Opinião

Sentido de Estado

Luciano Rocha

Jornalista

Os servidores de Estado, independente das funções que exerçam, desde as aparentemente menos importantes às outras, têm de ser, em primeira instância, isso mesmo, cumpridores exímios das tarefas que aceitaram, livremente, desempenhar, mesmo que a prazo.

27/01/2022  Última atualização 06H30
Os servidores do Estado têm de ser, por jura de honra, nem mais, nem menos, do que isso mesmo: pessoas de bem, devotas à defesa dos interesses da sociedade da qual fazem parte - mesmo que julguem que não -, independente de género, idade, posição  social, económica, profissional, nível de escolaridade, local de nascimento, tom da epiderme. As sociedades são resultados da soma dessas diferenças, que juntam saberes e experiências. Sem exclusões. 

Os servidores do Estado não podem, seja em que circunstância, ser enfatuados. Quer  vistam fatos ou não. Uma coisa nada tem a ver com a outra. Hipocrisia, apropriação de bens alheios, isto é, não adquiridos com dinheiros próprios,estão-lhes, igualmente, vedados por jura de honra. Tal como as práticas de nepotismo, amiguismo, compadrio, troca de favores,  chamem-lhes os nomes que entenderem, que preterem honestidade, competências e experiências, enxameando serviços públicos no Universo inteiro, de uma ponta à outra.

Os conteúdos daquele capítulo do "compêndio da vigarice” conhece a maioria dos angolanos bem demais: estão reflectidos na acção devastadora de uma minoria que se arrogou o direito de ser "dona e senhora” de  um país, a sarar, então, as feridas de guerras sucessivas obrigado a travar para manter a integridade territorial.

Angola, mal refeita do sobressalto de estar à beira da bancarrota e da crise petrolífera, que lhe estagnou obras e programas, foi atingida pela Civid-19, sem a quantidade e qualidade de unidades e profissionais de saúde. Foi mais uma consequência da actuação da gatunagem de "colarinho branco”, a espelhar a falta de sentido de Estado de quem prometeu, em jura de honra, servi-lo, mas fez ou faz exactamente o contrário, serve-se dele.

A falta de sentido de Estado é um mal que se tem generalizado pelo Mundo, inclusivamente pelos países que se apresentam como exemplos a seguir. Experimente o leitor mais distraído, absorvido pelas agruras da vida, antes de adormecer, deixar a mente viajar pelo Globo de uma ponta a outra, continente a continente, nação a nação. Vai ver como arregala os olhos de espanto, solta exclamações de indignação, até gargalhadas com as mentiras que ouve, as contradições de quem faz  a provar leis que as não cumprem, são traições matrimoniais, frases ditas por quem se esquece de desligar o microfone.

Todos aqueles "passos em falso” e muitos mais ocorrem em palácios, residências oficiais, salas ovais ou com qualquer outra configuração, templos religiosos, no Estado do Vaticano. Alguns daqueles "descuidos” passavam despercebidos se fossem protagonizados por cidadãos comuns. Acontece que não são. Trata-se de gente com responsabilidades na vida pública, com deveres de Estado. Uns assumidos,  outros por sucessão, como,  nas monarquias.

A divulgação daqueles acontecimentos, entre tantos outros, levanta sempre questões, como as de liberdade de informar e ser informado e direito à privacidade. A verdade é que figuras públicas, designadamente, as servidoras de Estado, em democracia, além de sujeitas à Crítica, sabem estar permanentemente expostas à opinião de  quem as vê e ouve. Por isso estão obrigadas, por juramento de honra, a ter comportamentos consentâneos com as funções que desempenham. E nenhuma delas é de autoritarismo, arrogância, desrespeito pelos direitos dos outros.

Os servidores do Estado, independentemente das funções que exerçam, desde as aparentemente menos importantes à outras, têm de ser, por jura de honra, nem mais, nem menos do que isso: pessoas de bem.

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