Opinião

Sinais de retoma

Juliana Evangelista Ferraz |*

Depois da tempestade da crise da Covid-19, a economia mundial dá sinais claros de que os próximos dois anos serão interessantes, não só para os países desenvolvidos, mas, sobretudo, paras as economias emergentes que se preparam para entrar num novo ciclo de crescimento, motivado pela retoma do gigante asiático - a China, que é responsável por cerca 20 por cento do PIB mundial.

26/10/2021  Última atualização 09H20
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), após revisão, prevê-se que cresça 8,1 por cento, este ano, e cerca de 5,7 por cento, em 2022. Esta previsão está alicerçada também às medidas impostas pelo Governo chinês, relativas à redução de impostos e cortes nas taxas de empréstimos para estimular a economia e garantir os empregos.


Os sinais de retoma também são visíveis na economia indiana, que tomou posições de destaque como um dos principais mercados importadores de commodities. O Governo indiano também implementou algumas reformas, para impulsionar a sua economia, após revisão em alta do FMI, que prevê, para 2021, um aquecimento de 11,5 por cento e 6,8 por cento em 2022.


Ainda num clima de prosperidade, o petróleo volta a ser notícia, depois do preço do barril do Brent ter registado uma recuperação e situou-se acima dos 80 USD, o que não se verificava desde Outubro de 2018, nos mercados internacionais. Este comportamento deriva de uma tendência de procura do produto à escala global. Portanto, a procura aumentou a uma velocidade maior do que a oferta, o que faz com que um pequeno aumento ou redução ligeira da produção tenha um impacto considerável no preço final, daí a volatilidade do preço.


Esta situação de aceleração do preço do brent tem suscitado, ao nível dos mercados financeiros, uma ansiedade brutal, uma vez que, se for, de facto, uma tendência estrutural, os maiores mercados de produção de petróleo terão de criar novas estratégias de sustentação, pelo facto deste aumento suscitar também a alteração de outras commodities energéticas, como por exemplo o gás natural, energia, licenças de carbono, muito influenciadas pela crise energética verificado a nível internacional.


A retoma das actividades por parte de muitos países a um  ritmo maior que o esperado elevou substancialmente o consumo de gás natural, sem que a oferta acompanhasse a mesma velocidade, o que se traduz que os países têm conseguido implementar os seus programas com acções de recuperação previstos no período pós-pandemia.


A cotação do petróleo a 80 dólares impacta positivamente no cenário de desenvolvimento da economia nacional, daí a importância de se aproveitar as vantagens provenientes destes encaixes financeiros, que são situacionais e temporários, pois a economia é cíclica: hoje a conjuntura é favorável e amanhã pode ser adversa. Uma das características no plano da economia internacional é a interdependência e, assim, a subida sistemática do preço do crude é de todo benéfica para os países produtores. No entanto, poderá causar a depressão dos países não produtores, que dependem fortemente do petróleo, pois a indústria e sectores como o agrícola e transportes são fortemente dependentes deste recurso.


Seguindo a conjuntura favorável de projecções de crescimento da economia mundial em cerca de 4 por cento, também se faz sentir a nível local, em que se prevê a sua retoma em 2022, ao apresentar melhorias em alguns indicadores que participam nesta estrutura, como a subida do preço do petróleo no mercado internacional. A ligeira melhoria permitirá a realização de receita necessária para contrapor a pressão sobre as reservas internacionais que seguiam um período de queda e o equilíbrio da dívida pública.


Numa fase em que se pretende atrair cada vez mais investimento estrangeiro para sectores da agricultura, indústria transformadora e outros, torna-se imprescindível acelerar a cadeia de processos, constituição e encerramento de empresas, que poderá ser uma opção para atrair mais investidores.


Outra medida passa pela competitividade fiscal, que é um factor que os países dispõem para a captação de investimento, visto que a ênfase na competição fiscal é um aspecto que retrai o investimento e os potenciais investidores podem deslocar-se imediatamente para países mais favoráveis ao acolhimento destes fundos de capitais de origem externa.


Portanto, incentivar cada vez mais o investimento estrangeiro nos sectores emergentes, dando abertura às operações de investimento e, desta forma, promover as regiões mais desfavorecidas sobretudo o interior do país, potenciando a criação de postos de trabalho e o crescimento económico.


Mais do que fomentar o investimento e a exportação de commodity, o desenvolvimento efectivo depende da produção em grande escala de bens e serviços e que o movimento de industrialização e de ajuste produtivo esteja ancorado numa forte economia agrícola. Assim, um aspecto que deverá ganhar importância nas políticas de fomento à agricultura, deve ser o incentivo para que as populações regressem ao campo para reactivar a economia agrícola, de forma a criar  poder às famílias agricultoras, os pequenos produtores e grandes projectos agro-industriais.
 
* Economista


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