Especial

Rússia e Ucrânia negoceiam cessar-fogo

A Rússia informou que aguarda uma delegação ucraniana, hoje, na Bielorrússia, para nova ronda de negociações com vista a um cessar-fogo, e Kiev anunciou que os negociadores estão a caminho.

03/03/2022  Última atualização 07H45
Primeira ronda de conversações entre beligerantes, organizada pelas autoridades da Bielorrússia, ocorreu segunda-feira © Fotografia por: DR

A Presidência ucraniana confirmou que uma delegação estava a caminho do local escolhido para esta nova ronda de conversações, a segunda desde o início da crise

"Esperamos que eles estejam aqui amanhã (hoje) de manhã”, disse o negociador russo, Vladimir Medinsky, numa comunicação transmitida pela televisão pública russa.

O local escolhido para as negociações situa-se na região de Bialowieza, localidade polaca próxima da fronteira com a Bielorrússia e que dá nome a uma floresta que abrange os dois países e que foi escolhida por ambas as partes.

Na agenda de trabalhos para este segundo encontro de negociações russo-ucranianas está a possibilidade de um cessar-fogo, pedido pela Ucrânia, enquanto continuam os bombardeamentos das forças russas em várias cidades.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, reiterou, também ontem, o compromisso de encontrar uma solução diplomática para a guerra com a Rússia, mas pediu à comunidade internacional que aumente a pressão contra Moscovo.

"A Ucrânia está empenhada em procurar formas de um acordo diplomático. Mas enquanto a Rússia não provar a sua prontidão para negociações construtivas, todos os aliados devem unir-se para aumentar a pressão sobre a Rússia”, defendeu Kuleba, durante uma conversa telefónica com o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken.

Dmytro Kuleba aproveitou a conversa com Antony Blinken para agradecer a ajuda norte-americana e ambos acordaram novos carregamentos de armas para a Ucrânia.

A primeira ronda de conversações entre os beligerantes, organizada pelas autoridades da Bielorrússia, um país aliado de Moscovo, ocorreu na segunda-feira, na região de Gomel, perto da fronteira bielorrussa com a Ucrânia.

No final do encontro, os negociadores regressaram às respectivas capitais para consultas.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse, na terça-feira, numa entrevista conjunta à agência Reuters e à TV norte-americana CNN, que a primeira condição para negociar "é parar de lutar”, porque, caso contrário, "o tempo será desperdiçado”.

Após a primeira reunião, Zelensky lamentou que os ataques russos não tenham parado durante as negociações de cinco horas.

"A sincronização do tiroteio com o processo de negociação foi óbvia. Penso que a Rússia está a tentar, desta forma simples, exercer pressão sobre Kiev”, disse Zelensky.

No encontro com a imprensa, o porta-voz do Kremlin evitou comentar o possível resultado dos contactos.

"Primeiro, temos de ver se os negociadores ucranianos irão ou não. Esperemos que isso aconteça”, disse.

"Todas as condições necessárias para resolver esta situação foram formuladas muito claramente pelo Presidente da Rússia (Vladimir Putin), incluindo uma lista de condições que o Presidente explicou em pormenor aos seus interlocutores durante as chamadas telefónicas internacionais”, acrescentou.

A Rússia lançou na passada quinta-feira uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocou a morte de centenas de civis, incluindo crianças, segundo Kiev.

O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a "operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender.

A Rússia exige a não adesão do país vizinho à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), entre outras questões.

 

Número de refugiados sobe para 836 mil

O número de refugiados da Ucrânia para países vizinhos atingiu as 836 mil pessoas, de acordo com o mais recente balanço do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, divulgado ontem.

Os novos dados representam um aumento de quase 160 mil pessoas em relação ao número apresentado na terça-feira pelo Alto Comissário para os Refugiados, Filippo Grandi.

Na altura, Filippo Grandi dava conta da existência de 677 mil refugiados ucranianos, o que o levou a fazer um apelo de emergência para financiamento de ajuda humanitária ao país e aos que fugiram.

A vaga de refugiados está a dirigir-se sobretudo para os países mais próximos, como a Polónia, a Hungria, a Moldávia e a Roménia.

 

 Ministro britânico da Defesa rejeita "zona de exclusão aérea” na Ucrânia


 O ministro da Defesa do Reino Unido rejeitou, ontem, a ideia de uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, apesar de reconhecer que há o risco de o Presidente russo "agredir de forma grave” as cidades ucranianas a partir do ar. Ben Wallace diz que fechar o espaço aéreo seria contraproducente.

Segundo o responsável pela pasta da Defesa britânico, a eventual zona de exclusão aérea  levará "a uma guerra contra a Rússia por toda a Europa”.

Em declarações ao programa britânico BBC Breaksfast, Ben Wallace argumentou ainda que o encerramento do espaço aéreo iria dar vantagem a Moscovo, que, segundo ele, tem tropas mais fortes no terreno.

"Se houvesse uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, o Exército esmagador russo poderia conduzir com impunidade, algo que agora não consegue”, disse, durante o programa televisivo emitido pela BBC.

 

Moscovo e Kiev anunciam baixas

As Forças Armadas russas anunciaram, ontem, a destruição de 1.502 instalações militares ucranianas desde o início da "operação especial” na Ucrânia, sem referir baixas do seu lado, que a Ucrânia disse serem quase seis mil.

A lista de alvos destruídos pelas tropas russas inclui "51 centros de comando e comunicações das Forças Armadas ucranianas, 38 sistemas de mísseis terra-ar S-300, Buk M-1 e Osa, e 51 estações de radar”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, major-general Igor Konashenkov, citado pela agência TASS.

As tropas russas também destruíram "47 aviões no solo e 11 aeronaves no ar, 472 tanques e outros veículos blindados de combate, 62 sistemas de foguetes de lançamento múltiplo, 206 armas de artilharia de campo e morteiros, 336 veículos motorizados militares especiais e 46 veículos aéreos não tripulados”, disse o porta-voz.

O Ministério da Defesa russo "assegurou que as tropas russas não estão a visar cidades ucranianas, limitando-se a atacar e incapacitar cirurgicamente as infra-estruturas militares ucranianas”, segundo a TASS.

As informações não podem ser confirmadas por fonte independente, tal como acontece com as informações divulgadas pelas autoridades ucranianas sobre as baixas russas.

As Forças Armadas da Ucrânia anunciaram, por seu lado, que as "perdas dos invasores estão estimadas em 5.840 pessoas”, segundo a agência ucraniana Ukrinform.

A agência não especifica se o balanço se refere apenas a mortos ou se inclui feridos e prisioneiros.

Segundo o relatório citado pela Ukrinform, também foram destruídos mais de 200 tanques russos, 862 veículos blindados, 85 sistemas de artilharia, 40 MLRS (sistemas de lançamento múltiplo de foguetes), nove sistemas de defesa aérea, 30 aviões, 31 helicópteros, 355 veículos, duas lanchas ligeiras, 60 tanques de combustível e três ‘drones’ (aeronaves não tripuladas).

As autoridades de Kiev têm divulgado também um balanço de mortos civis, mais de 350 até terça-feira, mas sem referência a baixas militares.

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