Sociedade

Região Leste da Huíla dinamiza produção de alimentos agrícolas

Arão Martins | Lubango

Jornalista

No Cuvango, Chipindo e na Jamba, a revitalização do sector agrícola e mineral exige a criação de infra-estruturas como estradas, rede de telecomunicações, subestações de energia eléctrica e sistemas de água potável.

02/12/2020  Última atualização 13H00
© Fotografia por: DR
Com terras aráveis, esses três dos 14 municípios que compõem a Huíla, são ricos em recursos hídricos e minerais. Há dias, na 8ª Reunião do Governo local, que decorreu no Cuvango, a 317 quilómetros da cidade do Lubango, foram analisadas várias questões ligadas ao desenvolvimento socioeconómico do Leste da província.

Na ocasião, o administrador municipal do Cuvango, Luís Marcelo, que apresentou os dados da região Leste, avançou que as administrações municipais do Chipindo, Cuvango e Jamba trabalham afincadamente na definição de estratégias que podem assegurar o desenvolvimento sustentável das populações locais.

Luís Marcelo destacou o papel fundamental das cooperativas e associações de camponeses, em particular das fazendas Agrikuvango e Mumba, situados no seu município, que muito têm contribuído na elevação dos níveis de produção de alimentos agrícolas, sobretudo de cereais.

 A banca e o Governo Provincial da Huíla têm sido os motores de motivação para os pequenos produtores, que depois de apresentarem projectos viáveis beneficiam de apoios financeiros, no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), e do Projecto de Apoio ao Crédito (PAC). Um dos agricultores mais famosos da região, António Ndala, morador na localidade de Capapala – Km 50, na comuna de Galangue, produz boas quantidades de milho, massango, massambala e hortícolas. Segundo ele, com mais apoios, os níveis de produção podem aumentar significativamente.

No Cuvango, a administração local do Estado trabalha na criação e legalização de cooperativas e associações de camponeses, para permitir o acesso, de forma segura e organizada, às sementes, fertilizantes, equipamentos e meios de apoio ao trabalho agrícola, visando garantir o crescimento da produção e produtividade no Leste da província.

Nos solos do Cuvango, Chipindo e Jamba, também há ouro, ferro, chumbo e outros minerais. Luís Marcelo fala da inexistência, na região, de organizações que se dedicam a exploração oficial destes recursos. Mas reconhece que a actividade de exploração mineira permitiria a geração de empregos para um número considerável de jovens, além de contribuir para a balança económica do país.

  Produção de alimentos


Na 8ª Reunião do Governo Provincial da Huíla, o governador Luís Nunes destacou o contributo dos municípios do Leste na produção de alimentos. Afirmou que, para a campanha agrícola 2020/2021, a província prevê cultivar mais de 605.300 hectares de terra, cuja abertura do novo período aconteceu na localidade de Kapapala - Km 50, comuna de Galangue, no Cuvango.

A perspectiva, segundo o director do Gabinete Provincial da Agricultura e Pecuária da Huíla, José Arão Nataniel, é colher 505.135 toneladas de produtos diversos, entre cereais, leguminosas, tubérculos e outros alimentos.

Mais de 24 mil famílias, agrupadas em 835 associações de camponeses, participam da presente campanha agrícola. Além da agricultura familiar, com recurso ao gado de tracção animal, a província tem disponíveis 50 tractores para facilitar nas acções de preparação de terras, para o cultivo.

O governador assegurou que a nova fase tem por finalidade o aumento da capacidade de produção agrícola. "Os municípios do leste devem dinamizar e fomentar a produção agrícola”, disse, para de seguida sublinhar que a província tem um potencial agro-pecuário bastante peculiar, que resulta das condições climatéricas que propiciam a prática da actividade agrícola em todos os municípios da Huíla.

De acordo com o governador, o potencial climatérico da Huíla deve ser bem aproveitado pelos agricultores, seja pela forma da agricultura peculiar, cooperativa ou empresarial, "na medida em que as condições permitem dar resposta às exigências do mercado, produzindo o que se necessita para o consumo nos grandes centros populacionais”.

Reconheceu que o sector agrícola, pescas e florestas desempenha, no quadro da diversificação da economia, um papel preponderante no combate à fome, e na garantia da segurança alimentar e nutricional. Luís Nunes destacou as obras inseridas no âmbito do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), em que, vários projectos de construção e melhoramento das vias de comunicação se encontram em execução.

No Cuvango, realçou, no troço que liga o desvio Chipindo-Cuvango a sede da comuna do Galangue, os efeitos já se fazem sentir com a redução em 50 por cento do tempo de viagem.

Alcance das metas

Para o governador, a província tem a obrigação de produzir cada vez mais, para alcançar os objectivos preconizados, tendo em atenção o grande potencial agrícola que possui. "O objectivo traçado só será alcançado, se todos estivermos engajados para o mesmo fim. Por isso somos chamados a juntar sinergias para o aumento da produção agrícola, criando novas áreas de produção, trilhando o caminho da diversificação da economia, combate à fome e redução da pobreza, e melhorar a segurança alimentar e nutricional das populações”, apelou.

