Cultura

Robertinho prepara terceiro disco com foco em novos mercados

Manuel Albano

Jornalista

Robertinho anunciou, este domingo, em Luanda, que está em estúdio a preparar o novo disco de originais, a ser apresentado ao público ainda este ano, depois de seis anos desde o segundo CD, “Ka kinhentu”.

09/05/2022  Última atualização 07H00
Manuel Albano Robertinho anunciou, ontem, em Luanda, que está em estúdio a preparar o novo disco de originais, a ser apresentado ao público ainda este ano, depois de seis anos desde o segundo CD, “Ka kinhentu”. Com mais de 37 anos de carreira, o músico d © Fotografia por: DR

Com mais de 37 anos de carreira, o músico disse ao Jornal de Angola, que o disco tem oito faixas, cantadas em quimbundo e português. O CD, ainda sem título, tem temas inéditos e novas versões de alguns sucessos.

O disco está a ser produzido em vários estúdios em Luanda e tem participações de instrumentistas de renome no mercado angolano, como o saxofonista Nanutu e o guitarrista Kintino, da Banda Movimento.

Ao contrário do último disco, no qual Robertinho atendeu ao "pedido especial” dos admiradores e deu nova roupagem à alguns dos maiores sucessos, neste novo o músico assegurou uma proposta mais generalista, como uma forma de atingir o mercado mais jovem.

O disco, revelou, vai ter, também, a participação do músico Gerilson Insrael, da nova geração, que felicitou Robertinho pelo grande momento na carreira e a actual visibilidade alcançada por este, no país e na diáspora.

As novas gerações de artistas, defendeu Robertinho, têm estado a dar um contributo significativo na interpretação de temas antigos, com novas roupagens. Porém, lamentou o facto de muitos músicos da sua época ainda enfrentarem dificuldades para colocar um disco no mercado, devido a falta de apoios financeiros.

Para Robertinho, é ainda uma "dor de cabeça” para muitos cantores angolanos, sobretudo, da sua geração, conseguir se manter no mercado. "Precisamos de mais investimentos para incentivar mais os músicos a alcançarem alguns projectos artísticos”, adiantou.

A preocupação, disse, justifica-se pelo facto de muitos destes músicos já terem conquistado alguns dos principais mercados em África, mas devido a fraca produção, causada pela falta dos apoios financeiros, a maioria está a perder a popularidade. "Precisamos recuperar mercados, como o moçambicano, onde os músicos angolanos têm muita aceitação”, reforçou.

Natural de Malanje, Robertinho cresceu no bairro Marçal, em Luanda, onde cultivou o gosto pela música. A sua carreira começou no grupo Ébanos, como instrumentista e corista, aos 18 anos, a convite de um amigo. Integrou depois o conjunto Diamantes Negros, como vocalista e baterista. A sua primeira digressão foi com o conjunto FAPLA-Povo, em Cuba, representando Angola no Festival Mundial da Juventude.

No conjunto FAPLA-Povo, Robertinho assumia os papéis de instrumentista e corista, junto com Proletário. Anos depois, os dois passaram a ser os vocalistas principais. Mais tarde, ainda na década de 80, decidiu apostar na carreira a solo. O primeiro disco, "Joana”, chegou ao mercado em 1992, com seis temas, entre os quais se destacavam "Kalamaxinde” e "Sanguito”.

No segundo disco, "Ka kinhentu”, colocado no mercado em 2016, o músico fez uma nova roupagem de sucessos antigos como "Joana”, "Desespero” e "Kalamaxinde”, que marcaram as pistas de dança em 1992.

Na maioria dos discos, o músico traz à apreciação do público temas que analisam a sua vida pessoal e algumas histórias sobre o quotidiano, em particular o de Luanda. Os conselhos são parte essencial das letras, por serem, como esclareceu o músico em diversas ocasiões, lições de vida, que precisam ser transmitidas às novas gerações, de forma a estes terem maior apego à identidade e saibam valorizar mais a cultura nacional.

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