Desporto

Sagrada, campeão da Esperança

Honorato Silva

Jornalista

A festa faz-se ao ritmo da tchianda. O Sagrada Esperança é desde ontem, pela segunda vez, campeão do Girabola, após derrotar o Petro de Luanda, por 1-0, no Estádio Nacional 11 de Novembro, na derradeira jornada da prova, que reservou uma disputa com cariz de final.

01/08/2021  Última atualização 03H45
© Fotografia por: Contreiras Pipa | Edições Novembro
Os diamantíferos às ordens de Roque Sapiri fizeram jus à máxima "os ataques ganham os jogos e as defesas os campeonatos”. A muralha defensiva liderada por Gaspar, à frente de um seguro Langanga, entre os postes, confirmaram a materialização de um feito há muito anunciado.
Como há 16 anos, sob a batuta de Mário Calado, os diamantíferos tiveram personalidade, determinação e nervos de aço no momento da grande decisão. Apenas falharam na forma como procuraram contestar o penalti assinalado pelo árbitro António Dungula, porque o abandono do campo acabou por ser uma mancha na irrepreensível campanha assinada na competição.

A intervenção de Ernesto Muangala, governador da Lunda-Norte e presidente da Mesa da Assembleia-Geral do clube, acabou por evitar uma situação mais embaraçosa que a publicidade negativa feita do futebol angolano, como lamentou na ocasião o secretário de Estado dos Desportos, Carlos Almeida.

Passado um quarto de hora de muitos recuos e quase nenhum avanço, lá imperou o bom-senso, e voltou-se ao jogo. Thiago Azulão, o goleador da prova com 16 golos, viu Langanga negar o golo na cobrança do penalti, para a satisfação de milhões de adeptos que ontem abraçaram os lundas em todo o país.


Marcado para vencer
A história começou a ser escrita antes da meia hora de jogo. Estavam decorridos 22 minutos, quando Luís Tati, assistido por Lépua, aproveitou a falha do guarda-redes Élber e fez o golo que encurtou a caminhada rumo à consagração. Os diamantíferos mostravam que estavam marcados para vencer, dado o à vontade diante de um adversário suportado em campo por uma vasta carteira de troféus, dos quais 15 do Girabola.

Quando a bola rolou, cedo ficou claro que o Petro estava pressionado, face à obrigação de vencer, para conquistar o título, e o Sagrada Esperança confortado pela margem de segurança, por precisar apenas do empate. Enquanto os tricolores tentavam acelerar o jogo, mas sempre desconfiados, dado o risco de serem golpeados em contra-ataque, os verde e brancos do Dundo lançavam as acções ofensivas de forma cadenciada, com subida de ritmo no último terço.

O ajuste das marcações no centro do terreno montado por Sapiri levou os petrolíferos a carregarem o jogo pelas laterais, mas sem nunca chegar com perigo à baliza. Apenas com remates fora da área foram capazes de atarefar a melhor defesa do campeonato, ontem distinguida pelos dez golos sofridos, em 30 jornadas.

A vitória confirmou a supremacia do Sagrada Esperança diante dos colossos, uma vez ter vencido e empatado frente ao 1º de Agosto, e derrotado o Petro de Luanda nos dois jogos. O investimento feito pela direcção presidida por José Muacabalo, a pensar numa presença consolidada na Taça da Confederação, objectivo que sucumbiu aos efeitos da Covid-19, deu corpo ao apuramento para a Liga dos Campeões, a próxima meta dos diamantíferos.

Chegado ao comando da equipa à passagem da 13ª jornada, em substituição do espanhol Antonio Cosano, Mateus Agostinho "Bodunha” teve o mérito de recuperar competitivamente um grupo dado como falhado, ainda na primeira parte da época. A conquista da Taça de Angola, depois de dez vitórias consecutivas no campeonato, premiou a capacidade de luta dos tricolores e as apostas em talentos forjados no Catetão.

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