No Cuvango, os camponeses integrados em associações e cooperativas agrícolas beneficiaram de sementes de milho, fertilizantes, fruteiras e cabeças de gado bovino para tracção animal. E, para facilitar a mobilidade dos técnicos do sector agrícola, na monitoria e assistência técnica em zonas de difícil acesso, o Governo Provincial distribuiu 20 motorizadas.

O governador prometeu dar mais apoios aos agricultores da região, para que as famílias possam ter o rendimento almejado e sustentável do ponto de vista alimentar e nutricional. Luís Nunes assegurou que está a ser desenvolvido um conjunto de acções, que visam apoiar o sector da Agricultura, em particular a agricultura familiar, através da distribuição, aos camponeses associados, de inputs agrícolas, tractores e outros equipamentos essenciais à prática da actividade agrícola, bem como a concessão de direitos de superfície, para legitimar o uso de terras agrícolas, por parte dos agricultores.

Acrescentou que, neste domínio, são desenvolvidas acções no sentido de garantir que a produção agrícola conheça o escoamento desejado. "Por isso, estamos a fazer um grande esforço para melhorar as vias de comunicação”, salientou.
Participaram da cerimónia de lançamento na Campanha Agrícola 2020/2021, no Cuvango, os administradores dos 14 municípios que compõem a província, empresários, camponeses, entre outros convidados.

  Há dificuldades na Educação

O número de professores e escolas é insuficiente. No total, existem 260 escolas, destas 38 são de construção definitiva e 222 precárias. As três localidades municipais controlam 2.344 professores para um universo de 81.569 alunos matriculados em escolas do ensino primário e do segundo ciclo do ensino secundário.

Chipindo tem 628 professores para 28.600 alunos, Cuvango 898 professores e 24.538 alunos, enquanto a Jamba dispõe de 818 professores para 28.431 alunos matriculados. Luís Marcelo lamenta a paralisação dos trabalhos de construção de várias escolas na região.

"Apesar disso, estamos todos optimistas, porque acreditamos que a implementação do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios vai ajudar a minimizar o défice no sector”, referiu.

As populações da região clamam pela construção de mais escolas primárias e secundárias, para melhorar as condições de ensino-aprendizagem de milhares de alunos. Com objectivo de evitar o êxodo académico, o porta-voz da região Leste da Huíla, Luís Marcelo, avança que cada uma das três localidades municipais sente a necessidade de ter uma escola do ensino médio que possa assegurar a formação de professores.

A admissão de um total de 1.915 professores e 1.060 funcionários administrativos, para as escolas primárias e secundárias a serem construídas durante o quinquénio 2021/2025), constam das acções a serem concretizadas.
Outra necessidade manifestada durante a reunião tem a ver com a criação de um instituto superior politécnico, com cursos de Agronomia e Geologia e Minas. "A educação é a base fundamental para o desenvolvimento de qualquer região”, afirmou Luís Marcelo.

Unidades sanitárias da região

Os três municípios controlam um total de 50 unidades sanitárias. O administrador do Cuvango, Luís Marcelo, disse, na 8ª Reunião do Governo Provincial da Huíla, que no Chipindo funcionam sete unidades sanitárias, 28 no Cuvango e 15 na Jamba.
O responsável esclareceu que os serviços de assistência médica e medicamentosa são assegurados por 27 médicos, entre nacionais e expatriados de várias especialidades, auxiliados por mais de 320 técnicos, como enfermeiros, técnicos de diagnóstico e outros funcionários.

De acordo com o administrador do Cuvango, o número de quadros que operam nestas unidades sanitárias ainda é irrisório para atender a demanda da população residente no Leste da província, onde a malária, doenças diarreicas agudas, problemas respiratórios e a má nutrição constituem as patologias mais frequentes.

"Para contornar a lacuna existente no sector da saúde, as administrações municipais dos três municípios propõem a admissão de mais médicos e técnicos de enfermagem, e a construção de residências para os quadros do sector”, disse, acrescentando que a zona Leste da Huíla, constituído pelos municípios do Cuvango, Chipindo e Jamba, necessita de nove centros, 12 postos de saúde e ambulâncias.

Distribuição de energia e água

Os cidadãos residentes no Cuvango, Chipindo e na Jamba estão expectantes com o projecto do Governo Central que visa a extensão de uma linha de alta tensão para a região Sul, a partir da barragem de Laúca, que permitirá os municípios do Leste resolverem os problemas no fornecimento de energia eléctrica às populações locais.

"Contudo, seria imprescindível que dentro das prioridades fosse incluída a recuperação das mini-hídricas do município do Cuvango. Depois de recuperadas, alcançaríamos maiores ganhos, fundamentalmente a industrialização da região”, sublinhou. Quanto a água, vários sistemas de estação de tratamento estão a ser reabilitados e construídos com fundos públicos, nestas localidades. A Jamba conta com um sistema de captação e tratamento de água, enquanto no Chipindo e Cuvango existem pequenas estações construídas nos rios, que ficam próximos das respectivas vilas municipais. Em algumas aldeias existem sistemas que funcionam com painéis solares.

Com base no Censo Populacional e Habitacional de 2014, os municípios de Cuvango, Chipindo e Jamba somam, no total, mais de 294 mil habitantes, que vivem maioritariamente da agricultura, criação de gado e comércio.

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