Mundo

Senadora diz que comissão pode indicar acusações

A senadora republicana e um dos membros do Comité da Câmara de Representantes que está a investigar o ataque ao Capitólio dos EUA, Liz Cheney, admitiu, no domingo, que, apesar do âmbito do painel não ser jurídico, este pode indicar várias acusações a ser avaliadas pelo ramo da Justiça norte-americana, contra o antigo Presidente Donald Trump.

05/07/2022  Última atualização 08H55
© Fotografia por: DR

Numa entrevista à ABC, citada, ontem, pela Reuters, Cheney - que saltou para a ribalta quando contrariou abertamente as "mentiras” do antigo presidente do seu próprio partido, relativamente a acusações de fraude eleitoral - disse ainda que o Departamento de Justiça não precisa de esperar pelo final dos trabalhos do comité para começar a acusar Donald Trump.

"O Departamento de Justiça não precisa de esperar que o comité dê indicações de acusação. Pode haver mais do que uma indicação”, acrescentou. Cheney afirmou, no entanto, que a única entidade responsável por acusar Trump é a Justiça, demarcando-se mais uma vez dessa função. Mas não deixou de comentar que é necessário haver consequências para os responsáveis pelo ataque.

"A minha maior preocupação é o que isto significa se pessoas não foram responsabilizadas pelo que aconteceu aqui”, respondeu, questionada sobre uma hipotética acusação formal a Trump durante um mandato de Biden.

Nunca nenhum Presidente dos Estados Unidos foi formalmente acusado por quaisquer crimes, seja em funções ou após a saída da Casa Branca. Mas os testemunhos cada vez mais im-pactantes e danosos para Donald Trump, apresentados pelo comité de investigação, tem 'pintado' o antigo Presidente como um dos principais e mais conscientes responsáveis pelo ataque ao edifício do Congresso, a 6 de Janeiro de 2021, que matou cinco pessoas e feriu dezenas de polícias. O ataque, por apoiantes de Trump e milícias de extrema-direita, surgiu depois do Presidente incitar a população a marchar sobre o Congresso, numa altura em que as duas câmaras legislativas certificavam o resultado das eleições de 2020, que deram a vitória a Joe Biden.

Liz Cheney, uma congressista republicana (e filha do antigo Vice-Presidente Dick Cheney), é uma das republicanas mais críticas do mandato de Trump, o que lhe valeu uma queda na liderança do Partido Republicano e o investimento de Trump nos seus rivais estaduais e nacionais.

Mas Cheney não desarmou, e na entrevista, considerou que é "uma ameaça constitucional muito grave que um Presidente possa ter este tipo de actividades e que a maioria do partido do Presidente olhe para o lado”.

A senadora vincou a gravidade da situação ao avaliar "a perspectiva do tipo de homem que sabe que uma multidão está armada e a manda atacar o Capitólio, e a incita quando o seu próprio Vice-Presidente está sob ameaça”.

A investigação e as acusações contra Donald Trump vão-se amontoando, cerca de um ano e meio depois de este sair da Casa Branca, numa altura em que o próprio Trump está a considerar uma tentativa de conseguir um segundo mandato na Casa Branca. Para já, há eleições intercalares (ou 'Midterms'), nas quais o antigo Presidente tem tido altos e baixos ao promover candidatos republicanos seus aliados nas primárias dentro do próprio partido. Mas Cheney é clara quanto a uma possível segunda presidência de Trump: "Um homem tão perigoso como ele não pode absolutamente estar perto da Sala Oval outra vez”.

Comentários

Seja o primeiro a comentar esta notícia!

Comente

Faça login para introduzir o seu comentário.

Login

Mundo