Economia

Silos de Caconda entram em processo de alienação

Uma unidade de silos de Caconda, Huíla, com capacidade para armazenar mais de 2.500 toneladas de cereais, listada entre as 195 empresas e activos do Estado a privatizar, já está submetida a concurso público, de acordo com informações prestadas ontem, ao Jornal de Angola, pelo presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Huíla.

08/02/2020  Última atualização 09H24
Arão Martins | Edições Novembro | Huíla © Fotografia por: Presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Huíla

Ventura Atewa lembrou que os silos, instalados em 2012 para aumentar a capacidade de constituição de reservas alimentares na província, nunca estiveram operacionais, pelo que a privatização gera a expectativa de se melhorar o aproveitamento daquele empreendimento económico.
O responsável adiantou que nas mesmas condições está o silo implantado no mu-nicípio do Cuvango, mais de 300 quilómetros a leste da cidade do Lubango, o qual vai pertencer à fazenda Mumba, e o de Caluquembe, que já funciona e está “entregue em boas mãos”, uma referência à alienação desta úl-tima estrutura.
“A questão dos silos está quase fechada e vislumbra-se um futuro melhor: está aberto o concurso público e os que tiverem dinheiro podem concorrer para ficarem com os silos de Caconda, erguidos com fundos do Programa de Investimentos Públicos (PIP)”, afirmou o presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Huíla.
Disse que os armazéns são parte de um complexo agro-industrial que inclui instalações de secagem e armazenamento de milho, edificadas para permitir ao Estado ter reservas de cereais para fornecer às populações, principalmente os camponeses, durante os períodos de seca.
Os silos de Caconda, por nunca terem funcionários, geraram dificuldades para o armazenamento dos excedentes das famílias camponesas, as quais têm tido muitas dificuldades para criar stocks, pelo que só a privatização vai introduzir a dinâmica que se esperava daquelas estruturas.
“A privatização dos silos não é um problema, porque o Governo não pode assumir tudo. Essa era a grande dificuldade criada pelo Governo passado: tudo que é público não funciona. Por isso, deve haver as parcerias público-privadas. Os privados têm de desempenhar um papel fundamental e têm que fazer a sua parte”, defendeu.
Ventura Atewa informou que uma outra preocupação da Câmara de Comércio e Indústria da Huíla é a comercialização do milho: “há uma comissão que está a trabalhar e, provavelmente, este ano, teremos o grémio do milho reestruturado, para dar ao mercado do cereal a dinâmica que se impõe”.
O presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Huíla considerou que a cadeia de valor do milho é ampla, abarcando, além do cultivo, a produção de derivados industriais como a farinha e as rações, tendo, ainda, considerável utilização para a obtenção de compostos nutritivos e na indústria de bebidas.

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