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São Tomé e Príncipe: Candidatos tentam convencer indecisos

António Canepa

A 24 horas das eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe, os candidatos tentam convencer eleitores indecisos com discursos prometedores.

16/07/2021  Última atualização 05H00
Proibidos comícios, dia de ontem ficou marcado com passeatas dos representantes dos candidatos © Fotografia por: Miqueias Machangongo | Edições Novembro| São Tomé
No tempo de antena e nos discursos nas redes sociais, os concorrentes prometem um país cada vez melhor, virado para o desenvolvimento e uma vida melhor para cada um dos cidadãos são-tomenses.

Apesar de estarem proibidos os comícios, o dia de ontem ficou marcado pelas passeatas dos representantes dos candidatos que, recorrendo ao uso de aparelhos de som de elevados decibéis, percorriam as avenidas da capital São Tomé até altas horas da noite, à caça de voto de cidadãos indecisos que, pelos vistos, não são poucos, tendo em conta a difícil situação económica que o país atravessa. Em conversas de rua nota-se alguma indecisão de muitos cidadãos, que dizem nada ganhar com as eleições.

"Cada vez é a mesma coisa, os candidatos vencem as eleições, mas a nossa vida não muda nada, por isso ainda não sei se vou votar no domingo”, disse dona Amélia das Neves, funcionária pública que aceitou falar à reportagem do Jornal de Angola.
Ainda assim, hoje, último dia, e amanhã , dia de reflexão, estão previstas algumas actividades de apoio aos candidatos em várias avenidas e ao redor do antigo Mercado Municipal da capital.

Dezenas de pequenas bandeiras penduradas em postes e árvores, cartazes com a cara dos concorrentes colados em vedações e árvores ‘marcam’ o espaço da candidatura. E as inevitáveis colunas, a emitir músicas com decibéis demasiado elevados para o sistema auditivo de quem quer conservar os tímpanos durante longos anos. Junto a estes locais, concentram-se algumas pessoas.

Guilherme Posser da Costa, do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata (MLSTP-PSD, partido no poder), mas principalmente Carlos Vila Nova e Delfim Neves, são os candidatos mais visíveis, com os espaços intercalados com bancas de venda de todo o tipo de produtos, desde alimentos a roupa, ao longo de algumas centenas de metros à beira da estrada.

Muitos cidadãos continuam, no entanto,  apreensivos, tendo em conta o elevado número de concorrentes às presidenciais, 19 ao todo, onde sobressaem o candidato Posser da Costa, apoiado pelo maior partido na coligação governamental, o MLSTP, e o candidato Delfim Neves, apoiado pelo Partido de Convergência Democrática, e Vila Nova, apoiado pelo partido Acção Democrática Independente, ADI.

O analista e sociólogo Olívio Diogo disse que o excesso de candidatos para a cadeira de Presidente da República banaliza o cargo.
Para as presidenciais deste ano, o número total de eleitores inscritos é de 123.302.

Segundo o presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Fernando Maquengo, do total dos 123.302 eleitores, 108.609 são residentes no território são-tomense, num total de 262 mesas espalhadas por todo o país, enquanto 14.693 são da diáspora, com um total de 42 mesas em 10 países, onde os cidadãos foram submetidos a um novo recenseamento eleitoral de raiz.

Da lista dos 108.609 eleitores residentes, o Distrito de Água Grande lidera, 40.942 inscritos, seguido de Mé-Zhoci com 26.855, Lobata com 11.552, Cantagalo com 10.552, Lembá 8.766, Região Autónoma do Príncipe com 5.964 e Cauê com 4.448.

Quanto à diáspora, num total de 14.693 eleitores, Portugal lidera com 7.378 inscritos, Angola com 3.254, Reino Unido com 1.509, Gabão com 1.498, Cabo Verde com 481, Guiné Equatorial com  216, França com  204, Bélgica com 77, Luxemburgo com  55 e Holanda com 21.
O Distrito de Água Grande lidera, também, no número de mesas de voto no território nacional, com o total de 87 mesas, seguido de Mé-Zhoci com 60 mesas, Cantagalo 30, Lobata 29, Lembá 24 e depois a Região Autónoma do Príncipe e Cauê, com 16 mesas cada.
Relativamente à diáspora, Portugal lidera com 15 mesas de voto, seguido de Angola e Reino Unido com 6 mesas cada, Gabão com 5, Cabo Verde e Guiné Equatorial com 3 cada, França 2, Bélgica 1 e Luxemburgo 1.

O presidente da CEN assegurou que durante o processo de votação será assegurado todo o respeito às medidas sanitárias face à pandemia da Covid-19, com realce para o uso obrigatório da máscara, a higienização das mãos e distanciamento físico.
Ontem, procedeu-se ao credenciamento dos jornalistas nacionais e estrangeiros, entre eles os do Jornal de Angola, para a cobertura do acto eleitoral de domingo, dia 18 de Julho.

António Canepa/ São Tomé

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