, do ponto de vista comercial, ou ainda com ligações ao Estado, é o que temos estado a fazer”, declarou o responsável citado, nestas últimas declarações, pela Lusa.

O líder da Sonangol revelou na 2ª Angola Oil & Gas que a companhia criou uma Bolsa de Disponibilidade, com o objectivo de garantir a sustentabilidade de funcionários adaptada à actual situação económica social que o país enfrenta.


 Através da Bolsa Disponibilidade, explicou, os funcionários da Sonangol que, no desfecho da reestruturação, ficarem sem estarem empregados numa das cinco unidades de negócio, manterão o vínculo laboral, passando a auferir um salário básico. Esta situação deverá durar até que a pessoa desempregada encontre um novo vínculo laboral com outra empresa.
Transição energética 

Angola vai optar pela transição energética mantendo os investimento no sector petrolífero, à luz do potencial que ainda pode ser capitalizado, defendeu, ontem, em Luanda, a administradora executiva da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) Natacha Massano.

Ao dissertar o tema "Explorar a última ronda de licitações 2020/21 e as lições aprendidas para o futuro”, na 2ª Angola Oil & Gás, Natacha Massano lembrou a necessidade de capitalização das potencialidades que o país possui em hidrocarbonetos.A responsável reconheceu que a transição energética constitui uma prioridade ao nível mundial, bem como as previsões que apontam para a escassez de recursos financeiros para os projectos petrolíferos.

"O país ainda tem um potencial de hidrocarbonetos que nós queremos capitalizar ao máximo”, e "vai tentar conciliar as tarefas da transição energética, dando continuidade dos investimentos no sector petrolífero”, disse.

Uma fonte ligada à ANPG lembrou, também, que o Governo emprega mais de dois mil milhões de dólares por ano na importação de refinados, tendo decidido investir na construção da refinaria em Cabinda e no Lobito, em apostas que viabilizam o sector angolano de petroquímica. 
 Mas, a Sonangol prevê, a  médio ou  longo prazo, produzir energia por intermédio da recentemente criada a Unidade de Negócios de Gás e Energias Renováveis, que tem desenvolvido um conjunto de parcerias para implementação de projectos virados para a produção de energias limpas, sendo, uma delas, a produção de cerca de 150 megawatts de energia solar.

A par disso, há projectos no domínio dos Biocombustíveis envolvendo participações da petrolífera estatal, como é o caso da Biocom, implantada em Malanje, com operações baseadas na cana-de-açúcar.
  Ministro da Energia de Omã anuncia preço do barril de petróleo a 200 dólares a curto prazo 

O ministro da Energia de Omã, uma economia do Golfo Persico, advertiu a Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês) sobre a probabilidade de os preços do barril de petróleo atingirem 200 dólares  em decorrência da pressão para que os países produtores reduzam as quotas de produção de combustíveis fósseis,  no quadro da estratégia mundial de luta contra o aquecimento global.

Mohammad Al-Rumbi teceu estas considerações durante uma videoconferência entre o ministério que dirige e a Direcção da IEA, considerando essas recomendações "unilaterais e prejudiciais” para as economias dos países visados, na medida em que, em sua opinião "deixar de fazer novos investimentos na produção de petróleo, gás e extracção de carvão com o propósito de conter a perigosa subida da temperatura global, terá consequências a curto prazo”.

A conferência, denominada "A Transição Energética no Médio Oriente e em África”, serviu para a apresentação dos possíveis cenários que o cumprimento das medidas relativas à suspensão súbita  da produção de hidrocarbonetos desencadearia, apontando-se para uma forte escassez de petróleo, com repercussões na subida dos preços, no curto prazo, com o barril a ser comercializado a um eventual preço de 100 ou 200 dólares.

Citado pelo site sul-africano "News 24”, Mohammad Al-Rumbi apelou à reapreciação da estratégia estabelecidas para o processo de transiçao, pois, disse, "é muito fácil estar sentado na própria zona de conforto e falar sobre a energia solar e outras fontes renováveis, quando nos esquecemos que um quarto da população mundial ainda sofre com a permanente falta de energia".

Os produtores de petróleo do Médio Oriente e da África do Norte encaram a medida com grande preocupação, tendo em conta que as suas economias dependem das exportações petrolíferas, razão pela qual têm contestado a desaceleração dos investimentos na exploração de produção de combustíveis fósseis.

O director-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, que instou os países do Médio Oriente e da África do Norte a apostarem no desenvolvimento de energias renováveis, tendo-se referido a uma "verdade amarga” que deve ser enfrentada pelos produtores de hidrocarbonetos.

"Os países responsáveis por 70 por cento do Produto Interno Bruto Mundial comprometeram-se a alcançar, até 2050, o valor líquido de zero na emissão de dióxido de carbono, facto que vai trazer implicações na procura do petróleo e nos investimentos”, disse Mohammad Al- Rumbi.

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