Cultura

Show de trova e super caldo marcam Festival de Cultura

Analtino Santos

Jornalista

A trova, vozes femininas, hip hop, kuduro e semba marcaram culturalmente os últimos cinco dias do Especial Centenário do Festival Nacional da Cultura (FENACULT 2022).

28/11/2022  Última atualização 10H59
As Gingas do Maculusso, com a ajuda da plateia, exaltam a angolanidade no tema musical “Xiamy” © Fotografia por: Rafael Tati | Edições Novembro
Das actividades realizadas destaca-se o concerto da Trova, na quinta-feira, no Palácio de Ferro, o primeiro da série de espectáculos, que culminou ontem com o Caldo dos Caldos do Palco do Semba, no Centro Recreativo e Cultural Kilamba.

Antero Ekuikui do Duo Canhoto e Gabriel Tchiema foram os artistas escolhidos para o encerramento do  concerto de Trova, no Palácio de Ferro, no âmbito do FENACULT 2022. Na noite de quinta-feira, também, desfilaram pelo palco do Palácio de Ferro, nomes como Artur, Ester e Judith, Kendra, Júlio Gil, Dino Ferraz, Anabela Aya, Selda, Rosa Aires, Aninhas, Sara Dem, Rosa Baptista, Aninhas e Sara Dem.

Mário Santos, como mestre de cerimónia, fez uma breve apresentação da trova nacional o que justificou a escolha de Ekuikui e Gabriel Tchiema para a parte final. Foram os representantes da geração que marcou a fase áurea desta corrente musical no país, entre os primeiros anos da Independência e meados da década de 1980 do século passado.

Ekuikui, sem o companheiro Mito, por questões de saúde, representou o Duo Canhoto em "Não me provoques”, "África” e "Tata Ku Matadi”.

Ekuikui mais uma vez manifestou a intenção de editar o segundo disco, mas questões financeiras estão a complicar o sucessor de "Lado Esquerdo”, que marca a estreia do Duo Canhoto, grupo formado nas extintas FAPLA.

Gabriel Tchiema, fora da chianda, makoto, mitingue e outros ritmos do Leste, voltou a sua génese, primeiro recorreu a poesia de Agostinho Neto em "Meia Noite na Quinta” e depois na ro-mântica "Azwlula”.

Gabriel Tchiema finalizou, a sua actuação, em festa recorrendo para a cadência mais ritmada e como no passado apenas com voz e violão. Tchiema admitiu a possibilidade de produzir um concerto nesta linha do tempo da canção política e do meio militar como integrante do ASP de Cabinda.

O jovem Artur abriu com "Um Bouquet de Rosas” e mostrou o seu lado de "Matemática do Amor”, um original de Matias Damásio. As irmãs Ester e Judith apostaram em clássicos, primeiro com "Mbiri Mbiri” e encerram recordando o avô, Zé Keno, em "Filho Doente”.

Kendra, artista ligada ao movimento do hip hop, saiu da zona de conforto em "Liberdade no Ar” e "Espírito do Bem”.

Rosa Aires, Aninhas e Sara Dem, que são vozes muito requisitas como coristas e convidadas em alguns projectos musicais, tiveram o desafio da trova, trazendo temas noutros formatos para o concerto como "Athu Mujila”, "Mãe Weia” e "Omboio”, as duas últimas do cancioneiro tradicional trazidas pelo Duo Canhoto. Neto não faltou primeiro com Rosa Aies em "Havemos de Voltar” e depois a dupla Aninhas e Sara Dem em "Caminho do Mato”.

Júlio Dinis também recorreu a veia poética de Manguxi em "Mussunda Amigo” e animou a plateia em "Mungueno” de Waldemar Bastos. Dino Ferraz, compositor em ascensão, da sua lavra cantou "Minha Amada, tendo mostrado o lado de interprete em "Minha Terra” e "Crucifixo”, trazendo dois dos expoentes máximos da trova angolana: José e Moisés Kafala.

Anabela Aya e Selda, vozes familiarizadas com a trova, cantaram Neto em "Renúncia Impossível” e "Adeus à Hora da Largada”. A cantora de "Tic Tac” moldou, a seu jeito, "Marimbondo”, para  reviver Waltemar Bastos, enquanto a "Morena de Cá” interpretou "Reviravolta”,  de Jomo Fortunato, tema que consta do seu álbum e recorrente em apresentações.

 O concerto teve produção das Mentes Fabulosas, com a direcção artística de Guelmo Cruz. No passado despontaram Os Irmãos Kafala, Duo Missosso (Filipe Mukenga e José Agostinho), Beto Gourgel, Waldemar Bastos, Trio Vikeia, Zé Fixe, Armando Rosa, Ma-nuel Curado, Trio Melodial, Quarteto Akapaná, Dom Caetano e Zeca Sá, Gabriel Tchiema e Mito Gaspar.

 

Encontro de gerações

O dia de ontem, apesar da chuva que se abateu sobre a cidade de Luanda, foi, essencialmente, dedicado à música de matriz angolana, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, com a presença de artistas de diferentes gerações e estilos com o semba em destaque. O evento foi uma produção da Mbaxi Eventos e o Muzonguê da Tradição.

O Semba Muxima, Banda Movimento, Os Jovens do Prenda, Carlos Lamartine, Massano Júnior, Calabeto, Dom Caetano, Lulas da Paixão, António Paulino, Robertinho, Voto Gonçalves, Dina Santos, Elisa Barros, Moniz de Almeida, As Gingas do Maculusso, Legalize, Margareth do Rosário, Tunjila Tua Jokota, Jojó Gouveia e outros animaram o evento.

Na edição da amanhã traremos a reportagem mais alargada.

Outras concertos

Na sexta-feira dois momentos foram vividos: Vozes Femininas e o Hip Hop em extremos diferentes da província de Luanda, no Benfica e Cazenga. Realizados em simultâneo e para públicos diferentes, como confirmação da diversidade do FENACULT.

No Espaço Pérola do Ndongo aconteceu o  Palco das Vozes Femininas, com um espectáculo que no cartaz constavam nomes como: Dina Santos, As Gingas do Maculusso, Margareth do Rosário, Bela Chicola, Heroide, Familia Duia, Alexandra Bento, Karina Santos e Grupo de Dança Etu Tueza.

Depois de ter acolhido o Festival de Dikanza, o Marco Histórico do Cazenga recebeu o Festival de Hip Hop onde partilharam o palco artistas consagrados e nomes emergentes deste segmento musical.

Kool Klever, Dji Tafinha, Kalibrados (OG Vuino e Kadaff) TRX Music, Mobbers, Elenco de Luxo, Kendra, Dj Callas, MCK e Army Squad.

Sábado, a festa do FENACULT foi nos Quatro Campos, em Viana, com um espectáculo de kuduro e mais uma vez Nagrelha foi homenageado pelos colegas, que em breve prometem realizar um grande espectáculo dedicado ao Estado Maior do Kuduro.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Cultura