Economia

Satec paralisada deixa governador indignado

A fábrica têxtil Satec, do Dondo, Cuanza-Norte, que em 2015 concluiu um processo de modernização de dois anos que absorveu fundos públicos cifrados em 680 milhões de dólares, mantém-se paralisada, algo considerado “inaceitável” pelo governador provincial quando, na quinta-feira, visitou a unidade.

28/04/2019  Última atualização 10H59
Manuel Fontoura | Edições Novembro | Dondo © Fotografia por: Satec entra para o quarto ano de paralisação sem cumprir os objectivos propostos pelo Estado

“Não posso aceitar que uma fábrica desta dimensão, totalmente requalificada e apetrechada, numa província onde há muitos jovens desempregados, não funcione”, disse Adriano Mendes de Carvalho, considerando o estado da unidade como “de quase abandono”.
O governador do Cuanza-Norte prometeu estabelecer contactos com os Ministérios da Indústria e das Finanças para reverter a situação da fábrica, colocando-a a funcionar e a cumprir os objectivos para os quais recebeu investimentos, ligados à produção, geração de emprego e rendimentos.
Em informações obtidas durante a visita, o Jornal de Angola soube que, em actividade, a Satec pode empregar mais de 1.500 operadores de máquina, tecelães, trabalhadores para a área de tingimento, corte e costura, administração, cozinha e limpeza, além de gerar 600 empregos indirectos.
O director fabril, Alexandre Neto, afirmou que, em 2014, foram formados cerca de 600 operadores que deveriam trabalhar com as máquinas ali montadas, os quais até ao momento permanecem sem emprego. “Nos cursos, aprenderam técnicas de tecelagem, tingimento e confecção do produto final.”
Catorze dos empregados que controlam as instalações encontram-se há 22 meses sem receber os seus ordenados, de acordo com o director fabril.
A Satec está concebida para produzir, no auge da sua actividade, 180 mil camisolas, 150 mil camisas e 480 mil metros de tecido “jeans” por mês, o que podia reduzir de maneira substancial os custos de importação destes produtos.
Construída numa área total de 88 mil metros quadrados, dispõe de áreas para a produção de malhas de tecido, armazéns para produtos químicos, algodão, roupas, caldeiras, área de tratamento de água para tingir e refeitório com capacidade de 600 lugares.
O recinto adjacente à fábrica dispõe também de uma creche para 50 crianças, para beneficiar os filhos de trabalhadoras e de outras pessoas da comunidade.
Embora esteja projectada a instalação de postos de transformação de electricidade, actualmente a energia é gerada por grupos geradores próprios, enquanto a água provém de três furos artesianos com capacidade de fornecimento de três mil metros cúbicos por dia.
O director fabril atribuiu a inoperância da fábrica à falta de algodão, a principal matéria-prima, que vai ser importada da Grécia e da Índia. Para a sustentação da produção são necessárias 6.300 toneladas de algodão por ano.
O projecto faz parte de um lote de três unidades reabilitadas com financiamento do Governo do Japão, nas províncias de Luanda, Benguela e Cuanza-Norte, todas concluídas com um orçamento global de mil milhões de dólares.

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