Desporto

Sagrada Esperança contraria prognósticos com o título

Paulo Caculo

Jornalista

O Girabola'2020/2021 fechou as "cortinas" no sábado, com a consagração do Sagrada Esperança no pódio da classificação, pela segunda vez, depois do inédito título alcançado em 2005.

02/08/2021  Última atualização 04H35
Comandados de Roque Sapiri fizeram a festa no relvado do Estádio 11 de Novembro, em Luanda © Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
Apesar de já ter sido campeão, ao Sagrada Esperança não eram depositadas as apostas no que à luta pelo título diz respeito. Os lundas entraram para a 43ª edição do campeonato como nas épocas anteriores, ou seja, definindo como meta a melhoria da posição anterior na tabela de classificação.

Ao contrário dos "crónicos" candidatos ao título, Petro e 1º de Agosto, o facto de o Sagrada ter encarado a competição sem pressão, pode ter sido fundamental para uma época de sucesso.

O grande mérito dos novos campeões nacionais esteve na capacidade de colher os pontos fáceis, diante de equipas do seu campeonato e discutir "palmo a palmo" os jogos teoricamente complicados, frente aos potenciais concorrentes. Diga-se, nesse particular, os diamantíferos passaram incólumes pelo 1º de Agosto (com registo de empate e vitória), e ante o Petro de Luanda, a quem derrotaram nos dois jogos.

A entrada dos diamantíferos na discussão pelo título começou a ganhar corpo a partir da 18ª jornada, altura em que a equipa orientada por Roque Sapiri chegou a liderar o campeonato. Mas teria sido desde a 27ª ronda que as probabilidades de o Sagrada ser campeão se tornaria mais evidente, dado o facto de passar a depender apenas de si mesmo para lograr o "caneco".

Embora estivesse evidente as hipóteses de os diamantíferos serem campeões, a direcção do conjunto lunda adoptou sempre uma postura cautelosa. Como prova disso, a cinco jornadas do fim, o presidente de direcção José Muacabalo, recusou sempre assumir o título como objectivo, num discurso entendido como estratégico, no sentido de afastar a pressão dos atletas e passá-la para os concorrentes.

A forma como a equipa orientada por Roque Sapiri geriu as últimas jornadas viria a ser determinante para a conquista do título. Embora tivesse "tremido" na antepenúltima jornada, na deslocação ao terreno do Desportivo da Huíla, com quem perdeu (1-0), ao Sagrada não faltou força anímica e solidez competitiva para na penúltima jornada redimir-se na recepção ao Progresso, a quem venceu por 2-0, antes de viajar para Luanda.

Do percurso protagonizado pela equipa da Lunda-Norte no campeonato, realce para o autêntico "passeio turístico" protagonizado pela equipa nos jogos no Estádio do Dundo, onde em 13 jogos conseguiram igual número de vitórias. A irrepreensível prestação nos jogos em casa espelha bem o bom pecúlio alcançado pelo Sagrada ao longo de todo o campeonato.
 
Militares garantem competição africana

Sem surpresas, o 1º de Agosto assegurou o terceiro lugar e a presença na Taça da Confederação. A presença na competição africana acaba por representar um "alívio" para os militares, numa época em que viram fugir entre os objectivos: a conquista do campeonato e da Taça de Angola.

O Bravos do Maquis manteve a quarta posição, apesar de fechar o campeonato com derrota imprevisível  frente ao Progresso Sambizanga, que deu um salto de gigante na tabela, ao fixar-se no 9º lugar. O quinto lugar coube ao Caála, numa época em que estiveram em bom nível, mas podem lamentar a perda do treinador, David Dias, vítima de doença. O colectivo honrou a memória do treinador ao fechar a época com vitória sobre o Libolo.


Motivos para estar satisfeito não tem a equipa do Interclube ao terminar na modesta sexta posição, num ano em que a direcção definiu como objectivo o título do campeonato. O empate diante do Santa Rita na última jornada ditou o fim de contrato com o técnico Ivo Campos.

Grande época fez o Wiliete. A equipa de Benguela foi simplesmente sensacional ao alcançar o sétimo lugar do campeonato. Na última jornada "atirou" a Baixa de Cassanje para a segunda divisão.
A Académica do Lobito manteve o oitavo posto da tabela, apesar de perder o último jogo. Nada mau para quem definiu a manutenção na competição como objectivo. O Desportivo conseguiu "sobreviver" ao espectro da despromoção, ao terminar no 10º lugar. O Sporting segurou o 13º posto e salvou-se "in-extremis" da descida.


Descida de divisão


Incapazes de "dar a volta ao texto" apresentaram-se as equipas da Baixa de Cassanje de Malanje e Santa Rita de Cássia do Uíge acompanhantes do Ferrovia do Huambo ao escalão secundário. As três equipas com a pior classificação do Girabola estão condenadas a disputar a "Segundona" nas respectivas províncias.
 
 


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