Cultura

Soba Molenga faz estreia com sátira de um defunto

Analtino Santos

Jornalista

O autor Soba Molenga tem concluído o livro de contos “Elogio Fúnebre -Sátira de um defunto” a ser lançado, no próximo ano, com a chancela da Littarae Edições, que transporta uma simbiose entre a ficção e a realidade.

03/12/2022  Última atualização 08H25
Autor tem concluído um livro de contos que pretende colocar nas bancas no próximo ano © Fotografia por: DR
A partir de Benguela onde reside, o autor da obra, cuja narrativa está à volta das cerimónias fúnebres, afirmou que o objectivo é fazer com que o leitor, ao mesmo tempo que é confrontado com a problemática da valorização da dignidade da pessoa humana e como honrá-la quando vier a falecer, também possa entreter-se com as belas imagens, discursos sarcásticos que o personagem faz sobre si mesmo e sobre os outros.

Soba Molenga afirmou que neste momento o livro está na fase de revisão e de promoção com entrevistas nas rádios locais e nos movimentos literários. Segundo o escritor estreante, as cinquenta e duas páginas do livro estão divididas em  quatro partes:  a  primeira narra as lamentações do personagem ao longo da missa de corpo presente, a segunda trata do cortejo fúnebre, a terceira trata do último adeus e a quarta parte termina com a exposição de alguns poemas.

Segundo o autor, tudo surgiu mediante as suas constantes observações do comportamento de algumas pessoas nos funerais, por um lado, e, por outro, o valor e a dignidade da pessoa, enquanto está em vida, e o modo como é tratada quando se encontra doente e quando falece.

"A morte não pode ser adiada, porém, reflicto seriamente sobre a atenção, preocupação e os gastos que certas famílias fazem quando o seu ente-querido está doente (precisando de assistência) e quando falace. Estas e muitas outras observações, motivaram-me a escrever este conto, com o intuito de fazer recordar a todos sobre a importância de valorizar a pessoa enquanto estiver em vida, prestar-lhe o devido socorro quando verdadeiramente carece, e honrar a sua memória com toda dignidade de pessoa humana”.

Destaca que a segunda e terceira partes do livro, nas quais  o personagem critica e lamenta acerca do comportamento das pessoas nos funerais e o elegio fúnebre lida por um familiar ou amigo, cheia de adjectivos, elogios, palavras encantadoras, trazem à tona a principal narrativa do conto e que os leitores terão acesso.

O estudante de teologia procurou, também, apontar aquilo que é o sagrado que se deve ter em conta nos funerais, sobretudo de pessoas cristãs ou simplesmente religiosas  e tratou de hábitos visíveis nos funerais, que de certo modo são profanos, tendo em conta a dignidade da pessoa humana que se funda no facto de ser Imagem e Semelhança de Deus (Emago-Dei). Soba Molenga, pseudónimo de Efigénio Francisco Gomes, nascido a 28 de Setembro de 1997, na província do Uíge, fez o curso superior de Teologia, no Seminário Maior Teologia - Bom Pastor, filial da Universidade Santo Dâmaso. É membro do movimento dos estudantes de Angola e da associação cívica fragmento da Sapiencial.

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