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Senegaleses elegem hoje o Presidente da República

Depois de nos últimos meses o país se ter agitado com uma série de inaugurações de novos projectos, a hora da verdade finalmente chegou hoje, com cerca de 6 milhões e meio de senegaleses a irem às urnas dizer em quem confiam para seu futuro Presidente.

24/02/2019  Última atualização 08H49
DR © Fotografia por: Macky Sall goza de boa reputação por ter implementado grandes projectos de impacto social

Na linha da frente, lutando para a vitória que lhe valeria um segundo mandato, está o actual Presidente, Macky Sall, o homem que impulsionou, entre outros projectos, a inauguração recente de uma linha de caminhos de ferro, de uma nova ponte e do Museu da Civilização Negra.

Tratam-se de projectos de grande envergadura e com forte impacto na vida do país, mas que estão desde logo carimbados com o selo da “propaganda política”, conforme foi devidamente sublinhado pela oposição durante a campanha eleitoral.
Actualmente com 57 anos de idade, Macky Sall chegou ao poder em 2012, mas só agora é que decidiu mostrar os resultados do trabalho que disse estar a desenvolver mas que, de acordo com os seus críticos, poucos frutos até agora deram à população, sobretudo a mais jovem.
Num país onde metade da população vive nos limites da pobreza e onde a juventude é quem mais sofre com a elevada taxa de desemprego, aquilo que a oposição exigia do Presidente era que ele desenvolvesse projectos que possibilitassem a criação de postos de trabalho, o que não sucedeu.
Independente desde 1960, o Senegal tem a seu favor o facto de ser um modelo de estabilidade no continente, com sucessivas transições pacíficas do poder, pelo que não se espera que estas eleições fujam aquilo que tem sido a nota dominante nestes quase 60 anos de vida.

Críticas da oposição
Isto, porém, não impede que a oposição tenha apontado as suas críticas pela forma como este processo eleitoral foi preparado, sobretudo pelo facto do Conselho Constitucional ter barrado a candidatura de dois dos principais críticos do regime.
Tanto Khalifa Sall, o popular antigo governador de Dakar, como Karim Wade, filho de um antigo Presidente, foram impedidos de concorrer às eleições presidenciais por causa de alegado envolvimento em casos de corrupção.
Esses impedimentos levaram dois dos principais partidos do país, o Partido Socialista e o Partido Democrático do Senegal, a considerarem pública e repetidamente que o processo eleitoral era “fraudulento” e que o nome do futuro Presidente já estava “antecipadamente marcado”.
Como lhe competia, o Governo desmentiu todas as acusações de interferência nos assuntos da Justiça, mas a verdade é que o futuro político de Macky Sall fica mais risonho sem a concorrência de Khalifa Sall e de Karim Wade.
De entre as cinco candidaturas aprovadas para as eleições presidenciais de hoje apenas duas têm alguma possibilidade de competir, mesmo assim com dificuldade, com a do actual Presidente.
Trata-se da de Idrissa Seck, um antigo primeiro-ministro que beneficia do apoio de Khalifa Sall e de Ousmane Sonko, um antigo inspector de finanças muito popular entre a juventude.
Os outros dois candidatos são El Hadji Issa Sall, que lutou durante a campanha pela conquista dos votos dos religiosos e conservadores, e Madicke Niang, um antigo ministro que foi um dos grandes aliados do antigo Presidente Abdoulaye Wade que pediu o boicote a estas eleições por não as considerar “democráticas”.
Aos 92 anos de idade, Abdoulaye Wade, figura política de destaque no Senegal desde 1970, ficou de fora da corrida mas não se cansou de apelar aos eleitores para que, no dia das eleições, atacassem as mesas de voto e queimassem os boletins, o que lhe custou ameaças públicas por parte das autoridades que o acusaram de estar a incitar à “insurreição”.
Analistas locais consideram que Macky Sall reúne um quase absoluto favoritismo, que só pode ser contrariado se nas eleições de hoje não conseguir mais de 50 por cento dos votos, uma vez que numa eventual segunda volta corre o risco de ser confrontado com os votos conjuntos de todos os outros candidatos, um cenário que muito dificilmente ocorrerá mas que nunca se pode descartar.

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