Cultura

Restos mortais de Zeca Tirilene repousam no Alto das Cruzes

Manuel Albano

Jornalista

Os restos mortais do guitarrista Zeca Tirilene, falecido no passado sábado, vítima de doença, já repousam, desde quarta-feira (19), no Cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda.

20/01/2022  Última atualização 07H55
A “mão mágica” recebeu o último adeus da família e colegas para quem o seu legado ficará nos vários sucessos que compôs © Fotografia por: João Gomes | Edições Novembro
Num momento marcado pela dor e tristeza, a cerimónia fúnebre, limitada devido à Covid-19, foi testemunhada por familiares, amigos, músicos e admiradores de Zeca Tirilene, que deixou registos de talento em temas como "Rosa Rose”, "Memória Guy”, "Nvunda Musanzala”, "Lamento de Mingo”, "Za Boba”, "Che ché mãe” e "Milhorró”.

Numa mensagem do ministro da Cultura, Turismo e Ambiente, lida, ontem, na cerimónia fúnebre especial, realizada no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, em Luanda, Filipe Zau lamentou o facto de a música angolana perder uma das referências, "cujo legado deve ser transmitido para as novas gerações”.

Na mensagem, lida pelo secretário-geral da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC-SA) Eliseu Major, o ministro enaltece, ainda, os feitos do malogrado, cuja carreira começou no Sambizanga, no bairro Braguês, onde integrou o grupo "Kinzas”, na década de 1960.

O ministro recordou, na mensagem, que em 1968, Zeca Tirilene como guitarrista e organista, foi convidado pelo cantor e compositor Massano Júnior, para integrar e fundar o agrupamento "África Show”, tendo acrescentado, que após a independência de Angola, entrou para "Os Merengues”.

Em 1977, no bairro Marçal, continuou, o malogrado ingressou no conjunto "Os Kiezos”, tendo logo o grupo viajado para a Itália, na inauguração da Embaixada de Angola naquele país europeu. Na década de 1986, integrou igualmente o Instrumental 1º de Maio, tendo em 2002, regressado aos Kiezos.

O músico Armando Rosa, como representante da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), que acompanhou o enterro, destacou a participação activa de Zeca Tirilene, enquanto integrante dos Kiezos, Kinzas, África Show, Merengues, Instrumental 1º de Maio e Banda Welwitchia, no desenvolvimento da música popular e urbana, com realce ao semba.

O malogrado, lembrou, juntamente com outros integrantes do grupo Os Kiezos participaram em vários festivais pela a Europa, tendo actuado em países como Alemanha, União Soviética, Polónia, Bélgica, assim como Cabo Verde e nos Congos, Democrático e Brazzaville.

Por sua vez, a mensagem familiar, lida por uma das netas do malogrado, está recordou o avô, como sendo um homem íntegro que sempre procurou transmitir o legado às novas gerações, tendo cumprido fielmente o papel de pai, conselheiro e amigo.

A Associação dos Amigos e Naturais do Marçal considerou a morte de Zeca Tirilene como a oportunidade para fazer uma profunda reflexão sobre o estado da classe artística.

Zeca Tirilene começou a carreira muito cedo no Bairro Marçal, onde nasceu.

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