Política

Região pede segurança na RDC

Uma delegação composta pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da República do Congo e da Zâmbia desloca-se, hoje, à República Democrática do Congo (RDC), para fazer chegar ao Presidente Joseph Kabila as conclusões e deliberações da mini-cimeira conjunta dos Chefes de Estado e de Governo da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (CIRGL) e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

27/12/2018  Última atualização 07H09
DR

A mini-cimeira, convocada pelos Chefes de Estado do Congo, Denis Sassou Nguesso, presidente em exercício da CIRGL, e da Namíbia, Hage Geingob, presidente em exercício da SADC, serviu para analisar a situação política e de segurança na sub-região, em particular o processo eleitoral na RDC, país que faz parte das duas organizações.
Participaram também na mini-cimeira os Presidentes de Angola, João Lourenço, Botswana, Mokgweetsi Masisi, e da Zâmbia, Edgar Lungu. A África do Sul, Ruanda e Ugan-da fizeram-se representar por ministros e representantes diplomáticos.
Segundo o comunicado final da cimeira, os Chefes de Estado deploraram a destruição, em Kinshasa, a 13 de De-zembro, de uma parte do material eleitoral e reafirmaram a sua crença na realização de eleições justas, livres, democráticas e transparentes na RDC. No comunicado, lido no final do encontro que durou cerca de três horas, os Presidentes expressaram sérias preocupações face aos actos de violência que ocorreram, durante a campanha eleitoral, em algumas localidades do país e que podem comprometer a serenidade das eleições.
Os Presidentes de Angola, Congo, Botswana, Namíbia e Zâmbia reafirmaram a necessidade do cumprimento dos compromissos assumidos no quadro do Pacto sobre Segurança, Estabilidade e Desenvolvimento na Região dos Grandes Lagos e do Acordo-Quadro para a Paz, Segurança e Desenvolvimento na RDC e Região dos Grandes Lagos. A mini-cimeira “encorajou fortemente” o Gover-no da RDC a garantir a segurança de todos os candidatos durante as eleições, previstas para domingo, e saudou o engajamento do processo eleitoral e a abertura do espaço político na RDC. Mas denunciaram, “com firmeza”, a violência no Leste da RDC, praticada por grupos armados contra civis e forças da Missão das Nações Unidas.
Os Chefes de Estado saudaram a mobilização e envio, pela União Africana, SADC, Conferência Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e CIRGL, de missões de observação para monitorar o processo eleitoral na RDC.
A delegação chefiada pelo Presidente da República, que regressou ontem ao país, integrou os ministros das Relações Exteriores e do Interior, Manuel Augusto e Ângelo da Veiga Tavares, respectivamente. A mini-cimeira de-correu no Palácio do Povo, em Brazzaville.
As eleições gerais na RDC têm sido adiadas, sucessivamente, desde 2016, altura em que terminou o mandato do actual Presidente, Joseph Kabila. Chegaram a ser marcadas para finais do ano passado, mas não tiveram lugar por não ter havido condições para o registo de todos os eleitores.
Foi então fixada a data de 23 de Dezembro. Quatro dias antes dessa data, a Comissão Eleitoral Nacional Independente anunciou o seu adiamento para 30 de Dezembro, alegando insegurança.
A mudança da data a apenas alguns dias antes do acto eleitoral provocou indignação entre os cidadãos congoleses e, particularmente, na oposição, que desconfia de ma-nobras do actual Chefe de Estado, Joseph Kabila, para se manter no poder.

Esperança
O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, disse ontem acreditar que o processo eleitoral vai acabar por correr bem, dentro do relativismo que caracteriza um processo similar.
“Queremos ser positivos. Queremos acreditar que tudo vai acabar por correr bem, dentro do relativismo que acontece num processo similar, mas que não haja no pós eleições nenhuma situação catastrófica”, disse quando questionado sobre eventuais receios da situação pós eleitoral na RDC. Mas ao mesmo tempo que queremos pensar positivo, acrescentou, queremos também ser realistas. “E sendo realistas temos que convir que o ambiente que existe na RDC é de alguma contestação, não nos assegura, em princípio, que tudo possa correr bem. E, por isso, mesmo os Chefes de Estado estiveram a fazer reflexões de como agir no caso de as coisas não correrem bem.”

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