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SADC projecta centro de energias renováveis

As estratégias de execução de programas de expansão das energias renováveis a nível da região austral de África podem ganhar outra dinâmica, nos próximos tempos, com a criação do centro regional para o efeito, anunciou a directora nacional de Energias Renováveis do Mi-nistério da Energia e Águas.

08/09/2018  Última atualização 13H03
DR © Fotografia por: Angola dispõe de condições naturais para levar a cabo o programa de energias renováveis

A engenheira Sandra Cristóvão, que deu a conhecer o facto, durante o programa mensal “Café Com Ciência e Tecnologia”, promovido pelo Centro Tecnológico Nacional, avançou que os Estados membros estão actualmente a analisar os mecanismos para a implementação do Centro Regional para Energias Renováveis.
A directora nacional assegurou que Angola, sendo membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), já deu a sua contribuição, por meio de propostas para a elaboração da regulamentação do projecto regional, que considera bastante positivo para impulsionar o desenvolvimento das energias renováveis.
Com a criação do centro, a engenheira química acredita que Angola, considerou ser dos mais atrasados em matéria de instalação de energias renováveis da região, o país pode ganhar novas oportunidades, principalmente no que toca à formação de quadros.
Em relação a isso, Sandra Cristóvão disse que o país continua com grande escassez de técnicos para operar no sector das energias renováveis e de produção de equipamentos, situação que o torna refém da importação quer de profissionais, quer de meios para garantir o processo de instalação desses aparelhos.
O atraso tecnológico que o país regista actualmente, explicou Sandra Cristóvão, é também uma consequência do conflito armado que assolou o país, durante quase três décadas, o que empatou a execução de programas em certas zonas. “Uma dessas áreas está ligada às energias renováveis, uma vez que o grande foco do Governo é instalá-las nas áreas rurais”.
Mas, esse quadro pode ser transformado, uma vez que Angola dispõe de condições naturais para levar a cabo uma série de programas a nível das energias renováveis, considerou o engenheiro electrotécnico e professor universitário José Inácio, também orador no recente “Café Com Ciência e Tecnologia”.
“No que se refere às outras fontes de energias renováveis (para além da hídrica), como solar e eólica de biomassa, entre outras, é importante assinalar que Angola está bem servida”, afirmou o engenheiro.
Para provar a sua tese, José Inácio disse que o país pretende atingir, até 2015, em termos de energia solar cerca de 100 megawatts. Disse que esse propósito é possível, uma vez que Angola dispõe de um elevado potencial de recurso solar, com uma radiação global em plano horizontal anual mé-dia compreendida entre 1.350 e 2.070 quilowatts por hora em cada metro quadrado por ano.

Maior recurso do país
O professor da Faculdade da Engenharia da Universidade Agostinho Neto disse que a energia solar é o maior re-curso renovável do país e o mais uniformemente distribuído, salientando que a tecnologia mais adequada para aproveitar esse recurso é a produção de electricidade por meio de sistemas foto voltaicos, por ser de mais rápida instalação (prazos inferiores a um ano) e menor custo de manutenção.
José Inácio avançou que a utilização de baterias em conjunto com os sistemas foto voltaicos permite substituir totalmente a geração térmica, mas é ainda uma tecnologia muito onerosa, justificando-se economicamente apenas para soluções de pequena dimensão descentralizadas e onde o custo de transporte do diesel é muito elevado.
Outra aposta deve recair para a energia da biomassa, que surge através da combustão de vários tipos de sobrantes, como resíduos florestais e cultivos energéticos, restos de indústrias agro-alimentares (com destaque para a cana-de-açúcar), detritos agrícolas e pecuários e os resíduos urbanos e industriais biodegradáveis.
De acordo com a “Estratégia e Atlas das Novas Energias Renováveis”, foram identificados 43 possíveis projectos de produção de energia eléctrica com base em biomassa, totalizando uma potência global de 4 gigawatts (3,4 gw dos quais associados à vertente florestal).

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