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Serviços secretos apontam responsabilidade externa

A Agência Nacional de Inteligência e Segurança (NISA) da Somália acusou, segunda-feira, um “país estrangeiro” de planear o atentado de sábado que causou, pelo menos, 92 mortos e 125 feridos em Mogadíscio.

31/12/2019  Última atualização 19H00
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“Apresentámos às autoridades nacionais um relatório inicial que indica que o massacre do povo somali em Mogadíscio, em 28 de Dezembro de 2019, foi planeado por um país estrangeiro”, indicou a NISA, na conta oficial na rede social Twitter divulgado pela AFP, sem revelar qual o país em causa ou avançar com quaisquer provas relativas a esta acusação. O serviço de espionagem somali acrescentou: “trabalharemos com algumas agências de inteligência do mundo na investigação em curso”. A mensagem da NISA sucede a uma notícia do jornal turco “Yeni Safak”, que garante que os Emirados Árabes Unidos estão por detrás do massacre, não citando, porém, qualquer fonte que sustente a informação.
O ataque de sábado foi o mais mortífero desde Outubro de 2017, provocando, pelo menos, 92 mortos e 125 feridos, de acordo com dados do hospital de Mogadíscio avançados à agência noticiosa Efe, ainda que o Governo somali mantenha o número de mortes em 81.
Um avião da Força Aérea turca aterrou, segunda-feira em Mogadíscio com toneladas de material e 24 médicos, enquanto foram transferidos 16 somalis em estado crítico, assim como os corpos dos dois engenheiros turcos que morreram no ataque.
O atentado ocorreu no sábado de manhã, quando um presumível suicida, fez explodir à hora de ponta um camião armadilhado que conduzia junto a um posto de controlo numa estrada utilizada pelos veículos que saem e entram em Mogadíscio a partir da cidade de Afgoye.

Al-Shabab reivindica autoria

Os rebeldes islamitas somalis do al-Shabab reivindicaram, segunda-feira, contra um posto de controlo rodoviário na capital da Somália.
O atentado fez pelo menos 92 mortos, entre os quais dois cidadãos turcos, 16 estudantes da universidade privada de Banadir, cujo autocarro passava no posto de controlo na altura da explosão.
"O ataque já reivindicado pelos rebeldes mujahidines foi contra uma coluna de mercenários turcos e milicianos apóstatas que os escoltavam", deu a conhecer o porta-voz dos rebeldess islâmicos somalis do al-Shabab, Ali Mohamud Rage, numa mensagem áudio.
Na mesma mensagem, e pela primeira vez, os extremistas pedem desculpa pelas vítimas civis provocadas pelo ataque, argumentando que a acção foi necessária no âmbito da luta contra o Estado somali e contra os apoiantes estrangeiros.
A Somália vive em estado de conflito e caos desde 1991, quando foi derrubado o então Presidente Mohamed Siad Barré, o que deixou o país sem Governo efectivo e nas mãos de milícias islamitas e senhores da guerra.
Depois do atentado chegam palavras de esperança. O Presidente Mohamed Abdullahi Mohamed, prometeu uma recuperação rápida e disse não ter dúvidas de que o carro-bomba tenha sido responsabilidade do grupo al-Shabaab com apoio externo.
Mohamed Abdullahi acusou o grupo de destruição e de sabotar o futuro da Somália. "al-Shabab não constrói, mas destrói, não constrói escolas, não constrói instalações de saúde, não alimenta as pessoas, não alimenta o futuro das crianças, nasceu para sabotar o desenvolvimento de todos, matar as nossas crianças e manchar todo o futuro deste país.", disse o Presidente em comunicado televisivo.
Momento depois do atentado pediu-se a outros pacientes, familiares e inclusive a médicos, enfermeiras e pessoal do hospital que doassem sangue com urgência para ajudar as vítimas.
A capital sofre frequentemente ataques reivindicados pelo grupo al-Shabaab, uma organização extremista que se filiou em 2012 na al-Qaeda e que controla parte do Centro e do Sul do país.

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