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Sissoco Embaló admitir dissolver parlamento

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, voltou hoje a admitir a possibilidade de dissolver o parlamento, quando questionado pela imprensa sobre a revisão constitucional, que deve ser debatida na próxima sessão parlamentar da Assembleia Nacional Popular.

20/10/2021  Última atualização 22H45
© Fotografia por: DR

"Digo-vos, a UDIB (antiga sala de cinema de Bissau) fechou. O local dos filmes já não trabalha, eu não frequento salas de teatro. A assembleia tem os dias contados. Dias contados significam que posso dissolver o parlamento hoje, amanhã, no próximo mês ou no próximo ano. A dissolução do parlamento está na minha mão e nem sequer levará um segundo", disse o Presidente guineense, que falou em crioulo.

Umaro Sissoco Embaló falava aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira após ter regressado de uma visita de algumas horas à vizinha República da Guiné.

O novo ano legislativo da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau arranca em 04 de Novembro e termina em 15 de Dezembro.

O projecto do período da ordem do dia inclui 20 pontos, no qual constam uma análise à situação social e política do país e a apresentação, discussão e votação do projecto de lei da revisão da Constituição da República, entre outros.

A sessão anterior também tinha previsto no projecto da ordem do dia a apresentação, discussão e votação do projecto de lei da revisão da Constituição da República, mas acabou por ser retirado.

"A verdade é que me estão a dar motivos para que possa dissolver o parlamento. Estão a dar-me o motivo. É como o gato que tem fome e alguém decidiu colocar a linguiça no pescoço dele. O parlamento diz que há crise política e eu estou a tomar a nota de tudo que dizem", afirmou.

"O parlamento deve saber que o Presidente Umaro Sissoco Embaló não é qualquer um", afirmou, para de seguida salientar que não vai permitir desordem na Guiné-Bissau, ameaçando que quem a fizer pagará caro. 

Embaló salientou também que o parlamento não suporta o Presidente da República e que tem um "compromisso com o povo".

"O que quero garantir é que o teatro e a desordem não terão lugar mais nesta terra", afirmou.

O parlamento da Guiné-Bissau deveria ter iniciado em Maio o debate do projecto de revisão constitucional, mas o ponto foi retirado da agenda, após os líderes parlamentares de todas as bancadas terem questionado sobre a pertinência de o assunto ser debatido naquele momento e nos moldes em que foi proposto.


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