Economia

Reveladas opções para interligação de Cabinda

Victor Mayala | Soyo

Jornalista

A interligação eléctrica do Soyo (Zaire) a Cabinda ocorre a médio prazo, com base em opções que incluem a extensão de um cabo submarino ou uma linha de transporte a transpor território da República Democrática do Congo (RDC), anunciou o ministro da Energia e Águas, terça-feira, no Soyo.

30/06/2022  Última atualização 08H55
Ministro da Energia e Águas fala à imprensa durante encontro do pelouro realizado no Soyo © Fotografia por: Adolfo Dumbo | Edições Novembro | Soyo

João Baptista Borges, que falava no encerramento do 11º Conselho Consultivo do Ministério da Energia de Águas, durante dois dias reunido naquele município do Zaire, considerou ser "importante desenvolvermos este projecto, na perspectiva de termos uma disponibilidade energética em Cabinda que satisfaça as necessidades dos vários projectos noutros domínios que estão a ser desenvolvidos na região”.

Lembrou estar em curso uma empreitada que visa o reforço da capacidade de produção de energia eléctrica, com a instalação de turbinas, o que vai permitir totalizar uma potência de 75 MW para cobrir a procura em Cabinda.

Além disso, está prevista a construção, em Cabinda, de um parque solar com cerca de 90 megawatts (MW), bem como uma linha entre o Buco-Zau e Belize para permitir levar a rede de Malembo, ao ponto mais extremo da província, no que considerou um passo significativo em termos de electrificação do território.

O ministro adiantou, por outro lado, que o sistema de abastecimento de água para Cabinda está quase concluído, devendo ser inaugurado nos próximos tempos.

"É um reforço muito im-portante: quem se lembra de como a água distribuída em Cabinda pelo sistema de Lucola era há alguns anos, e quem vê hoje, pode perceber o grande avanço que se registou”, afirmou o ministro, acrescentando que deverá, igualmente, ser retomado, nos próximos tempos, o projecto de água do Buco Zau.

No Conselho Consultivo, que reuniu no Soyo mais de duas dezenas de delegados das estruturas centrais do sector e das 18 províncias do país, o ministro de Energia e Águas defendeu, também, a necessidade de as empresas da tutela, entre as quais se encontram provedores de serviços públicos, serem mais fortes do ponto de vista organizativo e da arrecadação de receitas.

"Queremos um sector cada vez mais forte. O fortalecimento do sector e, em particular, das empresas, depende de alguns factores, um dos quais tem a ver com a melhoria da arrecadação de receitas”, exortou, revelando que o sector regista, ainda, perdas técnicas e comerciais significativas.

João Baptista Borges considerou que os valores monetários cobrados pelas empresas estão, ainda, "muito aquém” do necessário para fazer face aos encargos com o pessoal (salários e outras remunerações), como, também, com despesas operacionais tidas como  inadiáveis.

O ministro lamentou para ilustrar a necessidade do fortalecimento das empresas, que, na aquisição de produtos químicos, um consumível básico necessário no tratamento de água, o Estado tenha de desembolsar ajudas de forma permanente, porque as empresas não têm receitas,.

Além disso, há mesmo casos de empresas que não pagam as contribuições à Segurança Social, porque não têm recursos, "o que é uma situação grave”, disse.

Em relação às tarifas, o ministro defendeu a necessidade destas reflectirem os custos operacionais, sendo importante que a base de arrecadação de receitas seja cada vez maior.

"Para arrecadarmos mais, precisamos de avaliar qual é a causa das principais perdas e de ter um domínio sobre os clientes que existem, verificar até que ponto a facturação corresponde ao que o cliente realmente consome e, isto, só é possível instalando contadores”, indicou.

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