Política

Sergio Mattarella apoia reformas políticas e económicas em Angola

O Presidente da Itália, Sergio Mattarella, voltou a manifestar hoje, em Luanda, a disponibilidade do seu país em apoiar as reformas políticas em curso e os desafios do crescimento económico.

07/02/2019  Última atualização 07H52
Santos Pedro | Edições Novembro © Fotografia por: Mattarella diz que Angola é a força motriz para a estabilidade na região da SADC.

Ao discursar na reunião plenária solene da Assembleia Nacional, realizada  hoje por ocasião da sua visita oficial,  o Chefe de Estado italiano  disse que Angola pode contar, "a qualquer momento", com a amizade leal e apoio da Itália, instituições, e do seu povo no seu processo de crescimento.

Considerou Luanda, " ponto estratégico das ligações entre a Europa, África e Ásia e força motriz para a estabilidade na região e crescimento dos países vizinhos".Lembrou que Angola joga um papel importante para o fortalecimento da estabilidade e segurança na África Austral e na região dos Grandes Lagos.

Para Sergio Mattarella o processo de intensificação das relações com o continente africano, o seu país e a União Europeia contam com a interlocução de países como Angola que "realizaram um caminho desafiador de reconciliação e paz, de crescimento e avanços económicos".

Recordou que a cooperação entre Angola e Itália não se cinge apenas aos domínios económicos e das energias. Para ele, os amplos e férteis territórios, o oceano, as maravilhas naturais e monumentos históricos, permitem projectar uma cooperação em sectores como a agro-indústria, energias renováveis e turismo.

"Os finos mármores da Huíla, a construção e gestão dos caminhos- de-ferro, a protecção das costas angolanas, as telecomunicações e a sustentabilidade ambiental, são realidades de trabalho já consolidadas e que devemos robustecer", realçou o Presidente Sergio Mattarella.

Relações seculares

Numa altura em que se celebra o 43º aniversário do reconhecimento por parte da Itália da Independência da República de Angola, Sergio Mattarella falou da causa da Independência de Angola e de outros países de Língua Portuguesa com o apoio da Itália.

Sergio Mattarella assinalou que o interesse de conhecimento recíproco entre os países tinha raízes antigas, e evidenciou as vicissitudes do primeiro embaixador angolano que chegou à Roma, em 1608. \"A cidade de Roma que acolhe os restos mortais deste pioneiro da amizade itálo-angolana dedicou ao príncipe António Manuel Nevunda um precioso busto de mármore conservado na Basílica de Santa Maria Maior\", disse o Presidente italiano, ao repassar que no Palácio do Quirinal, sede da Presidência da República italiana, o príncipe angolano é recordado num fresco salão mais amplo do palácio.
Destacou também as comoventes crónicas da obra dos padres capuchinhos em Angola e a intensa proximidade espiritual entre a Rainha Ginga e o padre Antonio Cavassi, que constituem uma das páginas da construção da história comum.

Falou das obras de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos (PEPETELA), de Ana Paula Tavares e do próprio Agostinho Neto, pai da pátria, cuja poesia foi publicada na Itália em 1963. Sergio Mattarella relembra o Pavilhão angolano na exposição de arte em Milão como "demonstração das potencialidades extraordinárias", bem como, a riqueza cultural de Angola, validada pela UNESCO com a elevação do centro histórico da cidade de Mbanza Kongo a património da humanidade.
 
Cooperação com África

O Presidente disse que a Itália, terceiro maior investidor em África depois da China e os Emirados Árabes Unidos, com a sua estrutura empresarial de pequenas e médias empresas, pode representar um modelo valioso, pela capacidade de realizar laços entre empresas, território e comunidade. \"A Itália reitera com convicção que pretende intensificar as relações com o continente africano, bem como ampliar o seu âmbito e os seus objectivos\", disse.   

Sergio Mattarella destacou que a recente Conferência Itália-África, em Roma realçou  a parceria paritária e desenvolvimento partilhado, a transferência de conhecimento e de experiência e um recíproco desenvolvimento cultural, reconhecendo que a interdependência entre o Mediterrâneo e a África subsaariana é uma realidade suportada por um corredor que vai do Golfo da Guiné ao Golfo do Adén.

Para o Presidente italiano é fundamental aprofundar a interacção e parceria entre as duas realidades para favorecer todas as iniciativas e investimentos que visam apoiar as perspectivas das novas gerações."África é o continente de hoje, protagonista de mudanças extraordinárias. Esta consciência deve guiar e orientar as nossas acções. Se é verdade que a população africana duplicará até 2050, o desafio com que o continente se vai deparar é o de criar, a cada ano, cerca de 15 milhões de novos empregos".

Sergio Mattarella falou das migrações em massa, considerando-as "espoliação mais dolorosas do futuro de um território e representam a rendição aos flagelos endémicos, que afligem a humanidade como a guerra, a fome e doenças”.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Política