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Secretário-Geral da ONU pede fim da violência

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, exortou todos os afegãos a pararem de imediato com a violência no país, num relatório enviado este fim-de-semana ao Conselho de Segurança da organização.

06/09/2021  Última atualização 03H00
António Guterres convocou um encontro internacional para reforçar a ajuda humanitária © Fotografia por: DR
Apelo ao fim imediato da violência, ao respeito pela segurança e pelos direitos de todos os afegãos e ao cumprimento das obrigações internacionais do Afeganistão, incluindo todos os acordos internacionais a que o país aderiu", escreveu Guterres num documento a que a agência de notícias francesa AFP teve hoje acesso.

"Exorto os talibãs e todas as outras partes a darem provas da máxima contenção para a protecção de vidas e para garantir a satisfação das necessidades humanitárias", acrescentou o Secretário-Geral da ONU no mesmo documento, que foi elaborado no âmbito da renovação do mandato da missão das Nações Unidas no Afeganistão, que termina em 17 de Setembro.

Os talibãs, que tomaram o poder no Afeganistão nas últimas semanas, afirmaram ontem que ganharam terreno no vale de Panshir, último grande reduto da resistência armada que têm no país.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a crise humanitária no Afeganistão atinge 18 milhões de pessoas, ou seja, metade da população.

O programa de resposta humanitária da ONU no Afeganistão só tem 38% de financiamento assegurado, pelo que a organização precisa, com urgência, de mais 800 milhões de dólares (cerca de 675 milhões de euros), segundo o relatório de António Guterres citado pela AFP.

"Apelo a todos os dadores a que renovem o seu apoio, para que resposta vital seja reforçada com toda a urgência, entregue a tempo, e para que o sofrimento seja atenuado", escreveu o Secretário-Geral da ONU.

Guterres convocou um encontro internacional para 13 de Setembro em Genebra (Suíça) com o objectivo de reforçar a ajuda humanitária para o Afeganistão. O Secretário-Geral das Nações Unidas pediu também a "todos os países que aceitem acolher refugiados afegãos e se abstenham de qualquer expulsão". "As informações sobre restrições graves aos Direitos Humanos em todo o país são muito preocupantes, em particular os relatos de violações crescentes dos Direitos Humanos contra as mulheres e as meninas afegãs, que fazem recear um regresso aos dias mais sombrios", sublinhou Guterres.

"É essencial que os direitos duramente conquistados pelas mulheres e meninas afegãs sejam protegidos. É, igualmente, essencial que haja um Governo inclusivo que represente todos os afegãos, incluindo as mulheres e os diferentes grupos étnicos", acrescentou, num momento em que o novo executivo do país ainda não foi apresentado.

Os talibãs conquistaram Cabul e o poder no Afeganistão em 15 de Agosto, culminando uma ofensiva iniciada em Maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no seu território o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.

A tomada da capital pôs fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e dos seus aliados na NATO, incluindo Portugal. Os talibãs adiaram no sábado, novamente, o anúncio do seu Governo, cuja composição deverá dar o tom para os próximos anos no Afeganistão.

  Papa pede protecção dos refugiados

O Papa Francisco pediu, ontem, aos países que acolham os afegãos que procuram refúgio "nestes momentos turbulentos", desejando que "este povo possa viver em dignidade, paz e fraternidade".


"Nestes momentos turbulentos, em que os afegãos procuram refúgio, rezo pelos mais vulneráveis, para que muitos países acolham e protejam quem busca uma vida nova e também oro pelos deslocados internos, para que recebam a assistência e protecção necessárias", disse o Papa, após a celebração dominical do Angelus.


O Papa desejou ainda que "os jovens afegãos recebam educação, essencial para o desenvolvimento humano" e que "todos os afegãos, tanto em casa como em trânsito ou nos países de acolhimento, vivam com dignidade, em paz e fraternidade com seus vizinhos".


O aeroporto de Cabul retomou os voos nacionais no sábado após ter paralisado em 15 de Agosto último, garantindo apenas voos de evacuação até segunda-feira, quando saíram do país as últimas tropas norte-americanas.
Segundo relatórios, as forças dos EUA, as últimas forças estrangeiras a deixar o Afeganistão, destruíram algumas instalações e equipamentos técnicos no aeroporto de Cabul antes de deixar o país.


O Papa lamentou ainda as mortes e danos causados pelo furacão Ida nos Estados Unidos, que matou quase cinquenta pessoas na região Nordeste e causou grandes danos.


"Que o Senhor receba as almas dos mortos e apoie todos os que sofrem com esta calamidade", frisou, a propósito do furação Ida, considerado o quinto furacão mais forte da história dos Estados Unidos.


O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, visitará os estados de Nova York e Nova Jersey na terça-feira para verificar os estragos causados no terreno, anunciou a Casa Branca no último sábado.

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