Política

Sistema de educação e ensino deve privilegiar a formação tecnológica

Kátia Ramos

Jornalista

O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, considerou, ontem, em Luanda, que a Engenharia deve servir e contribuir para resolver os problemas concretos dos cidadãos, empresas, instituições, das comunidades e do país.

14/07/2021  Última atualização 08H12
© Fotografia por: Agostinho Narciso |Edições Novembro
Ao discursar na abertura do 1º Encontro Nacional sobre o Ensino da Engenharia em Angola, organizado pelos ministérios do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) e da Educação e o Gabinete de Quadros do Presidente da República, Bornito de Sousa exemplificou os "eternos” engarrafamentos de Luanda, as inundações na capital aquando das chuvas, a produção de energia limpa para as comunidades rurais, bem como a produção de vacinas para a malária, VIH/Sida e gado.

"Num país rico em madeiras, a produção de mobiliário escolar essencial não tem solução? As consequências da seca cíclica nas províncias de influência desértica no Sul de Angola não têm solução?", questionou, lembrando a última deslocação do Presidente da República ao Cunene, província que vai ter soluções estruturantes para o problema da seca.

Segundo Bornito de Sousa, Angola tem que superar os desafios actuais, de água, luz eléctrica, comunicações, disponibilidade de alimentos, mas alinhar-se a um mundo em rápida evolução tecnológica, que já ensaia a tecnologia 6G, os voos espaciais turísticos, Internet das Coisas, Inteligência Artificial, a armazenagem em nuvem de Zettabytes ou Yottabytes de informação, a impressão 3D de edifícios de habitação ou de órgãos humanos, os Robots industriais, civis e militares, as Smart Cities, o uso do Grafeno, a "ressuscitação” de mortos através de técnicas criogênicas, a clonagem de seres vivos, as consultas, diagnóstico e operações remotas, as viaturas e aeronaves não tripuladas.


A abundância de recursos naturais e minerais existentes no solo e subsolo do território nacional, acrescentou, constitui um factor impulsionador para a formação nas mais diversas áreas das engenharias.

Sistema de educação


Bornito de Sousa considerou que ter engenheiros altamente qualificados exige um sistema de Educação e Ensino de excelência, que privilegie a formação tecnológica e profissionalizante, a empregabilidade das formações e que gere especialistas que produzam obras duradouras e de qualidade, em vez das ditas "obras de esferovite".

Defendeu, igualmente, um sistema que favoreça e estimule a cooperação entre as Universidades e Institutos Nacionais com as melhores Universidades do mundo, empresas nacionais, Governos Locais, instituições de formação técnico-profissional e as ordens profissionais, como a Ordem dos Engenheiros de Angola, numa perspectiva de conferir maior qualidade e fiabilidade às obras realizadas no país.

O Vice-Presidente disse que o ensino das engenharias depende, como todo o ensino superior, do investimento e da qualidade dos níveis anteriores, como do Ensino pré-escolar, Primário e Secundário.
Defendeu o abandono do modelo de ensino ocidental-centrado, que atrofia a verdadeira dimensão geográfica de África, exalta a escravatura na formação da consciência do aluno e minimiza civilizações africanas da antiguidade que influenciaram o mundo actual e as contribuições de grande alcance científico e tecnológico da autoria de africanos e africano-descendentes.


Bornito de Sousa apelou à contribuição de todos no apoio das medidas a serem tomadas pelo Executivo no sentido de posicionar o professor como figura central de todo o sistema de educação e ensino, ao exigir a formação superior para os docentes de todos os níveis.

Sem o professor, disse, não temos operários e especialistas, médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico, juízes, advogados, economistas, contabilistas, jornalistas ou arquitectos, tão-pouco temos funcionários administrativos, mecânicos, correctores de seguros, reguladores de trânsito, ministros eclesiásticos, ministros, deputados ou Presidentes. Sem o professor, não há engenheiros.

Acrescentou que da parte do Presidente da República, João Lourenço, existe plena consciência de que a formação de qualidade dos engenheiros está intrinsecamente ligada ao sucesso do processo de desenvolvimento sustentável do país.

  Espaço de reflexão e de diálogo sobre o ensino das engenharias
A ministra do Ensino Superior Ciência e Tecnologia, Maria do Rosário Bragança, disse que o encontro "é uma manifestação inequívoca da incessante busca do Executivo por soluções que resultem na melhoria do processo de formação de quadros em Angola, criando-se um espaço de reflexão e de diálogo sobre o ensino das engenharias com a comunidade académica, sector empresarial, banca e Organizações Não Governamentais.

Reconheceu ser da responsabilidade do Executivo a criação de condições para a implementação da Estratégia da Política de Educação e do Ensino Superior, através da execução de programas e projectos do PDN 2018-22, mas considerou imprescindível o envolvimento de múltiplos parceiros da sociedade civil, no esforço conjunto do desenvolvimento de Angola, tendo a educação e o ensino como pedras basilares.

"A premissa deste Encontro Nacional sobre o Ensino da Engenharia assenta na ligação entre o ensino superior e a Agenda 2030, partindo da meta 4.3 do ODS4(Objectivos de Desenvolvimento Sustentável), que visa "Até 2030, garantir acesso igual para todas as mulheres e homens ao ensino técnico, profissional e superior de qualidade a preços acessíveis e de qualidade, incluindo a universidade".

A ministra referiu que as universidades e outras Instituições de Ensino Superior (IES) são também impulsionadoras para o cumprimento do conjunto completo de metas dos ODS, através do seu papel na formação humana, na produção de conhecimento e na inovação, destacando-se as relacionadas à pobreza, à saúde e bem-estar, à governação, igualdade de género ao trabalho decente e crescimento económico ao consumo e à produção responsável, às mudanças climáticas e à paz, justiça e à criação de instituições fortes.

O 1º Encontro Nacional sobre o Ensino da Engenharia em Angola, que termina hoje, é realizado em parceria com a Ordem dos Engenheiros de Angola, da UNESCO e, por seu intermédio, da Federação Mundial das Organizações de Engenharia.


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