Política

Relações Exteriores abraça campanha de activismo

Yara Simão

Jornalista

Mais de 70 mil casos de vários tipos de violência doméstica foram registados em Angola, informou, esta quinta-feira(25), à imprensa, a ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Faustina Alves, durante o lançamento da campanha “Novembro Laranja: Promovendo os Direitos da Mulher e a Igualdade do Género”.

26/11/2021  Última atualização 10H15
Téte António lembrou que o 25 de Novembro foi proclamado para combater todos os tipos de males © Fotografia por: Maria Augusta | Edições Novembro
A ministra disse que para se erradicar o fenómeno é necessário moralizar a sociedade: "Precisamos de todos ser activistas no sentido de mobilizar e sensibilizar as pessoas sobre os males das acções violentas. É preciso proteger as mulheres e crianças. É preciso proteger a sociedade".

Por sua vez, Téte António, ministro das Relações Exteriores, relembrou que o 25 de Novembro, Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, foi proclamado para combater todos os tipos de males.
Violência doméstica

OMA regista mais de dois mil casos de violência doméstica campanha decorre sob o lema: "Pinta o Mundo de Laranja”: Ponhamos Fim à Violência Contra as Mulheres.

A Organização da Mulher Angolana (OMA) registou, de Janeiro a Outubro deste ano, mais dois mil casos de violência doméstica, dos quais 2.568 denúncias  feitas por mulheres e 735 por homens.Segundo a secretária-geral-adjunta da OMA, Maria Pires, que falava, quarta-feira, no lançamento dos 16 dias de activismo assinalado ontem (25) e estende-se até 10 de Dezembro.

"A realização da campanha dos 16 dias de combate contra a violência do  género em Angola constitui um momento de reflexão em relação ao fenômeno violência e dá a oportunidade de cada um de nós, aqui presente, tirar importantes lições para os problemas derivados desta situação”, afirmou.

Os 16 dias de activismo, explicou, é uma campanha que começou a 25 de Novembro, Dia Internacional da Não Violência Contra as Mulheres e Meninas e termina a 10 de Dezembro, efeméride consagrada aos Direitos Humanos.

Para este ano, a campanha decorre sob o lema: "Pinta o Mundo de Laranja, Ponhamos Fim à Violência Contra as Mulheres”. E a este propósito, Maria Pires considerou um momento de reflexão social profunda sobre as formas de eliminar este fenómeno, que muitas vezes acontece por fundamentos e conceitos de atitudes culturais e crenças que permitem a sua continuidade.

A violência doméstica, acrescentou, é um problema social que continua a atingir níveis preocupantes, sendo as mais frequentes a física, psicológica, laboral, económica e sexual, em que os casos de abuso sexual, sobretudo, contra meninas, acontecem, maioritariamente, no seio familiar e na vizinhança, pois em grande parte são omitidos por medo ou vergonha da sociedade.

"A OMA, desde então, assumiu a responsabilidade de fazer desta campanha um espaço de reflexão que permite aos vários actores da sociedade abordarem questões relacionadas com a eliminação da violência  de género, nos mais diversos domínios da vida social”, disse.

Referiu que, através dos centros de aconselhamento espalhados pelo país, tem estado a responder aos inúmeros casos de abuso, no sentido de proteger as pessoas vítimas de qualquer tipo de agressão, dando apoio jurídico gratuito, para que elas se sintam seguras, sobretudo, às famílias mais vulneráveis.Segundo Maria Pires, a Organização controla seis casas de abrigo e 19 centros de aconselhamento, além de 45 salas de aconselhamento a nível do país, com 137 conselheiros especializados.

Frisou que as mulheres têm e são capazes de fazer parte da mudança do país, assinalando a sua presença nas várias esferas da sociedade, agora, pelo anúncio da participação igualitária de 50 por cento, no próximo Congresso do MPLA, que acontece de 9 a 11 Dezembro, facto que irá marcar o início de um novo paradigma no processo de democratização do partido.

"O maior obstáculo à igualdade de género no nosso país sempre esteve ligado às tradições culturais que, em conjugação com outros factores históricos, impedem a permanência das meninas nas escolas, conduzindo-as ao abandono precoce, ao que se segue o casamento e a maternidade”, lamentou.

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