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Russos podem substituir tropas francesas no Mali

O Primeiro-Ministro do Mali, Choguel Maiga, disse que a França retirou parte das suas tropas do território maliano, “dilacerado por conflitos de grupos terroristas”, e como alternativa, o Governo ma-liano está à “procura de ou-tros sócios”.

27/09/2021  Última atualização 08H55
Parte do contingente militar francês está a abandonar o Mali por decisão de Paris © Fotografia por: DR
 Segundo a France Press,  Choguel  Maiga disse, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas,  que o "anúncio unilateral” da França  de retirar as suas tropas do Mali, justifica que o seu Governo "procure outros sócios”, numa manifesta referência ao pedido do Mali para que empresas russas reforcem a segurança no país africano.

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, confirmou, ontem, que o Governo maliano "contactou empresas privadas russas para reforçar a segurança”.
Os países europeus alertaram o Governo do Mali, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU,  para o perigo da contratação de paramilitares do controverso grupo privado Wagner. Mas com Paris preparado para reduzir a sua presença militar no país, Serguei Lavrov confirmou que o Mali está a contactar empresas privadas russas. "Esta é uma actividade que tem sido realizada de forma legítima”, disse numa conferência, na sede das Nações Uunidas, em Nova Iorque”.

"Não temos nada a ver com isso”, acrescentou Serguei  Lavrov, dizendo que o Governo do Mali calculou que "as suas próprias capacidades seriam insuficientes na ausência de apoio externo” e começou as discussões.

Segundo as notícias, o Governo de Bamako está prestes a contratar mil paramilitares do grupo Wagner. França alertou para o risco de isso isolar o país internacionalmente, mas o Primeiro-Ministro do Mali acusou Paris de abandonar o seu país com uma decisão "unilateral” de retirada das suas tropas.

Choguel Maiga disse que o seu Governo tinha justificação para "procurar outros parceiros” e reforçar a segurança, criticando a "falta de consultas”" dos franceses.
O grupo Wagner é considerado próximo do Presidente russo, Vladimir Putin, sendo acusado pelos países ocidentais de agir em nome de Moscovo.

Paramilitares, instrutores e empresas de segurança privadas russas têm vindo a ganhar influência em África nos últimos anos, particularmente na República Centro Africana, onde as Nações Unidas acusaram o grupo Wagner de abusos.

Moscovo admite ter enviado "instrutores” para a República Centro Africana mas alega que eles não estão a participar activamente nos combates. Rússia insiste ainda que não há paramilitares na Líbia, apesar das acusações ocidentais nesse sentido.

As Nações Unidas, que têm cerca de 15 mil capacetes-azuis no Mali, também expressaram preocupação de um possível envolvimento do grupo Wagner.
A União Europeia, que treina as tropas do Mali através da missão EUTM (que inclui 700 soldados de 25 países europeus) alertou para o envolvimento do grupo Wagner, alegando que iria afectar seriamente" as suas relações com Bamako.


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